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Manhãs Digitais #1

Patricia Haddad | Wed, 26 November, 2008 | 10:31 PM

Aos poucos, o Rio de Janeiro vai ganhando mais e mais eventos extremamente úteis e interessantes para quem lida com comunicação, tecnologia e web. Já tivemos três Descolagens este ano, tivemos um BlogCampRJ, no próximo sábado teremos o 1º Encontro de TI e hoje foi a vez da primeira edição do Manhãs Digitais, realizado pela Simplesmente em parceria com a AmCham. O tema deste encontro foi Web 2.0 – Novas perspectivas para as organizações.

O primeiro a falar foi o Nino Carvalho. Segundo ele, a internet deu um poder aos clientes que ninguém jamais imaginou. Isso é verdade. Aquela história de que uma pessoa insatisfeita fala mal de determinado produto ou serviço para dez pessoas foi potencializada com a rede. Em questão de minutos espalhamos nossas críticas por email, no Orkut, no Twitter, no blog e pronto: o mundo fica sabendo do caso com todos os detalhes. A grande questão, como bem lembrou o Nino, é que estas empresas, incluindo as grandes, ainda não estão preparadas para lidar com essa avalanche de informações geradas pelos clientes. E ele ainda arriscou uma previsão: quem não souber usar a internet para dialogar com seu público não vai resistir por mais que cinco anos. Esperemos por 2014!

Um outro ponto interessante citado pelo Nino é que o novo consumidor é mais malandro e não clica em anúncios tão facilmente quanto antes. Por isso, é cada vez mais necessário pensar em ações de marketing diferenciadas, que atinjam as pessoas por outros meios, como os vídeos virais e os posts no Twitter. Outra verdade para mim. Foi-se o tempo em que eu clicava em algum daqueles anúncios do Google (AdSense). Os pop-ups (chatos p’ra caramba!) que aparecem em alguns sites também (OGlobo, Uol) são solenemente ignorados. Mas ainda não estou imune a outras formas de propaganda. Portanto, fica a dica para as empresas que queiram me vender produtos ou conceitos: sejam criativos e me surpreendam!

Com toda essa diversidade, tanto de formas de comunicação como de perfis do público-alvo, surge um problema: como criar relacionamentos sólidos neste novo mundo? Não é fácil. Eu acredito que o primeiro passo seja entender que hoje em dia o importante não é atingir números estratosféricos de clientes, mas aquelas 100 ou 150 pessoas que são de fato relevantes para o negócio. A empresa que focar nos perfis realmente importantes terá mais chances de acertar e de conquistar a fidelidade de seus consumidores.

A segunda palestrante foi Vanessa Nunes. De outro jeito, e de forma bem humorada, ela tocou novamente naquela questão do poder que a internet deu às pessoas hoje. Antigamente, quais as ferramentas que tínhamos? Carta, telefone. Hoje, criamos blogs e comunidades em redes de relacionamento para demonstrar nossa insatisfação. Já existe até mesmo site especializado em registrar reclamações: o Reclame Aqui. E como tudo isso está sendo indexado, é cada vez mais provável que uma simples busca no Google retorne resultados negativos sobre a empresa antes mesmo do site oficial.

Por último, tivemos o Carlos Nepomuceno. Logo no início, uma frase marcante: “Se tudo muda, nada muda.” Para Nepomuceno, os seres humanos sempre viveram eras de conhecimento porque isso sempre foi uma necessidade. Quando deixamos de viver em silêncio e passamos a grunhir, percebemos que era preciso evoluir e assim começamos a falar. Com o passar do tempo, as palavras já eram muitas e surgiu a necessidade de anotá-las, o que nos levou em direção à escrita. Assim passamos de uma época de escassez de informação para tempos de abundância. E é somente entendendo todo este processo e tendo uma visão histórica que vamos conseguir entender de fato a internet e saber o que mudará na sociedade em sua função e o que permanecerá igual.

A lição que fica é que nós temos que nos adaptar ao novo ambiente de conhecimento. Ou pegamos esse trem ou vamos ficar parados no tempo e no espaço. Estamos passando por uma revolução semelhante à de 1450, quando Gutemberg inventou a imprensa. Quem não conseguir entender isso vai ficar para trás. Tudo bem, nem todo mundo tem que estar na frente. No entanto, é preciso ter uma coisa muito clara na cabeça: quem não quiser caminhar junto com esta nova era, não atrapalhe o caminho daqueles que querem encabeçar a fila, que querem verdadeiramente escrever a história daqui para a frente.

