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O problema é comigo?

Patricia Haddad | Thu, 12 July, 2007 | 09:35 PM

Tenho andado muito quieta por aqui. Não que me falte assunto, mas é tanta coisa pra escrever que acabo me perdendo, deixando pro dia seguinte… e é nisso que dá: em nada!

Na verdade, acho que fico um pouco desanimada também em escrever. É que vejo os noticiários, assisto à TV Senado, subo pelas paredes, tenho náuseas, penso em falar meia dúzia de palavras nada bonitinhas para uma mocinha como eu.

Enquanto eu vou ao limiar da ira e volto, nada muda. Todos continuam exatamente onde estão. Ninguém sofre impeachment, ninguém é deposto, ninguém perde o mandato, ninguém é cassado. Resta-me, apenas, achar que o problema é comigo. Eu é que sou exagerada, que acho que está tudo uma mixórdia só.

Agorinha mesmo, no Jornal Nacional, vi os Senadores Almeida Lima e wellington Salgado defendendo veementemente o Renan Calheiros, que adiou para a próxima terça-feira a reunião da Mesa Diretora que vai decidir se pede ou não à Polícia Federal que faça a perícia nos documentos de Renan. Pois é, Renan toma decisões favoráveis a ele mesmo em um processo no qual ele é réu. Wellington Cabeludo Salgado ainda teve a cara-de-pau de perguntar “qual o problema em se adiar” com uma intonação de quem está abismado, espantado, indignado. Ora, Wellington Cabeludo Salgado, não tem nada demais. Ninguém tá com pressa. Muito menos o Renan, já que o recesso parlamentar começa no dia seguinte…

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Concurso Cultural

Patricia Haddad | Sat, 07 July, 2007 | 05:50 PM

Quando eu acho que já vi de tudo na tevê, eis que me deparo com algo provando que sempre será possível fazer algo mais vazio que o próprio vazio.

O programa é O Melhor do Brasil, apresentado pelo Márcio Garcia na Rede Record. O nome do quadro eu não sei, mas trata-se da tentativa de se arranjar uma namorada para o Sérgio “Glu-glu” Malandro. O dito cujo está no palco e recebe as cinco candidatas uma a uma. Elas são sabatinadas pela ex-mulher do Sérgio, Mary Malandro; pelo filho deles, Sérgio Tadeu; e pela mãe dele, Dona… bem, o nome dela eu esqueci.

Depois de perguntas do tipo “Se uma fã chegar no restaurante e agarrá-lo, o que você faz?” e respostas do tipo “Eu vou entender, afinal ele é um artista muito querido”, Sérgio Malandro teve que eliminar uma das concorrentes à vaga de namorada dele. Fez aquela firula do tempo de Matusalem, dando a entender para cada moça que ela seria a dispensada, mas dizendo ao fim que ela ficaria (provocando lágrimas entremeadas com um “obrigada, Serginho, muito obrigada!”), até sobrar de fato uma.

As quatro “finalistas” deste “concurso” voltarão na semana que vem. Se alguém quiser se aventurar…

 

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Medicamentos Excepcionais

Patricia Haddad | Tue, 03 July, 2007 | 08:18 PM

Estou há umas três horas pesquisando sobre medicamentos excepcionais, aqueles que o governo distribui gratuitamente todo mês mediante inscrição no Ministério da Saúde (não confundir com os que são dados em postos ou os que são vendidos com desconto pelo programa Farmácia Popular). Oito páginas da internet diferentes abertas e nenhum entendimento. Gostaria muito de saber quem redige estes documentos públicos, como portarias e decretos, e por que a linguagem é tão compreensível quanto a legibilidade da letra de médico.

A vontade de escrever surgiu no dia 14 de junho, quando o jornal Extra publicou uma matéria na página 19 com o título Governo corta remédios dia 30. O texto dizia que a portaria 2.577/2006 do Ministério da Saúde cortará em mais da metade a relação de remédios fornecidos de graça para doenças de alta complexidade. A lista, que atualmente tem 221 medicamentos, passaria a ter apenas 104. Infelizmente, não consigo achar o link para a matéria completa. Vou continuar procurando.

No dia seguinte, 15 de junho, o mesmo jornal Extra publicou, na página 15, uma matéria que informava que o Ministério da Saúde responsabilizava a Controladoria Geral da União pela redução na lista de remédios. O texto completo pode ser lido neste link, que não é do jornal mas que reproduz a matéria completa, e onde há também uma explicação sobre o assunto.  

Tentando encontrar a informação do corte da lista na tal portaria do Ministério da Saúde, encontrei dois outros links interessantes. O primeiro é de outra matéria do Extra sobre o assunto, publicada em 23 de abril de 2007 e que pode ser lida aqui. O outro é de um abaixo-assinado online contra a restrição de medicamentos de alto custo. Se funciona mesmo eu não sei, mas como a causa é nobre não custa ajudar. Quem quiser participar, é só clicar aqui.

O assunto é complexo e extenso. Não consegui encontrar uma informação oficial de que a lista de medicamentos seria cortada a partir do dia 30 de junho. Achei apenas a tal portaria 2.577/2006 neste link. Tomara que tudo não tenha passado de um mal entendido, porque se de fato o governo deixar de distribuir alguns (muitos) medicamentos, muita gente (leia-se brasileiros que pagam impostos) vai sofrer (se não acontecer o pior), já que a maioria dos medicamentos tem preços altíssimos que não cabem no orçamento de nenhum assalariado.

Por coincidência, justo hoje, quando decidi escrever, uma audiência pública no Senado debateu sobre o assunto. O resultado da reunião está nesta notícia da Agência Senado. Não sei se já disse isso antes, mas eu admiro muito o Senador Paulo Paim, que presidiu a audiência. Até hoje, nunca discordei de seus discursos no plenário. Sempre me pareceu muito justo e sensato. E é justamente por tudo que já o ouvi dizer, e pelas qualidades que lhe atribuo, que não entendo o que é que ele ainda faz no PT.

Volto em breve para continuar o assunto, que não pode ser esquecido.

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E o vencedor é…

Patricia Haddad | Mon, 02 July, 2007 | 09:31 PM

Globo Online 02 de julho de 2007

Como vocês podem ler na manchete acima, o ilustre presidente (presidente?) desta República (República?) quer competir com o crime no Rio. Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência sabe que, em uma competição, só há duas alternativas: ganhar ou perder. Amistosos admitem empates. Competições, não. Um ganha e outro perde. Portanto, qualquer um que entra em uma competição sabe que, ainda que remota, há a possibilidade de sair perdedor. É um risco que se assume em nome da adrenalina que toda competição causa.

Lula, pra variar, deu, novamente, uma declaração infeliz. O crime no Rio, ou em qualquer outro lugar, é algo a se combater, nunca algo com o que se competir. Ao dizer que o (des)governo quer competir com a violência que tomou conta da outrora Cidade Maravilhosa, Lula deve ter claro em sua mente (?) que está admitindo a possibilidade de derrota. O que, convenhamos, é a hipótese mais provável, considerando-se o cenário e os atores.

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