S.O.B.R.E.T.U.D.O

Sobre tudo o que vejo; sobretudo, o que me provoca…
  • Blog
  • Links
  • Arquivos
  • Auto-entrevista
  • Contato

É de chorar

Patricia Haddad | Wed, 08 August, 2007 | 10:12 PM

Texto do antropólogo Roberto DaMatta publicado na página 7 da edição de hoje de O Globo. Cliquem na imagem para ampliá-la e tornar possível a leitura. Ou, se preferirem, leiam a versão que transcrevi abaixo, e que me foi gentilmente enviada pela minha amiga Simone “Kate” Assumpção. Depois, leiam o que escrevi ao final.

Roberto DaMatta - Uma carta do filho morto

Uma carta do filho morto

Querido Papai,

Dois brutais acidentes aéreos me trazem do espaço onde vivo. É incrível que, em apenas um ano após a minha morte, um falecimento súbito agenciado pelo assassinato da Varig, pela instituição de um duopólio e pelo descalabro aéreo que se seguiu, a aviação brasileira tenha chegado a tal descontrole. O colapso ultrapassou as piores previsões, mesmo para quem está na eternidade e vive na beatitude de um tempo sem relógio. Uma existência sem rotina, exceto quando alguma alma chega ou parte para o céu, quando ouço o soluço de vossas saudades e orações, ou quando algo terrível ocorre neste vosso mundo de ambições e desejos.

Repito o lugar-comum da comunicação entre os mortos e os vivos: estou bem. Mas os primeiros tempos foram duros. Somos proibidos de olhar para vocês porque a saudade que os mortos têm dos vivos é insuportável. Só depois da conquista de um certo radicalismo espiritual, que nos cega e ensurdece tanto quanto o Lula gostaria de ficar, é que somos liberados para algum tipo de comunicação. A mais popular são os sonhos, a mais mentirosa é feita por pessoas, a mais satisfatória é a da imaginação, daí esta carta. Tudo o que aprendi se concentra numa frase.

Papai, creia-me, só o amor vence a morte. 

Entendo bem o vosso sofrimento. Sei da saudade da Rita, da Serena, da Vitória e do Jerônimo. Lamento muito não ter podido me despedir naquele 27 de julho em que fui chamado e, como um suspiro, fiz a jornada para este mundo que vocês teimam em chamar de “outro” – esse espaço pelo qual a vida não teria plenitude.

Nem os sábios entendem esse nada que todos experimentam, mas não transmitem. Esse vazio que, para alguns, revela o absurdo de viver. Esse absurdo que estabelece as crenças e acentua ainda mais a intensidade desta coisa que chamamos amor e solidariedade – isso que eu aprendi com vocês e passei aos meus, na família que constituí e não posso mais acompanhar neste mundo sem alento e com raros oásis que, por isso mesmo é vida.

Agora vejo tudo com nitidez: fui levado pelo caos aéreo. Quando chegava dos meus vôos, nos velhos e bons tempos da antiga Varig, eu dizia que a coisa estava feia. Lembra-se do dia em que falei que a morte da Varig era como ver a morte de uma pessoa? Pois é Papai, quem estava para morrer era eu e, junto comigo, todos os que abraçaram a profissão de “aviador” e não de mero piloto de empresas descuidadas daquilo que, por desilusão e conflito, arrebatou-me de vocês: o orgulho e a confiança na companhia, que – mesmo nos piores momentos da crise – tinha cuidado com a segurança da tripulação, dos passageiros e do equipamento.* Tanto que repassamos o nosso fundo de pensão para a Varig, mas este governo o seqüestrou e até hoje a Rita e as crianças nada receberam.

Não era preciso virar espírito para saber que a má vontade do governo para com a Varig, que a recusa em ajudá-la, que o apelo mentirosamente neutro ao mercado como – aí, sim – o grande agente regulador da vida brasileira, ia resultar em tragédia, colapso e paralisia. Impossível sem a malha da Varig, justo a empresa que tinha mais experiência em voar no Brasil, sustentar e atender, como mostrou o vergonhoso “apagão aéreo” a imensa demanda por vôos, aeroportos seguros, controladores, aviões e aviadores.

