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Consciência em falta

Patricia Haddad | Sat, 22 November, 2008 | 09:55 AM

Eu quero é cota para ser humano.
Ser humano branco, negro, amarelo, marrom, ocre, lilás ou rosa-choque.

Dizem que somos um país ainda racista – e é verdade. Há mesmo um grande preconceito velado escondido em muitos de nós. A questão é: de onde parte esta segregação entre brancos e negros? Dos primeiros? Não. Os chamados afro-descendentes são os maiores culpados por ainda persistir esta ridícula diferenciação por cores. Não fosse a sua insistência em se criar cota para eles nos mais diversos segmentos talvez muita gente não prestasse mais tanta atenção no tom de suas peles.

Não lembro exatamente qual foi a primeira cota criada, mas a que mais me incomodava, até então, era a das universidades. Ora! Por que tem que haver reserva de vagas por conta da cor da pessoa? Acaso os negros são menos inteligentes? “Ah, mas vai nas favelas e você vai ver que a maioria dos moradores é de negros e eles não têm oportunidade de chegar ao ensino superior!”, dizem os defensores deste absurdo. Coitado, então, de quem deu o azar de nascer pobre e… branco! Este é verdadeiramente um excluído. Não tem dinheiro e, para piorar a sua situação, é branco e não pode se beneficiar das cotas. Quer preconceito maior do que este?

Agora, como se não bastasse, a câmara de vereadores do Rio estabeleceu que 20% das vagas em cargos de confiança, também chamados comissionados, em todos os órgãos da prefeitura sejam destinadas a afro-descendentes. A discriminação vai além e determina que metade seja para homens e metade, para mulheres.A lei abrange todas as esferas dos poderes Executivo e Legislativo, além das empresas que participam de licitações para a prestação de serviços ao município.

César Maia já havia vetado este descalabro, mas a Câmara dos Vereadores derrubou a proibição. A prefeitura ainda pode recorrer, mas isto será tarefa para o próximo prefeito, Eduardo Paes. Enquanto isso, teremos que conviver com mais esta aberração, mais esta discriminação descarada apoiada pelos próprios negros. Para eles, esta medida segregatória é sinônimo de tentativa de igualdade. Ora, ora, sejamos racionais! Chega de hipocrisia. Atitudes assim só reforçam o preconceito. Dividem o mundo em preto e branco como se não existisse uma infinidade de pardos e mestiços, como se o bonito da raça humana não fosse a sua imensa diversidade.

Em vez de se preocuparem tanto com a chamada “Consciência Negra”, deviam era se preocupar tão somente com a CONSCIÊNCIA. Consciência ampla, geral e irrestrita, se me entendem. O que falta em todos nós é apenas consciência. Não tem nada disso de cor, de raça, de ascendência. Se nós nos preocupássemos verdadeiramente com coisas sérias não teríamos situações absurdas como a relatada pela Fernanda Freitas em seu blog. Com licença do palavreado, mas pr’o inferno com as cotas raciais! Eu quero é cotas HUMANAS!

Para terminar, recomendo a leitura da belíssima e bastante apropriada opinião deixada hoje pelo leitor Luis Henrique no meu texto sobre Consciência Negra do ano passado. Neste momento, é o penúltimo comentário. Procurem. Leiam. Reflitam. E me digam se estamos errados.


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consciência negra, cota racial, preconceito, racismo
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16 Responses to “Consciência em falta”

  1. Cristiano Santos says:
    Sat, 22 November, 2008 at 12:30 PM

    Patrícia,
    eu só tenho uma frase pra expressar o que sinto em relação à esse tema:
    “Separar é discriminar! Cota é segregação!”
    Parabéns pelo artigo e força para a Fernanda Freitas!

  2. Vinícius K-Max says:
    Sat, 22 November, 2008 at 12:36 PM

    Patrícia, não conhecia o blog, mas depois deste excelente e corajoso texto, só posso virar assinante do feed.

    Em tempo: quem é a favor das cotas ou ignora todos os lados da questão ou está mal intecionado mesmo. Ou ingênou ou sem-vergonha. Simples assim. Só torço pro primeiro grupo ser maioria, senão estamos mesmo num país de “Gersons”.

    Um abraço!

  3. Daniel says:
    Sat, 22 November, 2008 at 02:04 PM

    “eu tenho um sonho…” falou e disse.

  4. Assis Haubert says:
    Sat, 22 November, 2008 at 04:09 PM

    Vinícius,

    ESTAMOS em um país de “Gersons”, a começar pela classe política eleita pelos ingênuos ou “Gersons” (com a esperança de garantir o seu quinhão de “amanhã”).

