S.O.B.R.E.T.U.D.O

Sobre tudo o que vejo; sobretudo, o que me provoca…
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Dois anos

Patricia Haddad | Thu, 31 July, 2008 | 09:18 AM

Sexta-feira, 28 de julho de 2006. Devido à falta de coisas para fazer no trabalho, tirei uma folga. A crise da Varig já estava insustentável. Fazia uns 25 anos que não acreditava mais no Papai Noel, mas continuava apostando que o governo faria alguma coisa para evitar que a primeira tentativa de se usar a Nova Lei de Falências desse errado. Papai Noel, pelo menos, nunca me deixou na mão.

À tarde, visitando uma tia com meus pais, recebo uma ligação. Uma colega de trabalho me avisava que nosso setor tinha acabado e que eu não deveria comparecer ao meu plantão de final de semana. “Tem certeza?” Sim, ela tinha certeza. O “Patrão” em pessoa tinha feito o doce comunicado. Deveria apenas me apresentar na segunda-feira para formalizar a minha demissão. Quem estava lá na companhia naquela sexta-feira já estava sendo despedido. As próximas 48 horas duraram quase 11 anos e meio.

Segunda-feira, 31 de julho de 2006. Tremendo, chorando muito, com uma raiva e uma tristeza descomunais, assinei aquela folha de papel que me dizia que meus serviços não era mais necessários. O crachá, que por 11 anos e meio ostentei orgulhosa no peito, foi devolvido como se nunca tivesse me pertencido. Deve ter ido parar em alguma caixa, junto com os outros milhares igualmente entregues pelos meus colegas, e todos devem ter sido destruídos. Incrédula, via pela primeira vez uma verdadeira demissão em massa como jamais achei que pudesse acontecer. Por baixo, cinco mil pessoas de uma mesma empresa desempregadas de uma hora para a outra.

Os dias seguintes foram horríveis. Quem tem querosene de aviação na veia como eu sabe que não foi fácil aceitar o fim da Varig. Ninguém conseguia acreditar que a Varig, aquela empresa com quase 80 anos de tradição, aquela que era sinônimo de segurança estava chegando ao fim. Não era possível que a tal da Nova Lei de Falências estivesse dando errado. Estava. Por mais que insistam em dizer até hoje que deu certo, eu afirmo: deu errado. Quem mandou achar que este (des)governo faria mesmo alguma coisa? O Coelhinho da Páscoa, pelo menos, nunca esqueceu meu ovo de chocolate.

Na imprensa só se ouvia o governo falar que haveria uma (milagrosa) solução de mercado. As demais empresas absorveriam os passageiros e os funcionários. E assim vivemos meses de confusões nos aeroportos. O caos se instalou de tal forma que até hoje viajar de avião é motivo de insegurança. “Será que vai sair na hora?” Nunca se sabe. O setor se degringolou para, provavelmente, nunca mais voltar ao que era. As congêneres, em particular as duas maiores – Tam e Gol – não deram conta do recado.

Para piorar, em 29 de setembro daquele ano um avião da Gol foi atingido por um Legacy. O boeing caiu, matando 154 pessoas. O jatinho aterrissou momentos depois com pequenas avarias na asa. Até hoje não há uma resposta definitiva sobre o caso, não se sabe o quê exatamente provocou a tragédia. O que se sabe, que veio à tona com este acidente, é que nosso controle aéreo está defasado, que nossos controladores são praticamente analfabetos em inglês, que há uma grande área de sombra na região da Amazônia e que a posição do transponder nos Legacys não é a mais apropriada. Os pilotos americanos continuam sendo os algozes. Mais fácil culpar os yankees, né?

A aviação brasileira continuou decaindo. O que um dia foi motivo de orgulho para todos os brasileiros agora era motivo de chacota. Tudo dava errado. Não houve ninguém que conseguisse atender à solicitação do respeitabilíssimo presidente desta república, que queria “prazo, dia e hora” para o fim do caos nos aeroportos. Não era para menos. A experiência de quase 80 anos tinha sido descartada, jogada no lixo como se não prestasse, como se não valesse nada.