* * *

Esqueci de levar a câmera para fazer fotos, mas o Nepomuceno me encarregou de usar a dele. Assim que elas estiverem no ar coloco links aqui. As fotos que fiz com a câmera do Nepomuceno estão aqui.

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AmCham, carlos Nepomuceno, conhecimento, Internet, Manhãs Digitais, Nino Carvalho, Simplesmente, Vanessa Nunes
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Descolagem #3

Patricia Haddad | Tue, 25 November, 2008 | 12:17 PM

No último sábado tivemos a terceira edição do Descolagem, a última deste ano, com o tema Tecnologia e Educação: uma nova escola para um novo aluno. Já falei aqui outras vezes sobre o quão fantástico é este evento, realizado no Nave pelo Beto Largman em parceria com o Oi Futuro e a Secretaria de Estado de Cultura. Este, no entanto, talvez tenha sido o que mais me fez pensar durante e depois do evento.

A primeira palestrante foi Patrícia Konder, diretora pedagógica da Escola Parque, no Rio de Janeiro. Eu diria que, de todos, ela foi a mais tradicional, apesar de mostrar que está preocupada em mudar os conceitos sobre educação que temos hoje em dia. Para a diretora, essa mudança passa até mesmo pelo espaço físico onde alunos aprendem com professores. Não há mais lugar, segundo Patrícia, para aulas apenas expositivas. Concordo com ela. Para mim, aquele famoso cuspe e giz precisa ser banido com urgência. Entra ano, sai ano, milhares de novas tecnologias surgem e a escola, de modo geral, permanece igual: professores que se acham os donos da verdade, detentores de todo o conhecimento do universo, e alunos sentados, imóveis, tentando decorar fórmulas e conceitos. Não dá mais. É preciso se reinventar. A questão é que toda e qualquer transformação necessária – e inevitável – é, também, muito difícil. Mudar toda uma forma de pensamento arraigada há anos é tarefa para quem realmente acredita em algo melhor e está disposto a escrever a história daqui para frente.

Em seguida, tivemos a apresentação de Paulo Blikstein, professor em Stanford na área de novas tecnologias para educação. Paulo tem um trabalho belíssimo voltado para populações de baixa renda e que mistura arte com tecnologia. No telão, ele exibiu alguns destes trabalhos e eu confesso que me emocionei com os resultados que vi. Ali, no Descolagem, Paulo falou do pensamento computacional e fez uma experiência com a participação do público. Primeiro, com a ajuda do Largman, desenhou um círculo em um quadro, improvisando um compasso com duas canetas e um pedaço de barbante. Pediu, então, que alguém da platéia calculasse a área, utilizando a conhecida fórmula Pi R2 Depois, fez disparos aleatórios de balas de tinta contra o tal quadro, usando uma arma de paintball. Em seguida, solicitou a três participantes que fizessem um determinado número de pontos, também aleatórios, no mesmo quadro, usando giz e canetas. No final, Paulo contou o total de pontos feitos, quantos estavam dentro do círculo desenhado e, com uma regra de três mostrou que daquela forma era possível achar a área do círculo ou de qualquer outra forma geométrica. O pensamento computacional transforma as coisas complicadas em tarefas mais simples. E com aquilo que parecia brincadeira, mas que é usado em estudos de mecância quântica e estatística, Paulo nos provou que matemática não é sinônimo de fórmulas decoradas, como muitos professores já me fizeram acreditar ao longo dos meus anos de estudo.

Enquanto o Lens Kraftone preparava os equipamentos para a sua apresentação musical, abriu-se para perguntas do público. O primeiro a se manifestar foi Antônio, um professor, também sociólogo, que estava sentado ao eu lado. Antônio questionou se a sua profissão vai deixar de existir. Para ele, os discursos da Patrícia e do Paulo levam a crer que os professores não serão mais os detentores do conhecimento e que serão então substituídos pelas novas tecnologias. A impressão que tive foi a de que ele não entendeu nada do que foi dito pelos dois primeiros palestrantes. Em momento algum se falou no fim do professor, mas na mudança da sua forma de atuar. O professor do futuro, que para mim já chegou, não é mais um ser supremo, dotado de todo o conhecimento necessário. Não! Os profissionais de educação precisam entender que todos nós, independentemente de nossas profissões, estamos em aprendizado contínuo. A cada dia surgem coisas novas. A cada dia temos a oportunidade de aprender alguma coisa, de mudarmos de opinião, de aprimorarmos conceitos. Quem achar que nada disso é importante vai ficar para trás. Quem não souber aproveitar as chances que surgem a todo instante vai pender o bonde da história e não terá lugar nesse novo mundo que está surgindo.