Pior, porém, que o apagão foi ver o sonambulismo gerencial do qual somente agora o governo parece estar despertando. Este governo que tudo sabia e prometia.Outro dia encontrei um tal do Tony Fry. Um sujeito ligado a um escritor chamado James Michener que entende tudo de pista de pouso, pois serviu na marinha dos Estados Unidos no Pacífico Sul, na década de 40. Intuindo a minha suave perplexidade, pois não tenho mais angústia, ele comentava que nós, brasileiros, não sabemos tomar decisões ou dividir responsabilidade. Na guerra do Pacífico – complementou -, os japoneses começaram vencendo, mas reagimos e, no final, construímos uma pista de pouso em três semanas! Felizmente vocês nunca entraram numa guerra, pois, se entrassem, as informações mais secretas certamente vazariam. E, até decidirem contra-atacar, a vitória seria do inimigo. Não fosse um querubim lembrar onde estávamos, eu teria quebrado a cara desse ianque abusado com uma harpa.

Papai, esses acidente são resultados de um contexto. Else comprovam que tudo o que é humano é político, mas que o político num mundo movido a lucro requer controle e eficiência. Ou seja, demanda uma política paradoxalmente voltada para a despolitização partidária e mesquinha. Só uma firme orientação política despolitizada pode deter a brutalidade das forças do mercado, colocando-o ao lado dos cidadãos-consumidores. Sem isso, vocês vão entrar na fase do assassinato estatal.

“Nenhum aviador”, dizia nossa padroeira, Nossa Senhora de Loreto outro dia, “pode comandar uma máquina tão complicadamente perfeita num ambiente de insinuações, acobertamento de falcatruas e sem bendito mea culpa”. O sistema só vai se recuperar quando ficar entendido que o político partidário, como você me ensinou, não é tudo neste mundo maravilhoso que um dia foi também meu.

Um beijo na Rita, nas crianças, irmãos, sobrinhos, cunhados, tias e na Mamãe.

Um abraço saudoso e preocupado do seu filho,

Comandante Rodrigo DaMatta. 

* Grifo meu      

* * *

Lembro bem do dia 27 de julho. Naquela tarde, assisti a uma entrevista do sempre brilhante Roberto DaMatta no programa Sem Censura, transmitido pela TVE. Roberto precisou sair mais cedo do programa, pois iria a uma missa de sétimo dia de um amigo. À noite, fiquei sabendo em uma das comunidades sobre a Varig no Orkut que o comandante Rodrigo DaMatta havia sofrido um ataque fulminante à tarde. Tinha sido informado de que, muito provavelmente, o dia seguinte seria o último na Varig para milhares de funcionários. Enquanto seu pai dava entrevista em um programa de tevê, nosso comandante sucumbiu à dor de ver a Estrela Brasileira sendo apagada sem dó nem piedade.O comandante estava certo, infelizmente. No dia seguinte, sexta-feira, 28 de julho de 2006, milhares de funcionários receberam suas demissões. Eu soube por telefone que meu setor tinha sido extinto. Como não estava lá, só fui oficialmente desligada da empresa na segunda-feira, dia 31. Terminava, ali, a minha história de 11 anos e 7 meses como funcionária, mas não a minha história de eterna Variguiana. Tenho querosene nas veias, adquirido na infância passada nos hangares.

Comments
2 Comments »
Categories
Aviação, Política
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Deu bandeira

Patricia Haddad | Mon, 06 August, 2007 | 10:15 PM

Lula foi ao México comer um burrito acompanhado de guacamole e tapas. Eu disse tapas, comida mexicana, e não vaias. Eis que, de repente, em companhia do presidente mexicano, Lula passa direto pela bandeira brasileira sem reverenciá-la. Sem graça ao ver o colega prestar sua homenagem à bandeira de seu país, Lula deu meia-volta volver e foi lá ficar de frente para nosso símbolo nacional por breves 5 décimos de segundo.