Como se uma tragédia não tivesse sido suficiente para se aprender alguma lição, um avião da Tam pousa, não consegue parar e se choca contra um prédio da própria empresa. Quem seriam os culpados? Os pilotos, claro! Imagina se este (des)governo tem alguma responsabilidade! Claro que não. Ninguém inspeciona nada, ninguém controla nada, ninguém se importa de a pista de Congonhas é curta demais para suportar um Airbus lotado em dia de chuva. Segue-se uma palhaçada generalizada, CPI aqui, CPI ali, Anac lá, Infraero acolá, Tam em lugar algum, mas, enquanto isso, culpa-se os pilotos. Voltarão para se defender?
Os ex-funcionários seguiam desempregados e sem receber seus direitos trabalhistas. Seriam absorvidos pelo mercado, tinha vaticinado o (des)governo. Não é preciso muita inteligência para saber que se Lula prometeu, não era para acreditar. Mas o pior mesmo foi ver o (des)governo do Partido dos Trabalhadores deixar tantos trabalhadores na mão. Até hoje não representamos absolutamente nada para aquele senhor que se apoderou do planalto central. O ilustríssimo só se interessa por aquilo que pode ser re$olvido com uma bol$a e$mola qualquer. Não é o nosso caso.

Lá se vão dois anos. Muitas pessoas tentam refazer suas vidas de outras maneiras. Nem todos conseguem. Quem passou da barreira dos 40 está penando para conseguir uma oportunidade nesta terra onde quem se orgulha de ser semi-analfabeto chega à presidência da república, enquanto é preciso ter o segundo grau completo e disputar com gente com diploma universitário para varrer rua. Nestes dois anos vi o MST pintar e bordar com a anuência do ex-sindicalista. Vi outras tantas coisas já narradas neste blog. E tive cada vez mais certeza de que nunca antes na história deste país tivemos tanto cinismo e cara-de-pau a serviço de meia-dúzia de barbudos hipócritas, verdadeiros ditadores civis.

Por agora, chega. E olha que nem citei os aposentados do Aerus. Por isso mesmo, aviso que este texto poderá sofrer modificações ao longo do dia. Todas serão identificadas.

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Efraim falou!

Patricia Haddad | Sat, 26 July, 2008 | 10:56 PM

Conforme prometido, Efraim Morais divulgou nota na tarde desta sexta-feira sobre o episódio do contrato de publicidade entre o Senado e uma empresa de comunicação da Paraíba. O assunto foi amplamente discutido em vários blogs e sites, o que levou o Senado a modificar a página que exibia os dados do contrato e, posteiormente, mudar o próprio endereço da página. Tudo isso em menos de 24 horas após a divulgação do caso no Contraditorium.

No segundo parágrafo, o primeiro-secretário de senado diz que vários veículos andaram divulgando os valores erroneamente. Quem não está por dentro do caso acredita que a imprensa é realmente a grande vilã da história. Inventaram um montante diferente, muito maior, e tascaram nos jornais. Apenas no último parágrafo Efraim Morais faz uma breve referência ao (segundo ele) erro de digitação.

Não bastasse o texto tendencioso, no terceiro parágrafo o senador tem o displante de informar que o contrato não se limita à exibição do banner – na verdade, um mero gif animado pequenininho. Segundo o ilustre parlamentar, o acordo também envolve a divulgação de matérias de interesse nacional e regional, com chamadas na primeira página. Óóó!

Não somos tolos, senhor Efraim Morais. Qualquer um pode divulgar em seus blogs, até mesmo nos gratuitos, as notícias da Agência Senado. Basta citar a fonte. Portanto, não venha nos dizer que o site paraiba ponto com ponto br (não vou linkar para eles de graça!) precisa receber R$4.000,00 para fazer essa “gentileza”. Além do mais, o Senado não é um negócio, não é um estabelecimento comercial que necessita de publicidade, inclusive com comprovação do número de cliques. Isso é abuso, é dinheiro público jogado fora, ou melhor, dinheiro público usado com finalidades escusas.