Momento de descontração. Hora do Lens Kraftone, um grupo que faz música com os joysticks do Wii. Para quem não sabe, Wii é um novo tipo de videogame que no lugar daqueles tradicionais comandos com uma haste que movimentávemos para frente, para trás e para os lados, utliza acessórios que fazem o jogador se movimentar de verdade. Para jogar tênis, por exemplo, é preciso imitar um tenista e dar raquetadas no ar, segurando, claro, o controle do jogo. Pois este grupo, o Lens Kraftone, transformou os movimentos feitos com este joysticks diferentes em sinais de midi representando notas musicais, gerando, então, música. O resultado é surpreendente e contagiante! Os integrantes estão mesmo de parabéns pelo trabalho!

Antes do último palestrante, Caribé falou um pouco sobre o movimento de ciberativismo contra o projeto de lei do senador Eduardo Azeredo. Há, na internet, diversos textos sobre este assunto. Eu mesma já escrevi aqui no blog sobre o caso, que é seríssimo (leia aqui, aqui, aqui e aqui). Recomendo a leitura deste texto do Caribé, onde será possível entender melhor o que está se passando e o que poderá acontecer. Precisamos nos engajar e a hora é agora. Já chega deste (des)governo fazendo e acontecendo, enxergando as coisas por lentes tortas e turvas, tomando atitudes nada democráticas e implantando uma verdadeira ditadura civil neste país.

Chegou a hora então do encerramento triunfal dos Descolagens deste ano. Luli Radfahrer, Ph.D. em Comunicação Digital, fez sua performance. Luli é ligado em 440v – 220v é pouco. Ninguém viu, mas tenho certeza de que ele estava conectado a alguma mega-super-tera-ultra bateria. Falar na velocidade em que ele falou, sem interrupções, por mais de uma hora, não é tarefa para simples mortais. Utilizando uma história em quadrinhos projetada no telão, Luli mostrou que as novas tecnologiais digitais ainda são praticamente desconhecidas pelas escolas. Pior: muitos professores teimam em ignorá-las e em proibir o uso de novas formas de comunicação interativa simplesmente porque têm MEDO DO DESCONHECIDO! Sim, eu sei que tudo aquilo que não se conhece gera, sim, medo. Mas este medo tem que ser saudável, tem que servir de estímulo para se ir adiante. Trancar-se dentro de sua redoma segura e afastar-se do mundo atual só tornará qualquer um que aja deste jeito em uma pessoa cada vez mais anti-social, mais infeliz, mais fora da realidade.

Em um determinado momento, Luli disse que não adianta se falar da capital da Eslovênia nas escolas se esta informação não tem nenhuma conexão com a realidade do aluno. Voltei no tempo. Tentei me lembrar do que aprendi no primário, no ginásio e no científico e o que de fato eu ainda me recordo. Muito pouca coisa. Mas uma coisa eu nunca esqueci: desde pequena eu sempre me questionei a necessidade de aprender tudo aquilo que me era “ensinado”, da forma como era “ensinado”, e também sempre senti falta de outros ensinamentos. Tive que decorar como as flores se reproduzem, sob pena de não passar de ano, mas nunca tive acesso a noções básicas de Direito, por exemplo. Assuntos que fazem parte do nosso dia-a-dia são ignorados, ou pelo menos sempre foram ignorados nos meus tempos de colégio – e olha que estudei em bons colégios.

Saí do Nave com a esperança de que aquelas pessoas que ouviram tudo aquilo que foi dito lá dentro disseminem essas novas idéias. Espero que elas de fato acreditem que é preciso mudar e coloquem a mão na massa. Já será um começo. A tarefa será árdua, haverá sempre alguém que irá se recusar a aceitar que os tempos mudaram, que não podemos mais viver hoje em dia como vivíamos nas décadas de 40, 50, 60. Haverá sempre alguém que condenará as novas tecnologias, que as culpará de coisas horríveis, esquecendo-se de que o que temos à disposição hoje em dia são tão-somente novos instrumentos. Cabe a nós todos usá-los de forma útil, sábia. Cabe a nós também, especialmente a quem lida com estas novidades hoje em dia, tornar tudo isso acessível a todos.

