S.O.B.R.E.T.U.D.O

Sobre tudo o que vejo; sobretudo, o que me provoca…
  • Blog
  • Links
  • Arquivos
  • Auto-entrevista
  • Contato

A dor da ausência

Patricia Haddad | Tue, 13 March, 2007 | 08:34 PM

No jornal Extra de ontem, saiu publicada uma matéria sobre uma menina que ganhou o concurso Princesinha da Rocinha, promovido pela rádio comunitária Briza FM. A escolha foi feita por meio de cartas enviadas para a rádio. O texto da garota de 12 anos comoveu os organizadores e lá foi ela passear de limousine, fazer compras em um shopping, jantar fora, além de ganhar outros brindes.

Hoje, o mesmo jornal publicou um trecho da carta sob o título A Dor da Ausência. É que na parte selecionada a menina fala justamente da falta que que sente da mãe, que mora distante. É realmente triste. No entanto, foi outra ausência que me causou dor: a da educação, no sentido de instrução, claro.

Nas quatro linhas destacadas pelo jornal os erros são vários. Estão aí embaixo para quem quiser conferir. Eu fiquei um bom tempo olhando para estas palavras mal escritas e fiquei me perguntando em que escola esta criança estuda. Será estadual ou municipal? Quem são os professores? Que série ela deve estar cursando? Será que ninguém vê esses erros? Aonde esta cidadã poderá chegar? Que chance estão dando a ela de crescer, de “ser alguém na vida”? 

Notem que o pequeno trecho não traz uma ou duas palavras com um ”engano” de grafia. Os problemas que esta menina tem são gravíssimos e a culpa não é dela. Mas ai de quem disser que é da sociedade. A culpa não é minha, tampouco sua, que me lê agora. Meus impostos são pagos religiosamente em dia, assim como devem ser os seus. A culpa é de quem é pago por nós para gerir nossos recursos, obrigatoriamente pagos à União. A culpa é do governo, nas três esferas. Entretanto, a culpa é também de quem colocou todas essas pessoas lá para ganharem altos salários e gozarem de inúmeras mordomias. A culpa é de quem reelegeu para comandante-mór de Bananópolis alguém que só faz alimentar a indústria da ociosidade por meio de engodos como o Bolsa Família. Mas deste grupo eu não faço parte. Graças a Deus.

Jornal Extra, pág. 5, 13mar07

Comments
8 Comments »
Categories
Política
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Três bombas

Patricia Haddad | Sun, 11 March, 2007 | 07:38 PM

Era para eu ter escrito na sexta-feira, quando estes assuntos explodiram na minha frente. Mas o cansaço não deixou. Ontem também foi um dia conturbado. De modo que apenas hoje, domingo, divido com vocês essas 3 notícias.

Vem aí o “meio aposentado” – Seguindo a tendência do mercado, teremos aposentado estagiário, aposentado trainee, aposentado júnior, aposentado sênior, aposentado pleno… Pensando bem, levando-se em conta o tempo que uma pessoa leva para conseguir se aposentar e o novo “plano de carreira” que o governo quer criar, acho que dificilmente um trabalhador conseguirá passar da primeira para a segunda categoria.

Fazenda quer executar dívida sem… – Hum… Então é assim: quem deve ao governo tem que pagar logo. Se não pagar, o governo vai lá e pega tudo o que pode do devedor. Simples assim. O contrário, no entanto, não é verdadeiro. O governo pode dever à vontade e o credor que se lasque. É assim no caso da Varig. A união já foi condenada a pagar o que deve à companhia por conta de uma ação judicial que deu ganho de causa à empresa. Mas o incomPeTente governo simplesmente não paga e fica por isso mesmo. É assim também no caso do Aerus, o fundo de pensão dos funcionários da Varig (e da Transbrasil). O governo foi igualmente condenado a assumir os pagamentos dos aposentados, uma vez que a Secretaria de Previdência Complementar foi NEGLIGENTE e não fiscalizou o instituto como seria seu dever. No entanto, resta apenas um pagamento para estes trabalhadores que por muito tempo contribuíram para o Aerus. Esta complementação da aposentadoria é vital para a grande maioria dos ex-funcionários destas empresas. Durante anos estas pessoas tiveram seus salários descontados em favor do insituto, na esperança de ter uma velhice mais digna. Podiam ter aplicado o dinheiro em alguma outra coisa, mas preferiram aplicar no plano de previdência privada, FISCALIZADO PELA SPC. Acreditaram que era algo seguro. Deu no que deu.

Governo aprova medida que reduz rendimento da poupança – Ah, sim, claro. O único tipo de aplicação que o povão pode ter vai render menos agora porque os banqueiros estão levando prejuízo. Se não tem gente suficiente aplicando nos fundos de renda fixa, que cortem então dos menos abastados! Perfeito! Nada mais justo, não é mesmo?