Consta que, após tal acontecimento inusitado, Lula teria explicado que não reverenciou a bandeira porque ela não era vermelha com uma estrala branca. Ao ser informado que esta seria a bandeira do PT, Lula teria dito que não sabia que o Brasil tinha outra bandeira, essa tal verde, amarela, azul e branca.

Comments
4 Comments »
Categories
Política
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Urgente

Patricia Haddad | Mon, 06 August, 2007 | 08:35 AM

Está faltando remédio para renais crônicos e pacientes transplantados no estado do Rio. Há mais de dois meses, as idas ao Iaserj, onde é feita a distribuição, têm sido em vão. As pessoas comparecem com as guias de autorização, mas voltam de mãos vazias. A solução tem sido a solidariedade entre os pacientes, que doam doses para quem já não dispõe mais dos medicamentos. No entanto, em pouco tempo ninguém mais terá os comprimidos em casa, nem para uso próprio, muito menos para doar. Devido à esta situação crítica, um grupo de transplantados está acampado desde a noite de ontem em frente ao Palácio Guanabara. Hoje de manhã, outros tantos se juntarão a eles e lá permanecerão até serem recebidos pelo governador Sérgio Cabral. Estão na rua, debaixo da garoa que cai no Rio, sob o frio da noite e desta manhã. Sabem que uma gripe, um resfriado ou qualquer outra infecção é muito perigoso para eles, mas não há outro jeito. Eles precisam de uma solução definitiva para o caso e não entendem como o governo gasta dinheiro com os transplantes, já que a maioria é custeada pelo SUS, mas não fornece o tratamento posterior.

De acordo com Roque Pereira da Silva, presidente da Associação de Movimento dos Renais Vivos e Transplantados do Estado do Rio de Janeiro (AMORVIT-RJ), a situação já é crítica há 4 anos. No entanto, piorou nos últimos meses. Apesar de serem inscritos no programa de medicamentos excepcionais do Ministério da Saúde, que custeia os remédios por meio dos SUS, estes pacientes não estão tendo seus direitos respeitados. São brasileiros, eleitores, pagadores de impostos, muitos ainda trabalhadores, mas que estão correndo sérios riscos devido à negligência dos governos federal e estadual. Os doentes crônicos, que fazem hemodiálise, podem piorar muito sem as medicações que auxiliam o tratamento na máquina. Já os transplantados podem perder o órgão que receberam por falta dos remédios anti-rejeição, que devem ser tomados nas doses e horários rigorosamente certos, e serem obrigados a voltar para as máquinas de hemodiálise.

Peço que vocês repassem esta informação para todos os seus amigos. Não se trata de pedir nenhum tipo de ajuda material ou financeira, apenas a transmissão da informação. Precisamos que o maior número de pessoas possível saiba do que está ocorrendo, saiba da omissão dos governos federal e estadual. Repassem este texto, peçam para que venham ler e que repassem a informação para outros. É preciso de alguma forma que nossos governantes saibam que há muitos brasileiros que têm duas orelhas para ouvir, mas têm também cabeça para pensar e dedo para apertar botão na urna eletrônica nas eleições. Além de um rim que precisa funcionar.

Comments
6 Comments »
Categories
Política, Saúde
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Vale a pena ler

Patricia Haddad | Sun, 05 August, 2007 | 10:36 PM

Sou uma viúva, por David Coimbra. Depois coloco reprodução da coluna impressa aqui.

Update: veja aqui a reprodução da coluna.