Hércules precisará fazer hora extra e encarar um décimo terceiro trabalho.

* * *

Mais Descolagem:

  • Minhas fotos no Flickr
  • Outras fotos no Flickr
  • Cobertura ao vivo feita pela @maffalda
  • Texto de Carlos Nepomuceno
  • Resumo em Vídeo
  • Vídeos da apresentação de Paulo Blikstein, por @lesilva: aqui e aqui
  • Vídeos da apresentação de Luli Radfahrer, por @lesilva: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui
  • Vídeos Lens Kraftone: aqui, aqui e aqui

Se mais alguém tiver links para inserir nesta lista, é só deixar nos comentários.

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Beto Largman, Caribé, ciberativismo, descolagem, Eduardo Azeredo, educação, Lens Kraftone, Luli Radfahrer, Nave, novas tecnologias, Patrícia Konder, Paulo Blikstein
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Conclusão vergonhosa

Patricia Haddad | Sun, 23 November, 2008 | 10:06 PM

A polícia de São Paulo concluiu o inquérito sobre o acidente com o A320 da Tam, que em julho do ano passado pousou em Congonhas, não conseguiu parar e se chocou contra um prédio da própria empresa, matando 199 pessoas. Cinco funcionários da Anac, três da Infraero e mais dois diretores da Tam foram indiciados. Não, a Airbus não está na lista dos culpados e/ou responsáveis. Detalhe: o caso foi encerrado sem que se chegasse à conclusão sobre o que de fato causou aquele acidente. Vergonhoso.

Já falei muito sobre este caso aqui no blog. Basta fazer uma busca por palavras chaves como Tam, tragédia, JJ3054. Vão encontrar tudo o que penso sobre este acidente. Mesmo assim, tenho que repetir algumas coisas, porque os absurdos que voltaram a ser falados tiram qualquer um do sério. É um festival de asneiras, de bobagens, de falácias que beiram o ridículo.

Segundo o delegado Antônio Carlos Barbosa, os peritos acham remota a hipótese de problema no equipamento, mas também não têm certeza de erro humano. Ora! Alguém me diz por que a possibilidade de falha mecânica ser tão remota? Já esqueceram de que aquela aeronave pousou sabidamente com um defeito, com o reverso direito pinado? Se já havia um defeito porque não pode ter acontecido outro? Quem garante que não houve falha na transmissão das informações da manete para o restante do equipamento?

Tem mais: insistem na possibilidade de os pilotos – os dois! – terem errado a posição da tal manete. Eles – os dois! – teriam deixado a alavanca na posição de aceleração erroneamente. Alguém pode me explicar então como foi que eles conseguiram pousar? Ou será que já esqueceram que até o toque no solo não houve qualquer problema com aquele vôo? Aquele A320 da Tam fez a aproximação normalmente, encontrou uma razão de descida, entrou na chamada rampa de pouso e… pousou! Sim, ele pousou perfeitamente. Os problemas ocorreram a partir daí!

Confesso que não entendo por que é tão difícil aceitar que houve, sim, falha no equipamento. Parecem querer proteger a Airbus. Também não comentam o fato da Tam voar com aviões com problemas. “Ah, mas o manual diz que pode-se voar até dez dias com o reverso pinado!” Mais uma vez eu peço a colaboração de vocês: alguém me explica o que acontece no 11º dia? O reverso se auto-destrói? O reverso se auto-conserta? Não se sabe. Mas a impressão que fica é de que a Tam precisa ser protegida de alguma forma.

O Brigadeiro José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero, declarou que, naquelas condições, aquele avião teria problemas em qualquer aeroporto. Foi mal interpretado e ridicularizado por isso. Eu mesma li leitores do Globo achincalhando-o em comentários na página do jornal na Internet. Pois, para mim, ele está certo. Um avião daquele porte, lotado (portanto, muito próximo de seu limite de peso), sem estar em 100% de suas condições de manutenção e sob chuva teria, sim, problemas onde quer que pousasse. A questão é: em Congonhas, a história terminou em tragédia. Em Guarulhos ou no Galeão, com pistas infinitamente maiores e grandes áreas de escape laterais, talvez tivéssemos tido apenas um incidente.