Comments
5 Comments »
Categories
Política
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Vergonha

Patricia Haddad | Thu, 08 March, 2007 | 10:41 PM

(cliquem nas imagens para vê-las em tamanho maior) 

Vergonha é o que estou sentindo do povo brasileiro depois de ver na internet e nos telejornais as manifestações anti-Bush que aconteceram em todo o país ao longo do dia. E antes que me atirem pedras achando que estou defendendo o presidente americano, peço um pouco de paciência. Leiam e vejam que não se trata, em absoluto, de defesa do visitante. Trata-se de indignação pela falta de educação, de senso, de discernimento que o povo de Bananópolis demonstrou hoje.

Leio no Globo Online que cerca de 10 mil manifestantes tomaram as ruas de São Paulo para protestar contra a vinda de Bush. Um telejornal diz que eram 6 mil. Dez ou seis mil, dá tudo no mesmo. A questão é: milhares de pessoas se mobilizaram, empunhando cartazes impressos especialmente para a ocasião, o que denota um trabalho de produção prévia eficiente. Havia também adesivos colados em todas as partes do corpo, faixas enormes, tudo devidamente pensado com antecedência. Bacana a organização, né? Não.

Manifestantes queimam bandeira americana em São PauloMaluf faz o que faz (nem me preocupo em pôr o verbo no passado porque não acho que tenha se tornadoVergonhoso... santo) e é reeleito com o maior número de votos por esta São Paulo que hoje parou para queimar a bandeira americana. Bush é malvado? Pode ser. Mas nada justifica a afronta a todo um povo (os norte-americanos, no caso) que não necessariamente compactuam com seu dirigente, mas que respeitam seu lábaro como um verdadeiro manto sagrado. Ser contra a política praticada é uma coisa; agredir uma nação é outra.

Deputados e Senadores fazem o que fazem (e novamente o verbo está no presente) e todo mundo assiste quieto. Renan Calheiros é reeleito presidente do Senado, um aliado de Lula ganha a eleição para a Câmara e tá tudo certo. As CPIs não vão pra frente e o povo, inerte, finge que nada acontece. Não se consegue juntar meia dúzia de gatos pingados na rua de trás do bairro da periferia para mostrar que o povo não é palhaço. Bem, pode ser que o problema esteja em justamente sermos palhaços, e então qualquer protesto seria contraditório. Enquanto isso, eles continuam lá, gastando nosso dinheiro com o nosso consentimento.

Lula foi reeleito. E sobre isso não preciso dizer nada. É parágrafo de uma linha só mesmo.

Faz um mês que o menino João Hélio, de 6 anos, morreu depois de ser arrastado por 7km do lado de fora do carro de sua mãe, roubado no subúrbio do Rio. Alana Ezequiel, de 12, morreu esta semana vítima de bala perdida em Vila Isabel, zona norte da cidade. Em São Paulo, outra menina, Priscila, de 13 anos, também foi atingida por bala perdida e está paraplégica. Apenas três casos recentes. O primeiro, talvez por ter fugido do “lugar comum” dos crimes que acontecem todos os dias, causou uma certa comoção, levou algumas pessoas para as ruas, mas apenas aqui no Rio de Janeiro. E não creio que tenham passado de 2 mil os manifestantes.

O que a empresa de ônibus tem a ver com a vinda do Bush?A impressão que eu tenho é que o povo gosta mesmo é da bagunça. E que bacana é ser anti-americano. É Destruição de patrimônio alheio é crime!usar camiseta com o Che Guevara e gritar Viva Fidel. Ir às ruas por uma causa justa não é tão divertido quanto queimar bandeiras alheias, depredar patrimônios de terceiros que nada têm a ver com o problema, deitar no meio da rua e impedir o direito de ir e vir dos cidadãos comuns. Basta analisar algumas fotos espalhadas pelos sites de notícias. Jovens hippies, integrantes do MST (???), gente que não deve nem saber se a capital dos Estados Unidos é New York* ou Nova Iorque*.

Enquanto esse povinho de Bananópolis continuar agindo assim, dando essas demonstrações práticas de selvageria, me desculpem, mas NADA, absolutamente NADA terá conserto nesta república. Antes de se manifestar contra o governo dos outros, o povo devia aprender a se manifestar contra o que há de errado aqui dentro. Aliás, não basta aprender SOBRE O QUÊ protestar, mas COMO protestar também. Afinal, bagunça não é sinônimo de luta por direitos.