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Desrespeito com profissionais

Patricia Haddad | Fri, 25 July, 2008 | 08:21 PM

Vira e mexe vejo os dubladores fazendo campanhas de incentivo à dublagem, reclamando que não são respeitados, reivindicando o reconhecimento da profissão. Eu sempre os apoiei. Acho uma arte muito bacana e até necessária. Muita gente torce a cara para filmes que não têm o som original. Para mim, no entanto, todos os filmes exibidos nos cinemas deveriam ter versões dubladas. Assim, pessoas que não falam inglês e têm dificuldades para ler legendas poderiam assisti-los sem problemas. 

Eis que hoje eu estava lendo a revista Programa, encartada no Jornal do Brasil, quando vejo a crítica do Rubens Lima Jr. sobre o filme Space Chimps – Micos no Espaço. Não bastasse todos os problemas técnicos da fraca animação, a versão brasileira conseguiu ficar ainda pior. A dublagem de dois dos principais personagens foi feita por Priscila e Yudi, dupla infantil que apresenta o programa Bom Dia & Cia no SBT. Segundo o crítico, nenhum dos dois tem a menor intimidade com a arte de interpretar.

Os dubladores não têm nada a ver com isso. São vítimas. A culpa é dos diretores de dublagem, dos estúdios, que teimam em colocar pseudo-astros em uma função que exige técnica apurada e talento. Fazem tudo para colocar nomes famosos (famosos?) nos cartazes, esquecendo-se da qualidade do produto final. Isto é um desrespeito, um insulto aos verdadeiros profissionais que fazem da dublagem brasileira uma das melhores do mundo.

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Vou querer um contrato também!

Patricia Haddad | Fri, 25 July, 2008 | 04:38 PM

O caso do banner do Senado foi notícia hoje na rádio CBN. A repórter falou sobre os contratos assinados sem licitação pelo senador Efraim Morais, primeiro-secretário da casa. Os convênios com sites da Paraíba, estado onde Efraim nasceu, são para a divulgação de um selo que, ao ser clicado, leva à página do Senado.

Sobre a falta de licitação, é preciso esclarecer que a mesma é dispensada quando a concorrência é inviável, como no caso de alguns trabalhos artísticos ou quando o serviço é exclusivo de determinada empresa. Acontece que os sites agraciados com o generoso contrato de R$48 mil não são únicos em suas áreas. Além disso, um deles pertence a uma empresa que também é responsável pela página pessoal do próprio Efraim Morais! Ó!

A assessoria de comunicação do senador informou que vai divulgar uma nota esta tarde. Mas que ninguém espere nada arrebatador. A nota deverá apenas explicar valores desses contratos que teriam sido divulgados de maneira errada em veículos de comunicação. Ou seja: aquele cache do Google dizendo que o contrato era mensal e cujo conteúdo integral eu baixei para meu computador é invenção da mídia. Só faltou dizer que foi tudo obra do PIG, Partido da Imprensa Golpista (viva PHA!).

Sobre a “coincidência” de os beneficiados serem todos da Paraíba, a assessoria de Efraim disse apenas que o senado pode assinar esses contratos com qualquer empresa que apresentar proposta. Estamos esperando o quê para abocanhar um contratinho merreca de R$48 mil, mesmo que anuais? 

* * *

P.S. 1: entre os brilhantes projetos de Efraim estão a criação do Dia do Sanfoneiro e de 97 cargos com salários de quase R$10 mil sem concurso público.

P.S. 2: o site do Efraim é tão bem gerenciado que na área de outras notícias a última atualização foi em 9 de abril.

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Inveja é um caso sério!

Patricia Haddad | Thu, 24 July, 2008 | 11:59 AM

Definitivamente, há algo de muito estranho no cibermundo. Desde o início da semana, diversas coisas vêm acontecendo, deixando os usuários com a pulga atrás da orelha. O problema mais greve aconteceu com o Orkut, onde vários perfis desapareceram para, milagrosamente, reaparecerem 2 dias depois.