A minha opinião, no entanto, não vale de nada. Mesmo não sendo exclusividade minha. Não adianta. Nossas autoridades conseguiram acabar com o respeito que a aviação brasileira merecia. Não estão nem um pouco interessadas em solucionar este caso. Afinal, como responsabilizar o (des)governo desta república? Nunca! Tampouco macular ainda mais a imagem da empresa que tem a mesma cor do PT. Não pode. Melhor mesmo é dizer que aqueles dois pilotos cometeram um erro tão primário quanto inimaginável. Eles já morreram e não vão voltar para se defender.

Vergonhoso.

Leia mais nos links abaixo:

http://oglobo.globo.com/sp/mat/2008/11/14/funcionarios_da_tam_anac_infraero_serao_denunciados_pelo_acidente_da_tam_diz_promotor-586401412.asp

http://oglobo.globo.com/sp/mat/2008/11/19/policia_indicia_5_integrantes_da_anac_tres_da_infraero_2_executivos_da_tam_por_tragedia_do_voo_3054-586467343.asp

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Consciência em falta

Patricia Haddad | Sat, 22 November, 2008 | 09:55 AM

Eu quero é cota para ser humano.
Ser humano branco, negro, amarelo, marrom, ocre, lilás ou rosa-choque.

Dizem que somos um país ainda racista – e é verdade. Há mesmo um grande preconceito velado escondido em muitos de nós. A questão é: de onde parte esta segregação entre brancos e negros? Dos primeiros? Não. Os chamados afro-descendentes são os maiores culpados por ainda persistir esta ridícula diferenciação por cores. Não fosse a sua insistência em se criar cota para eles nos mais diversos segmentos talvez muita gente não prestasse mais tanta atenção no tom de suas peles.

Não lembro exatamente qual foi a primeira cota criada, mas a que mais me incomodava, até então, era a das universidades. Ora! Por que tem que haver reserva de vagas por conta da cor da pessoa? Acaso os negros são menos inteligentes? “Ah, mas vai nas favelas e você vai ver que a maioria dos moradores é de negros e eles não têm oportunidade de chegar ao ensino superior!”, dizem os defensores deste absurdo. Coitado, então, de quem deu o azar de nascer pobre e… branco! Este é verdadeiramente um excluído. Não tem dinheiro e, para piorar a sua situação, é branco e não pode se beneficiar das cotas. Quer preconceito maior do que este?

Agora, como se não bastasse, a câmara de vereadores do Rio estabeleceu que 20% das vagas em cargos de confiança, também chamados comissionados, em todos os órgãos da prefeitura sejam destinadas a afro-descendentes. A discriminação vai além e determina que metade seja para homens e metade, para mulheres.A lei abrange todas as esferas dos poderes Executivo e Legislativo, além das empresas que participam de licitações para a prestação de serviços ao município.

César Maia já havia vetado este descalabro, mas a Câmara dos Vereadores derrubou a proibição. A prefeitura ainda pode recorrer, mas isto será tarefa para o próximo prefeito, Eduardo Paes. Enquanto isso, teremos que conviver com mais esta aberração, mais esta discriminação descarada apoiada pelos próprios negros. Para eles, esta medida segregatória é sinônimo de tentativa de igualdade. Ora, ora, sejamos racionais! Chega de hipocrisia. Atitudes assim só reforçam o preconceito. Dividem o mundo em preto e branco como se não existisse uma infinidade de pardos e mestiços, como se o bonito da raça humana não fosse a sua imensa diversidade.

Em vez de se preocuparem tanto com a chamada “Consciência Negra”, deviam era se preocupar tão somente com a CONSCIÊNCIA. Consciência ampla, geral e irrestrita, se me entendem. O que falta em todos nós é apenas consciência. Não tem nada disso de cor, de raça, de ascendência. Se nós nos preocupássemos verdadeiramente com coisas sérias não teríamos situações absurdas como a relatada pela Fernanda Freitas em seu blog. Com licença do palavreado, mas pr’o inferno com as cotas raciais! Eu quero é cotas HUMANAS!

Para terminar, recomendo a leitura da belíssima e bastante apropriada opinião deixada hoje pelo leitor Luis Henrique no meu texto sobre Consciência Negra do ano passado. Neste momento, é o penúltimo comentário. Procurem. Leiam. Reflitam. E me digam se estamos errados.

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Marketing Digital e Novas Mídias

Patricia Haddad | Sun, 16 November, 2008 | 10:27 PM

Na última quarta-feira fui a mais uma palestra gratuita no Infnet. O tema era Introdução ao Marketing Digital e Novas Mídias. Todas as outras que já assisti – e olha que não foram poucas de 2004 para cá! – foram excelentes. Esta, no entanto, ficou aquém do que eu esperava.

