Gol contra novamente – volta
Patricia Haddad | Tue, 28 October, 2008 | 03:20 PMAprendam uma coisa: uma empresa nunca é tão ruim a ponto de não poder piorar. Esta foi a lição que a Gol me ensinou no último sábado. Quando pensei que todo o mal atendimento da manhã tinha sido suficiente, a tal da Linhas Aéreas Inteligentes me mostrou que sempre há espaço para mais: mais desorganização, mais informação errada, mais falta de educação, mais falta de respeito com os passageiros.
Chegamos cedo em Congonhas para voltar para o Rio. Escaldada, resolvi ir à loja da Gol conferir se estava tudo certinho. A funcionária, que depois soube chamar-se Patrícia,conferiu tudo e nos ofereceu a antecipação do nosso vôo para o das 20h10. Eram 19h50. Seguimos direto para o check-in em frente e informei à funcionária de lá que queria antecipar minha viagem, originalmente marcada para 21h50, para o próximo vôo. A moça me disse que não havia o tal vôo de 20h10. “Como não?“, perguntei. “Sua colega ali da loja é que acabou de me oferecer este vôo!”
Primeiro, a mocinha quis saber exatamente quem tinha me oferecido o vôo mais cedo. Depois, cochichou com o colega do lado que a funcionária da loja tinha passado informações erradas novamente. Isso, claro, em tom de deboche da atendente que, não custa lembrar, é colega de trabalho dela. Insisti e ela me disse “Senhora, a malha hoje é reduzida!” Ok, entendi. Durante a semana tem muito mais vôos do que aos sábados e domingos. A questão era que uma funcionária tinha me oferecido um vôo que, suponho eu, tinha aparecido para ela no computador.
A mocinha do check-in começou a dar os primeiros sinais de irritação. Eu também não estava lá muito tranqüila. Afinal, era mais um problema sendo causado pela Gol. Nessas horas, pouco importa o funcionário: é a empresa que fica mal na história. A funcionária insistia em me dizer que a malha era reduzida e chegou a me mostrar uma espécie de planilha. “O próximo vôo é o seu, o que já está marcado.” Ok, a menina da loja tinha errado, então. Ao mesmo tempo, sem que eu percebesse, ela fez nosso atendimento para o vôo que tínhamos reservado, o das 21h50.
Um detalhe: tínhamos visto duas pessoas conhecidas no check-in quando nos dirigíamos para a loja da Gol. Enquanto éramos (mal) atendidas, comentei com a Cíntia: “É, acho que o Beto e o Fábio vão no mesmo vôo que a gente. Pensei que íam mais cedo, mas se não tem vôo, vão com a gente.” Ninguém me retrucou.Saímos do check-in e, claro, voltamos à loja.
- Querida, acho que você se enganou. Não há vôo às 20h10.
- Claro que há, senhora. Eu não iria lhe oferecer um vôo que não existe. Não deve ter dado tempo porque já está em cima da hora.
Cíntia respondeu por mim que não tínhamos pego fila. O sangue me subiu, as bochechas ficaram vermelhas. Respirei fundo e mandei:
- Sua colega me disse que não existe o vôo e que a malha é reduzida. Não me falou nada sobre não dar mais tempo. Disse que não há vôo às 20h10, que o próximo é o que eu já tenho marcado, repetiu que hoje a malha é reduzida e completou que você me deu informação errada. Até comentou isso com o rapaz ao lado.
Lá fomos nós três para o check-in. Foi então que a já nada simpática funcionária de lá ficou ainda mais antipática. Negou que tivesse me dito o que disse. Afirmou que a informação que tinha me passado era de que não dava mais tempo.
- Eu não sou maluca, eu não estava sozinha, eu escutei tudo muito bem. Você afirmou que o vôo não existia. Em nenhum momento você me disse que o atendimento estava encerrado! – esbravejei, empregando o jargão normalmente utilizado nesta situação.
A esta altura, a tal mocinha não olhava mais para mim. Repeti em alto e bom som tudo o que tinha se passado. Os passageiros na fila ouviam de olhos arregalados. Até que a mui educada funcionária me faz uma cara de desdém, vira para a passageira em sua frente e começa a atendê-la, ignorando-me.
- Isso não é jeito de tratar seus clientes! Não é assim que se trata os passageiros! Que absurdo! Como é o seu nome?
- RENATA!, berrou ela quase esfregando o crachá na minha cara. Não, não é um exagero meu. Ela realmente puxou o crachá em direção ao meu rosto.
A raiva que eu senti na hora é impossível de ser transcrita aqui. A aviação brasileira foi mesmo para o brejo, para o fundo do poço, para as cucuias. Conseguiram acabar com tudo. Conseguiram acabar com a Varig e o que sobrou faz um serviço porco. Sei que não posso generalizar, mas esse é um preço que, infelizmente, quem trabalha direito vai pagar. A aviação de modo geral vai muito mal, obrigada, e os bons funcionários somem da vista. Que me perdoem os amigos queridos que tenho que são na aviação. Vocês sabem que isso não é com vocês.
Estão achando que acabou? Tem a parte final.
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