Todo o oba-oba e a comoção gerados por conta da falha na rede social mais utilizada no Brasil parece ter despertado a inveja de outra ferramenta também bastante popular: o Twitter. Ontem o site ficou em manutenção um bom tempo. Hoje, os usuários se depararam com a queda brutal no número de seguidores (followers) e seguidos (batizados por mim de followeds). Baleiou geral!

Comecei a perceber que havia algo errado devido ao silêncio da twittosfera. Apenas as mensagens de um único usuário apareciam para mim em um horário onde já estava acostumada a ler mais uns 4 ou 5. Eis que percebo uma mensagenzinha pequenininha no site indicando a leitura deste post. Não sei se pelo tamanho do aviso ou se pela falta de costume mesmo do povo de ler informações, em pouco tempo centenas de pessoas se faziam a mesma pergunta: “o que está acontecendo com o Twitter?”

Resolvi não esperar pela solução do problema. Como os avatares ainda apareciam na coluna da direita, abri perfil por perfil e tratei de dar follow novamente em quase dois terços. Cansativo. Ainda bem que eram poucos. Resta agora esperar que os quase 40 seguidores que perdi tenham a mesma idéia.

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Tá ficando sério…

Patricia Haddad | Wed, 23 July, 2008 | 08:27 PM

Desde o início da semana os usuários de internet vêm encontrando dificuldades nos mais variados sites. O caso do Orkut tomou conta de blogs e versões online de jornais e revistas. Algumas pessoas reportaram que o YouTube também ficou fora do ar. O Twitter ficou baleiando, baleiando… até que, agora, também está em manutenção.

Twitter em manutenção

Veja a imagem original aqui.

É alguma espécie de complô?

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Era melhor ter ficado calado

Patricia Haddad | Tue, 22 July, 2008 | 09:07 PM

Foi lançado hoje no Rio o Projeto Orla Digital. Agora, qualquer pessoa pode acessar a internet na praia de Copacabana, usando um notebook ou laptop que tenha placa para conexão sem fio. Era realmente tudo o que nós precisávamos: mandar emails ou entrar no Orkut enquanto torramos no sol.

Durante a cerimônia de inauguração de tão necessário empreendimento, o (des)governador deste estado, Sérgio Cabral, informou que o policiamento em Copacabana será reforçado a fim de que o carioca possa levar seu computador portátil para a praia sem medo de assaltos.

Não satisfeito em ter nos afrontado com a declaração acima, Serginho foi além. Disse o recém-adepto do ciclismo: “Não é um luxo você tomar uma água de coco acessando a internet na Avenida Copacabana?”

Olha, Cabral, luxo mesmo hoje em dia é a gente sair e conseguir voltar para casa são e salvo. Você devia sentir vergonha de anunciar o reforço do policiamento na orla só para garantir a segurança de meia dúzia de equipamentos, enquanto o restante da população está abandonada à própria sorte.

Nestas horas, cabe “aquela” pergunta: “Que cidade é essa?”

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O dia que o mundo acabou

Patricia Haddad | Tue, 22 July, 2008 | 08:20 AM

Foi ontem, dia 21 de julho, que o mundo acabou. Não para todo mundo, é verdade, mas para um bocado de gente ontem foi qualquer coisa muito próxima do apocalipse. Sem direito a trombetas soando.

Simplificando e traduzindo para os não-nerds: o Orkut quase subiu no telhado nesta segunda-feira. Começou apresentando uns bugs esquisitérrimos até que entrou em manutenção por um bom par de horas, fato que não acontecia há muito tempo. De acordo com informações disponíveis em diversos blogs, quando um novo usuário se inscrevia seu perfil era criado “por cima” de outro já existente. Até o criador do Orkut teve seu perfil atingido pelo problema. O curioso nisso tudo é que enquanto a blogosfera repercutiu o assunto em tempo recorde, a última postagem no blog oficial do Orkut neste momento é do dia 15 de julho.