  5. Roberto Haddad says:
    Sat, 22 November, 2008 at 11:04 PM

    Dia da conscieêcia negra. O que significa isto? Pra que serve? Pergunte a um cidadão negro comum trabalhador (que não pertença a nenhuma “ONG”, que a titulo de promover a igualdade racial, promovem, sim, a segregação), se ele sabe o que é “consciência negra”.

    Deveríamos, todos, promover o dia da CONSCIÊNCIA HUMANA, divulgar e agir como Seres Humanos. Não existe raça branca, negra, amarela, verde claro e nem verde escuro. O que existe é RAÇA HUMANA. Parem de olhar para trás, para o passado. O que passou, passou. Até porque os maiores culpados da escravidão foram os próprios AFRICANOS.
    Vejam os links abaixo (os organizadores de ONGs destes tipos sabem disso). Mas, o que interessa a muitos é manter você olhando pra trás. Assim não vê o obstáculo à frente e vive caindo precisando sempre de ajuda ( por ex. cotas).

    Os negros deveriam ter vergonha disso e repudiar essas “benesses”. O que vocês precisam, e não só vocês, brancos tambem, é ter chance de estudar e mostrar suas intelectualidades e capacidade pra exercer qualquer atividade na vida sem precisar dessa VERGONHOSA COTA.

    O Governo instituiu oficialmente a segregação e vocês aceitaram. Portanto, agora é só 20% e não pode chiar. DIGAM NÃO ÀS COTAS E EXIJAM MELHORES CONDIÇÕES PARA OS ESTUDOS. Olhem pra frente.

    http://www.eb23-diogo-cao.rcts.pt/Trabalhos/bra500/escravos.htm

    http://historiadaafrica1.blogspot.com/2007/06/viso-dos-autores-sobre-definio-de.html

  6. Roberto Haddad says:
    Sat, 22 November, 2008 at 11:21 PM

    E tem mais. Sem essa de dizer que negros ganham menos que brancos. A constituição não distigüe em momento algum ninguém pela cor da pele. Em qualquer empresa o salário básico de cada função é pago a qualquer um que se inicia naquele posto. Funções iguais, salários iguais para qualquer PESSOA (não fala em cor da pele). Logicamente que funcionários na mesma função com mais tempo de serviço podem até ganhar mais devido aos abonos e gratificações que as empresas costumam dar e incorporam ao salário. Mas, diferença salarial na mesma função em decorrência da cor é mentira. Trabalhei 7 anos em uma empresa e mais 30 em outra e NUNCA VI ESTE ABSURDO!

  7. Roberto Haddad says:
    Wed, 26 November, 2008 at 05:57 PM

    REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES
    Date: Tue, 29 Jul 2008 14:09:40 -0300

    Imperdível para amantes da língua portuguesa, e claro também para professores. Isso é o que eu chamo de jeito mágico de juntar palavras simples para formar belas frases. REDAÇÃO DE ESTUDANTE CARIOCA VENCE CONCURSO DA UNESCO COM 50.000 PARTICIPANTES

    Tema:’Como vencer a pobreza e a desigualdade’

    Por Clarice Zeitel Vianna Silva

    UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – Rio de Janeiro – RJ

    ‘PÁTRIA MADRASTA VIL’

    Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência… Exagero de escassez…. Contraditórios?? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.
    Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.
    O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada – e friamente sistematizada – de contradições.
    Há quem diga que ‘dos filhos deste solo és mãe gentil.’, mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.
    A minha mãe não ‘tapa o sol com a peneira’. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.
    E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro Pacote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra… Sem nenhuma contradição!
    É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem!
    A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão…
    Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta – tão confortavelmente situadas na pirâmide social – terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)… Mas estão elas preparadas para isso?
    Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.
    Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?
    Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos…
    Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente… Ou como bicho?

    Premiada pela UNESCO, Clarice Zeitel, de 26 anos, estudante que termina faculdade de direito da UFRJ em julho, concorreu com outros 50 mil estudantes universitários.
    Ela acaba de voltar de Paris, onde recebeu um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) por uma redação sobre ‘Como vencer a pobreza e a desigualdade’..

    A redação de Clarice intitulada `Pátria Madrasta Vil´ foi incluída num livro, com outros cem textos selecionados no concurso. A publicação está disponível no site da Biblioteca Virtual da Unesco.