Comments
1 Comment »
Categories
Aviação, Varig
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Que fique registrado

Patricia Haddad | Sun, 05 August, 2007 | 10:06 PM

A imprensa vem constantemente dizendo que, segundo a caixa-preta do A320 da Tam, a manete da turbina direita, aquela que estava com o reverso travado, estava na posição errada. Penso que seria mais prudente dizer que a caixa-preta INFORMA isso, o que não significa que, de fato, a manete estivesse na posição errada. A informação repassada pelo computador à caixa-preta pode estar errada.

Comments
No Comments »
Categories
Aviação, Imprensa
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Mais do mesmo

Patricia Haddad | Sat, 04 August, 2007 | 12:15 AM

Só faltava isso. O novo presidente da Infraero é ligado ao Waldir Pires. Mais do mesmo. Oh, oh, oh, nada mudou…

Novo presidente da Infraero

Leia aqui.

Comments
1 Comment »
Categories
Aviação, Política
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Pérolas

Patricia Haddad | Sat, 04 August, 2007 | 12:12 AM

Lula diz a atletas que se recuperou das vaias

Leia aqui. É virose? Pega no ar? Quais os principais sintomas desta nova doença chamada vaias? E qual o tratamento profilático? A recuperação é rápida? Deixa sequelas? Há perigo de recaída?

* * *

Isso nós já sabemos, Lula. Nada substitui o lucro, já dizia… bem, você sabe.

* * *

“O cara diz que precisa comer o ovo, mas fica torcendo para a galinha não botar o ovo.” 

Comments
1 Comment »
Categories
Política, Pérolas
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Piada da noite

Patricia Haddad | Thu, 02 August, 2007 | 10:19 PM

Globo Online

Retirado do Globo Online. Leia tudo aqui.

Comments
5 Comments »
Categories
Aviação, Política
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Vôo JJ3054 – Uma Cena

Patricia Haddad | Thu, 02 August, 2007 | 07:57 PM

Hoje é dia de blogagem coletiva. Trata-se de um mesmo assunto sendo discutido nos mais diversos blogs. A idéia sempre parte de um blogueiro, que vai repassando o convite com o tema sobre o qual devemos escrever e a data a ser publicado. A proposta de hoje partiu de Gustavo D’Andrea, que sugeriu a postagem de uma foto sobre o acidente da Tam publicada pela imprensa e nossas impressões sobre o caso.

O que penso de todo este caos aéreo, o que penso da situação das companhias aéreas, do governo e deste acidente eu já deixei claro diversas vezes aqui. Não preciso me repetir. Vou apenas colocar a foto que julgo reunir os ingredientes que compõem a minha indignação.

Lula fala à Nação sobre o acidente da Tam

Lula em seu pronunciamento para a Nação em cadeia nacional de rádio e tevê, no dia 20 de julho de 2007, três dias após o acidente com o Airbus A320 da Tam em Congonhas. A empáfia de sempre, a suposta comoção no semblante de sempre, o Lula de sempre. Nenhum comentário sobre o escândalo envolvendo seu assessor Marco Aurélio Garcia que, àquela altura dos acontecimentos, devia dividia o espaço nos jornais com a tragédia da Tam. No entanto, tratou de enumerar resoluções óbvias e redundantes para resolver o caos aéreo, aquele cuja gravidade ele hoje disse desconhecer.

Se a bagunça generalizada que tomou conta deste país tem nome, seu nome é Lula. Se não por culpa, por responsabilidade. Se não por responsabilidade, por ser pára-raio de azar, devidamente descarregado no solo. Solo brasileiro.

Comments
3 Comments »
Categories
Aviação, Política
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

Pensei que todos os cumpanhêros estavam empregados

Patricia Haddad | Thu, 02 August, 2007 | 06:15 PM

Jobim quer criar Secretaria de Aviação

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Comments
No Comments »
Categories
Aviação, Política
Comments rss Comments rss
Trackback Trackback

  • Página 3 de 3
  •   <
  • 1
  • 2
  • 3










View blog authority

PageRank Checking Icon

Archives

Categories



rss Comments rss valid xhtml 1.1 design by jide powered by Wordpress get firefox