Logo no início foram exibidos dois comerciais antigos (bota antigo nisso!) do Hollywood: um com música de Tina Turner e outro com Phenomena II. Segundo Gustavo Loureiro, o palestrante, tratava-se de propagandas convencionais, com alto custo de produção. Em seguida, mostrou um viral da Pirelli chaaaaaato, com mais de 8 minutos de duração, de produção caríssima, mas custo zero de veiculação, já que foi só pela internet.

Veio a pergunta: quem é o consumidor digital? A resposta: é quem está no Orkut, nos blogs, no Twitter etc. Por isso, um novo mercado está se abrindo para quem trabalha com marketing: buzz monitor. Eu tinha me esquecido que a palestra era para iniciantes e, se realmente a maioria ali era de iniciantes, pode ser que isso tenha sido uma grande novidade. Para mim e para meus amigos, todos heavy users de Twitter, tudo foi mais do mesmo. Temos amigos que trabalham só com mídias sociais, estamos em várias dessas redes, enfim: conhecemos tudo isso e mais um pouco.

Aqui cabe um detalhe: o Twitter foi mostrado como sendo quase um diarinho virtual mesmo. Os exemplos eram do tipo “estou mostrando um vídeo”, “vamos embora daqui a pouco” e outros semelhantes. Para os iniciantes, esta nova mídia deve ter passado a impressão de ser uma mera brincadeirinha. Ledo engano. O Twitter já é utilizado para inúmeros fins realmente úteis, como a cobertura de eventos, por exemplo, incluindo a própria palestra. Se o Gustavo tivesse tido a idéia de usar o search e fazer uma busca pelo termo (tag, como chamamos) #infnet teria lido o que nós já tínhamos escrito sobre o que estava acontecendo ali.

Ainda falando sobre todas essas novidades que invadiram a internet nos últimos tempos, Gustavo Loureiro disse que a pessoa hoje conversa no MSN ao mesmo tempo em que entra no Orkut para responder a um scrap, isso enquanto baixa emails, ouve música no iPod, escreve no Twitter e responde a um SMS. Tudo isso, claro, com a tv ligada funcionando como trilha de fundo. Essa coisa de tudo ao mesmo tempo agora acabou com o conceito de marketing de interrupção, que aliás, começou a sumir com o surgimento do controle remoto, que nos permite mudar de canal durante os intervalos.

Outra pergunta jogada para a platéia: a internet é mídia de massa ou de nicho? Levando-se em consideração o número de usuários, é de massa. Mas considerando-se a segmentação existente, é de nicho. Huuuum! E sobre o Orkut: muitas empresas já o utilizam como um SAC 2.0. DOIS PONTO ZERO? Jura que ouvi de novo este conceito? Quanto virá a 2.0.1.27 beta?

Eis que chegou o melhor momento, o de falar de… banners! Sim, falamos de banners, este mega-fantástico-super-hiper hype recurso de marketing digital de mil novecentos e… e quê mesmo, hein? Sei lá. Faz tanto tempo! Ok, não serei radical. Banners ainda existem e, acreditem!, ainda são usados. Portanto, ainda cabem ser citados em palestras do tipo. Mas ficar nisso apenas não dá. Juro que senti falta de outros exemplos de Marketing Digital – e não estou falando do velho email marketing que, claro, também foi citado. Também queria ver exemplos de novas mídias. Twitter, para quem de fato trabalha com mídias e comunicação em geral, já deixou de ser novidade faz tempo.

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Sou+Web – 3ª edição

Patricia Haddad | Mon, 10 November, 2008 | 07:51 PM

No último sábado tivemos mais uma edição do Sou+Web, evento organizado pela pós-graduação em Gestão em Marketing Digital da Facha, coordenada pelo Nino Carvalho. O tema foi Webdesign com foco no cliente. Apesar de o assunto ser teoricamente voltado para quem trabalha com sites, foi extremamente proveitoso para mim, já que sou uma cliente. Pude ouvir dos convidados o que é importante, o que deve ser levado em consideração na hora de se planejar um bom site e o que eles, profissionais, esperam de nós, clientes.

O primeiro a falar foi Gabriel Guerra, da Agência Pulse. Logo no início, levantou a questão: “Quem é o cliente? Quem te paga ou quem vai usar o produto?” A partir daí, vimos que tanto quem contrata o serviço como o usuário final devem ser encarados como clientes e o trabalho precisa, de alguma forma, agradar aos dois. Gabriel também ressaltou que não há como trabalhar com internet hoje em dia sem considerar os micro-nichos. E disse que é importante se adequar ao usuário e atender às suas expectativas para que a comunicação seja eficaz.