Não bastasse o quase-fim do Orkut, outros sites também apresentaram problemas técnicos nesta mesma segunda-feira. O Twitter, por exemplo, baleiou* mais do que de costume. Posts sumiram e a página travou o dia inteiro, diversas vezes. Há rumores (que eu não consegui confirmar) de que o YouTube também tenha entrado em manutenção inesperadamente. E a própria conexão com a internet esteve lenta para muitos usuários em todo o país. O resultado foi que muita gente simplesmente não sabia mais o que fazer da vida sem as ferramentas essencialmente vitais para um ser tecnológico.  

Sei não, mas acho que teve gente querendo azeREdar a internet…

*baleiar é um novo verbo criado pelos usuários do Twitter, cujo símbolo é uma simpática baleia. Quando o site não agüenta os milhares de acessos simultâneos, a imagem de uma beleia tentando ser carregada por passarinhos aparece junto com a informação de que o Twitter estourou sua capacidade. Não precisou muito para se inventar que quando uma coisa está dando errado ou não está funcionando apropriadamente, ela está “baleiando”…

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Nunca antes na história deste país

Patricia Haddad | Sat, 19 July, 2008 | 12:47 AM
Blogagem Coletiva sobre Política

Blogagem Coletiva sobre Política

Sabe… eu estou convencida de que… nunca antes na história deste país eu vi tanto escândalo envolvendo o governo acontecendo. Chega a ser difícil enumerar tudo aqui. Como hoje é dia de blogagem coletiva sobre política, talvez reunindo todos os textos que estão sendo produzidos possamos ter um apanhado de tudo o que anda nos angustiando, enraivecendo, envergonhando.

Tivemos o mensalão do Roberto Jefferson, que nos garantiu excelentes tardes na Tv Senado e só. Punição mesmo para os envolvidos eu não vi. Marcos Valério criou cabelo, Zé Dirceu fingiu ter se retirado da vida política (hahaha!), Lula disse que nunca soube de nada.

Tivemos a demissão em massa de funcionários da Varig em julho de 2006. O governo disse que haveria solução de mercado. Passageiros e trabalhadores seriam absorvidos pelas outras companhias. O que se viu em seguida foi um caos inimaginável em todo o país, com pessoas dormindo dias nos saguões, crianças viajando sozinhas para o destino errado e por aí vai. Os demitidos da Varig? Ah! Muitos continuam até hoje DESEMPREGADOS e os aposentados ficaram sem suas complementações de aposentadoria porque a Secretaria de Previdência Complementar do governo foi NEGLIGENTE e colocou o Aerus sob intervenção.

Tivemos o acidente envolvendo um Boeing da Gol e um Legacy. Os pilotos, americanos, estão sendo considerados os culpados. Afinal, nada como ter yankees como bodes expiatórios. A imprensa brasileira ignorou um comunicado da FAA, espécie de Anac americana, sobre a posição do transponder nos equipamentos da Embraer. Para entender a gravidade do assunto, recomendo a leitura do post Onde é que você coloca os seus pés? 

O caos continuou, outros escândalos dos quais não me recordo aconteceram e quando a gente achava que não poderia haver outra tragédia… 17 de junho de 2007. Um airbus modelo A320 da Tam pousa em Congonhas com um reverso travado, não responde a comandos dos pilotos, não desacelera, vara a pista, atravessa a avenida em frente ao aeroporto e se choca com um prédio da Tam Express. De lá para cá, os mais variados absurdos já foram falados, as mais surreais hipóteses foram levantadas, mas responsabilizar a Tam e o governo que é bom, nada! Sim, o governo é responsável por esse acidente e se quiserem saber porque penso assim, sugiro uma busca no blog pelos textos em que falo do assunto. O mesmo vale para o que penso sobre a Tam.