Patético

Por que não “Mulheres do PT contra a violência, contra a roubalheira em Brasília, contra os mandos e desmandos generalizados no país, contra a falta de hospitais, educação, saneamento básico, emprego etc? Assunto não falta, viram só?

 

 60's?

Direto de Woodstock? Hello! Já estamos no século 21!

 

ingRês

Cúmulo do ridículo: o rapaz TENTOU fazer sua manifestação em inglês, mas se alguém conseguir traduzir o que ele escreveu… Céus, que vergonha!

Infelizmente, não achei fotos dos integrantes do MST nem da destruição provocada no Consulado Americano no Centro do Rio. Mas estarão amanhã em todos os jornais do país. Não se preocupem.

* E a capital dos Estados Unidos é Washington, D.C. …

Comments
11 Comments »
Categories
Política
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Disparidade

Patricia Haddad | Wed, 07 March, 2007 | 09:38 PM

Estava ouvindo hoje a entrevista do Carlos Alberto de Nóbrega no programa Transalouca, da Rádio Transamérica. Em determinado momento, Carlos Alberto comenta a saída de três comediantes de A Praça é Nossa, entre eles, o Tiririca. Foram para o programa do Tom Cavalcanti, na Record.

Carlos Alberto disse que, certa vez, Tiririca foi falar com ele que estava pensando em sair do programa, pois estava ganhando pouco. Carlos Alberto tentou um valor maior no contrato do comediante. Mas não deu certo. Um dia, durante uma viagem a trabalho, Tiririca diz:

- Carlos Alberto, eu preciso ir embora. Eu tô ganhando muito pouco. Aqui (no SBT) eu tô ganhando 4 mil reais…

[PAUSA]

Eu não entendi mal, nem vocês leram errado. Tiririca ganhava 4 mil reais no SBT para fazer aquele humor que vocês bem conhecem. Mas não parou por aí. Voltemos um poquinho a fita.

[REW] [PLAY]

- Aqui (no SBT) eu tô ganhando 4 mil reais. Lá (na Record) eu vou ganhar 15 mil.

[STOP]

Tiririca ganha 42,85 salários mínimos (em valores atuais) por mês para fazer humor, ainda que um humor sem a menor graça. Enquanto isso, milhares de pessoas com formação superior, cursos, especializações e outros tantos conhecimentos estão por aí procurando emprego.

[CORTA]

Já chega por hoje…

Comments
1 Comment »
Categories
Bla, bla, bla
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Verão na areia

Patricia Haddad | Sun, 04 March, 2007 | 10:04 PM

A sombra dos meus dedos em cinco cliques.

Areia de Ipanema, 3 de março de 2007.

(clique na foto e veja-a em tamanho normal no Flickr. Aproveite e veja minhas outras fotos!)

Comments
4 Comments »
Categories
Bla, bla, bla
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Branco

Patricia Haddad | Sat, 03 March, 2007 | 09:03 AM

Tela do WordPress 

Já ouvi muitos escritores falarem na tal síndrome da folha em branco. Costuma acontecer quando eles precisam escrever alguma coisa com certa urgência. O que acontece então? As idéias somem, a inspiração sai para dar uma volta – e não volta! -, os assuntos parecem se escafeder e a folha fica ali, parada, à sua frente, em branco, à espera do texto.

Claro que, hoje em dia, ninguém mais escreve em folha de papel branco. Escreve-se no Word ou qualquer outro editor de texto. Mas, tirando os comandos da barra de menu, o rodapé e algumas outras coisas pelo lado, o que sobra mesmo é uma boa folha… em branco! Ali, na tela do computador, aquele singelo espaço não preenchido parece desafiar o coitado atrás do teclado. É a síndrome reinventada.

Para blogueiros, o problema é apenas um pouco diferente. O espaço que as ferramentas de publicação nos dão para escrever é pequeno. Quando o texto é grande, surge uma barra de rolagem. Todo o resto em volta é preenchido por comandos, opções etc. Quem nos olha diante do computador mal percebe que estamos ali presos à nossa própria falta de assunto. As aparências enganam: a tela está cheia de palavras escritas, mas nenhuma delas nos pertence. Nosso texto continua perdido no espaço cerebral, virtual, sideral.

E eis que, depois de tanto filosofar e reclamar do sumiço das idéias, surge um escrito que, se não servir para mais nada, ao menos movimenta o blog.

Blogar, muitas vezes, é a arte de saber escrever sobre o que não há, é transformar o nada em alguma coisa.

Vou pra praia, porque sou movida a energia solar!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Comments
2 Comments »
Categories
Bla, bla, bla
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

  • Página 2 de 2
  •   <
  • 1
  • 2










View blog authority

PageRank Checking Icon

Archives

Categories



rss Comments rss valid xhtml 1.1 design by jide powered by Wordpress get firefox