Em seguida veio Bruno Dulcetti, da Globo.com, para quem o cliente é o chefe. Quem acessa os sites da Globo.com são clientes do chefe. E ele, na verdade, tem que pensar nos dois, como o Gabriel já tinha falado. No entanto, isto não é fácil. Muitas vezes, os “chefes” insistem em querer coisas que os profissionais sabem que não vai funcionar, que não são o ideal para o usuário. E aí complica. Bruno também lembrou que há desenvolvedores que criam para si próprios. Preocupam-se em fazer uma coisa bonitinha sem levar em conta quem vai usar o produto final. Um detalhe que me chamou a atenção: segundo Dulcetti, às vezes as pessoas têm pressa, querem logo o trabalho pronto e não percebem que gastar um pouco mais de tempo pode resultar em algo infinitamente melhor. É a mais pura verdade. Por último, destacou que o planejamento tem que ter o foco no cliente, sim, mas que também é importante tentar fazer com que o cliente pense certo. E, para isso, claro, o profissional precisa saber o que é o certo.

O terceiro e último a falar foi o Anderson Gaveta, da Seagulls Fly. Gaveta se concentrou no caso da Farm, que tem um site belíssimo e todo pensado para o público-alvo da grife, as chamadas farmetes. O interessante neste caso foi que o cliente, no caso a loja, já entregou para agência toda uma pesquisa detalhada sobre as suas consumidoras: faixa-etária, locais que freqüentam, filmes que gostam e outras informações. Todos estes dados foram fundamentais para a elaboração do site e a resposta foi excelente, resultando até mesmo no aumento das vendas.

Como vocês podem ver, foi um debate bastante interessante. Só não teve foto da “galera” no final, mas teve um almoço bem divertido no Botafogo “Escada” Shopping com alguns “arrobas” (pessoal do Twitter). Mês que vem tem mais Sou+Web e eu não vou perder! Para ficar por dentro dos eventos e das datas é só acompanhar o blog do pessoal da pós, o DNA Digital.

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Festival Internacional de Televisão

Patricia Haddad | Sun, 09 November, 2008 | 10:09 PM

Nesta última semana, aconteceu aqui no Rio mais uma edição do Festival Internacional de Televisão, organizado pelo IETV – Instituto de Estudos em Televisão. Na abertura, na segunda-feira, foram exibidos dois pilotos internacionais vencedores em festivais do gênero: The Apllicants, uma paródia de O Aprendiz, vencedor na Suíça; e Hit Factor, melhor série dramática no Festival de Nova York deste ano. O primeiro achei chato. O segundo eu queria mais!

Na terça, tivemos o debate sobre novas mídias e novas demandas de conteúdo. Participantes: Alberto Magno, diretor da M1nd; Adriana Alcântara, gerente de conteúdo de tv da Oi; Luiz Noronha, da Conspiração Filmes; e Luis Renato Olivalves, diretor de interatividade da Band. Este último fez, sem dúvida, a melhor apresentação, apesar de um pouquinho longa. Na verdade, como ele foi o último, todos nós já estávamos bastante cansados, já que o debate começou com um atraso de mais de meia hora.

O dia mais esperado pela grande maioria do público era quarta. Motivo? Sabrina Sato. Ok, Marcelo Tas e Marcelo Adnet também atraem muita gente, mas a japa do Pânico foi a responsável por boa parte dos marmanjos presentes. Além dos já citados, estiveram no debatesobre novas formas de humor Diego Barredo, diretor do CQC; Rachel Affonso, gerente de programação da MTV; e Anderson, outro integrante do Pânico. Que me desculpem todos, mas não gosto deste tipo de humor. Na verdade, até achei o Adnet muito engraçado e acredito que suas peças sejam mesmo imperdíveis. Tas também é um profissional indescritível, mas eu não gosto do CQC (pronto falei!). Sobre o Pânico eu nem falo. Resta reclamar do atraso de mais de um hora para o início do evento, sem uma informação sequer sobre o motivo de tanta espera.