Não sei se antes ou depois disso tivemos o caso da tapioca. Descobriu-se que o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, pagou uma unidade da referida iguaria com o cartão de crédito corporativo do governo. O preço? Pouco mais de R$8,00. Depois de ocupar as capas dos jornais por alguns dias, o assunto começou a ser ridicularizado pelos xiitas que denfendem este (des)governo. ora, ora! Os brasileiros estão indignados com meros R$8,00! Parece mesquinharia, né? Mas não é. Pombas, será que ninguém percebe o absurdo que é um ministro de estado precisar pagar um reles café da manhã de menos de dez reais com cartão de crédito? É ridículo! Fosse ele um trabalhador comum eu teria pena. “Coitado, não tem dinheiro vivo para comer e recorreu ao dinheiro de plástico”.

Recentemente, o caso da venda da Varig e da VarigLog veio à tona. O que para muitos foi motivo de espanto, para os ex-funcionários e aposentados foi uma espécie de “mais do mesmo”. A força que o planalto fez para acabar com a Varig nunca foi segredo para quem estava lá dentro. A operação conjunta (code-share) entre a Varig e a Tam, determinada pelo governo, foi uma tremenda retroescavadeira. Abriu ainda mais o buraco em que estava a Pioneira, aumentando o “montinho” da empresa vermelha-da-cor-do-PT. O aproveitamento e a rentabilidade dos vôos compartilhados era de dar raiva. E não se podia fazer nada.

Para abafar o caso Varig, que de fato atingiu este (des)governo, nada como um outro escãndalo. Desta vez, onze, eu disse ONZE integrantes do Exército entregaram 3 rapazes a traficantes de um morro rival. Pronto. Houve uma procissão de políticos no Morro da Providência. Todos foram pedir desculpas às famílias dos mortos. Imediatamente falou-se em uma indenização. O Exército – leia-se a INSTITUIÇÃO INTEIRA – foi execrado, atacado, humilhado em cadeia nacional. Os verdadeiros assassinos? Ah, sobre esses ninguém mais falou não.

Entra em cena uma nova tragédia. Daniel Duque, de 18 anos, é morto por um policial pago pelo estado para fazer a segurança de uma promotora de justiça. No entanto, esse PM estava acompanhando o filho dela em uma boate. Ora, minha gente, o menininho precisa se divertir! Precisa viver! Precisa ficar até às 5 da manhã em uma boate bebendo todas, escoltado por um servidor público! Quem mandou a gente ter profissões menos arriscadas que não dão direito a segurança particular? Se bem que há controvérsias sobre essa questão de profissão de risco. Hoje em dia, o simples ato de sair pelas ruas já é um perigo, pelo menos no Rio. Jornalistas de O Dia foram torturados e, que eu saiba, não teve político indo pedir perdão a eles.  

Passamos a achar a cada semana que já tínhamos visto de tudo. Nada faltava acontecer. Ledo engano. Policiais inocentes, que devem escrever cartinhas para o Papai Noel, acreditaram que os bandidos que perseguiam tinham gentilmente parado o carro à espera dos senhores da lei. Estes, no entanto, não cogitaram uma possível rendição. Metralharam o veículo. De dentro dele, uma mãe desesperada joga a bolsa do filho de 9 meses para chamar a atenção. Não adiantou. Ao final de 17 tiros seu outro filho, João Roberto, de apenas 3 anos, estava à beira da morte. Foram apenas mais dois dias até que o menino não resistiu. Câmeras de segurança registraram a ação. Ainda assim, os covardes insistiram em dizer que houve um tiroteio. É de dar nojo.

Segue-se uma semana de reportagens sobre o papel da polícia, seu modo de agir, seus métodos. Uma semana. E a cena se repete. Policiais vêem um marginal abordando um motorista e entrando no carro. Inicia-se uma perseguição. Sabiam que dentro havia, no mínimo, o assaltante E a vítima. Em poucos minutos a ação acaba. O saldo final foi um carro metralhado e o administrador Luis Carlos Soares da Costa ferido mortalmente. Uma equipe do SBT estava na área e gravou o final da ação. A vítima foi puxada do carro como NÃO se puxa um animal. Os policiais afirmam que foram injustamente alvejados e que apenas revidaram. Todos acham que agiram certo.