Sexta-feira acabou sendo o dia mais produtivo para mim. O 7º Encontro Internacional de Televisão aconteceu no Sesc, no Flamengo, em um espaço muito mais propício para eventos deste porte. José Araripe Jr., gerente de projetos especiais da TV Brasil, e Reinaldo Volpato, gerente executivo da TV Brasil, foram os primeiros a falar – não sem um atraso de mais de 45 minutos para o início. Explicaram o motivo da criação da tevê pública, mas eu ainda não me convenci. Está certo que nenhuma tevê se faz em menos de três anos, mas então que não tivessem feito tanto oba-oba quando de seu lançamento, já que sabiam que as coisas demorariam para acontecer. Fiz uma pergunta a eles: por que a retirada de programas como o Direito em Debate? “Isso sempre acontece, muitas vezes é necessário retirar um programa da grade e tem sempre alguém que não fica satisfeito”, respondeu Araripe. Ok, mas por que justo um programa onde era possível debater coisas que o governo certamente não gostaria que debatêssemos? Pena que não me lembrei de perguntar o porquê de se exibir filmes com cenas de sexo explícito em uma tevê pública.

Ainda na parte da manhã, Ana Lúcia Gomes falou sobre o Canal Futura. Os vídeos e os slides mostrados foram excelentes! Após um intervalo para almoço, as mesas recomeçaram com – adivinhem! – mais atraso. Desta vez, pouco mais de meia hora. No primeiro debate, Paulo Mendonça, diretor-geral do Canal Brasil, e Wilson Cunha, diretor-geral do Multishow, falaram sobre oportunidades para produção independente em tv por assinatura. Logo depois, tivemos a mesa sobre audiência, posicionamento e novos conteúdos. Os participantes deste último debate foram Elisa Ayub, da RedeTV!; Fernando Sugueno, da Band; e Cris Lobo, da MTV.

O saldo da semana foi extremamente positivo e eu já espero por outros eventos como este. No entanto, fica meu apelo à organização para que realmente haja organização nos próximos encontros. As inscrições prévias que tivemos que fazer não foram levadas em consideração e o resultado foi muita discussão lá no Oi Futuro. Aliás, por falar em Oi Futuro, o prédio é belíssimo, mas totalmente inadequado para um festival deste porte. É preciso pensar em outro local mais amplo e em novas formas de se gerenciar as inscrições, de modo que elas realmente façam sentido!

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Band, Festival Internacional de Televisão, IETV, Marcelo Adnet, Marcelo Tas, MTV, Rede Brasil, RedeTV!, Sabrina Sato
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InterCon08

Patricia Haddad | Sun, 09 November, 2008 | 07:59 PM

Duas semanas depois, venho eu aqui escrever sobre o InterCon08. Não que faltasse assunto. Acho que o motivo de tanto atraso é que a quantidade de problemas que a Gol me causou na viagem para São Paulo acabou superando o que o evento teve de bom.

Mas, vamos ao que interessa. Todo mundo já falou como foi o InterCon08. Alguns criticaram bastante, outros puseram panos quentes. Prefiro me limitar a algumas observações,  a prinicipal delas quanto ao lugar. Todos os demais problemas podem ser considerados imprevistos – menos a escolha do local. Um teatro praticamente sem tomadas sediando um evento onde a grande maioria dos participantes queria ligar seus notebooks?

O wi-fi, que estava a cargo da DialHost, também não funcionou. Não sei exatamente qual foi o problema. Só sei que o InterCon08 foi praticamente um evento offline. Eu, pelo menos, que dependia dos micros a disposição por lá, não consegui usar a internet uma única vez. Será que faltou planejamento por parte da Dial-Host?

Das palestras, meu destaque vai para a do Cris Dias. Fantástica. Aprendi muita coisa na apresentação dele. Marco Gomes também falou coisas interessantíssimas. E teve também o Manoel Lemos, da WebCo, falando de investimentos em projetos inovadores. Conceitos bacanas devidamente anotados.

Depois das críticas, li muita gente justificando os erros do InterCon08 com “foi uma tentativa de inovação“. Ok. É claro que qualquer um que tente inovar merece crédito e apoio – e está sujeito a problemas. No entanto, há certas coisas que um planejamento mais detalhado pode evitar.Volto a falar do local, que a meu ver não era o mais apropriado. As oficinas ficaram confusas e o teatro não comportava tantos usuários de notebook ávidos por tomadas. Espero que esta seja umas das primeiras preocupações no próximo ano.

Bom, é isso. Nada demais, né? Mas, com tanto post sobre o InterCon08 não tinha mais muito mesmo a ser falado. As fotos que fiz estão aqui.

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