É bom lembrar que não houve procissão de políticos para pedir perdão aos jornalistas de O Dia, à família de Daniel Duque, de João Roberto, de Luis Carlos. Falta de tempo. Lula teve que ir comer uns sushis com o pessoal do G8 lá em Tóquio. Cabral tem se dedicado ao hobby de andar de bicicleta em parquinhos por aí. Realmente, os afazeres são muitos. Não sobra tempo para essas questões menores.

Permeando todos os acontecimentos descritos acima, tivemos as diversas invasões do MST, que jamais foram citadas pelo presidente Lula. O ilustríssimo presidente desta república não abriu a boca para falar um ai sobre as destruições provocadas pelo “movimento social”. Tivemos também as convenientes descobertas de poços de petróleo pela Petrobrás. Somos quase um oriente médio já, causando inveja à Opep. Aguarde o próximo escândalo e descubra onde está nossa nova reserva de ouro negro. 

Ah! Claro! Não podemos esquecer do projeto do Azeredo, tema de outras postagens mais extensas aqui e em outros blogs . E o que dizer da palhaçada do prende-solta-prende-solta do Daniel Dantas, patrocinada pelo Gilmar Mendes? Para terminar este post, que acabou falando de tudo menos de censura, tivemos na quinta-feira mais uma atuação patética do governador deste estado. Após a morte de dois policiais, metralhados dentro de uma viatura no Leblon, Cabral se perguntou em tom indignado que cidade é esta. Ora, governador, somos nós que lhe fazemos esta pergunta! Ao senhor, cabe tão somente dar a resposta.

* * *

Caso encontrem algum erro de digitação, favor reportar nos comentários. O texto foi escrito de madrugada e não foi revisado. Grata!

O último parágrafo deste texto sofreu leves alterações na manhã de sábado, 19/07/2008, desmenbrando-se em dois.

Este post faz parte da blogagem coletiva sobre política promovida pelo blog Xô Censura. A lista atualizada dos particiapntes pode ser conferida aqui.

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JJ3054 – Um ano depois

Patricia Haddad | Thu, 17 July, 2008 | 10:22 PM

Breve retrospectiva baseada em matérias do jornal Folha de São Paulo:

- em 06/08/2007: Jobim confirma que trocará todo o comando da Infraero. O então presidente da estatal, José Carlos Pereira, foi demitido. Mudou alguma coisa?

- em 07/08/2007: “Temos de agir rápido e em curto prazo”, diz Jobim. Segundo o texto, o ministro da Defesa alertou que era necessário agir com rapidez para encontrar soluções para a crise aérea. Os aviões continuaram atrasando, incidentes continuaram acontecendo aos montes e até hoje ainda tem gente que faz piada quando seu vôo sai no horário. Sinal de que a crise não foi tão rapidamente solucionada. Ainda neste mesmo dia, a Folha trouxe a matéria Zuanazzi classifica denúncia contra diretora da Anac como “bobagem”, onde o então presidente da Anac sai em defesa da então diretora Denise Abreu. Recentemente, Zuanazzi esteve no Senado respondendo às críticas de Denise. Ao lado de Leur Lomanto e João Ilídio, Zuzu só não chamou Denise de feia. Do resto…

- em 09/08/2007: Relator pode isentar pista de Congonhas em acidente com vôo da Tam. Com tantos outros fatores agravantes, como o reverso pinado, as “otoridades” deste país ficaram dias, se não meses, discutindo o grooving da pista. Patético. No mesmo dia: Não houve falha mecânica em avião acidentado, diz Airbus. Em menos de um mês, a fabricante do A320 afirmou que não houve problemas com a aeronave. E mais: disse que os dados das caixas-pretas mostravam que freios, spoilers e o reverso tinham funcionado normalmente. Ora, um dos reversos a gente já sabia que estava pinado. E agora, com o áudio dos pilotos divulgado, ouvimos claramente um deles dizer “spoilers nada”.

(Este post está em construção. Volte amanhã para ler o restante.)

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