    Observações de Roberto Haddad: na belíssima redação da jovem Clarice, tomei a liberdade de colocar em negrito alguns trechos por achar que são inerentes ao “post”. Notem que em momento algum Clarice se refere à cor da pele. Muito pelo contrário, a ênfase toda é no povo Brasileiro.

  8. Roberto Haddad says:
    Mon, 01 December, 2008 at 04:21 PM

    VOCE É BRANCO?

    CUIDE-SE!!!

    Ives Gandra da Silva Martins*

    Hoje, tenho eu a impressão de que o “cidadão comum e branco” é agressivamente discriminado pelas autoridades e pela legislação infraconstitucional, a favor de outros cidadãos, desde que sejam índios, afrodescendentes, homossexuais ou se auto-declarem pertencentes a minorias submetidas a possíveis preconceitos.

    Assim é que, se um branco, um índio e um afrodescendente tiverem a mesma nota em um vestibular, pouco acima da linha de corte para ingresso nas Universidades e as vagas forem limitadas, o branco será excluído, de imediato, a favor de um deles! Em igualdade de condições, o branco é um cidadão inferior e deve ser discriminado, apesar da Lei Maior.

    Os índios, que, pela Constituição (art. 231), só deveriam ter direito às terras que ocupassem em 5 de outubro de 1988, por lei infraconstitucional passaram a ter direito a terras que ocuparam no passado. Menos de meio milhão de índios brasileiros – não contando os argentinos, bolivianos, paraguaios, uruguaios que pretendem ser beneficiados também – passaram a ser donos de 15% do território nacional, enquanto os outros 185 milhões de habitantes dispõem apenas de 85% dele.. Nesta exegese equivocada da Lei Suprema, todos os brasileiros não-índios foram discriminados.

    Aos ‘quilombolas’, que deveriam ser apenas os descendentes dos participantes de quilombos, e não os afrodescendentes, em geral, que vivem em torno daquelas antigas comunidades, tem sido destinada, também, parcela de território consideravelmente maior do que a Constituição permite (art. 68 ADCT), em clara discriminação ao cidadão que não se enquadra nesse conceito.

    Os homossexuais obtiveram, do Presidente Lula, Marta Suplicy e da Ministra Dilma Roussef, o direito de ter um congresso financiado por dinheiro público, para realçar as suas tendências, algo que um cidadão comum jamais conseguiria!

    Os invasores de terras, que violentam, diariamente, a Constituição, vão passar a ter aposentadoria, num reconhecimento explícito de que o governo considera, mais que legítima, meritória a conduta consistente em agredir o direito. Trata-se de clara discriminação em relação ao cidadão comum, desempregado, que não tem este ‘privilégio’, porque cumpre a lei.

    Desertores, assaltantes de bancos e assassinos, que, no passado, participaram da guerrilha, garantem a seus descendentes polpudas indenizações, pagas pelos contribuintes brasileiros. Está, hoje, em torno de 4 bilhões de reais o que é retirado dos pagadores de tributos para ‘ressarcir’ àqueles que resolveram pegar em armas contra o governo militar ou se disseram perseguidos.

    E são tantas as discriminações, que é de se perguntar: de que vale o inciso IV do art. 3º da Lei Suprema?

    Como modesto advogado, cidadão comum e branco, sinto-me discriminado e cada vez com menos espaço, nesta terra de castas e privilégios.

    ( *Ives Gandra da Silva Martins é renomado professor emérito das universidades Mackenzie e UNIFMU e da Escola de Comando e Estado do Exército e presidente do Conselho de Estudos Jurídicos da Federação do Comércio do Estado de São Paulo ).

  9. Gusnob says:
    Wed, 24 December, 2008 at 02:20 PM

    Pelo que li aqui, acho que falta muita consciência aos próprios brancos – com o seu costumeiro discurso de dominador. Se as cotas incomodam tanto a classe burguesa é porque representam o efeito colateral dos atos praticados pelas elites corruptas, que durante séculos perpetuaram a desigualdade nesse país e hoje se sentem ameaçadas pela presença dos negros. Enquanto existir injustiça e gente lesada existirá a luta por direitos (o que incomoda certos setores da sociedade, mais preocupados com seu status e riqueza). Nos E.U.A. algo começou a mudar quando uma senhora chamada Rosa Parks se recusou a levantar de um “banco reservado a pessoas de pele branca” e hoje o presidente daquele país é um homem de cor (Barack Obama)!!! Ou seja: quem inventou as cotas da segregação foram os brancos (os mesmos que trouxeram os negros para cá com direito a 500 chibatadas por dia).

    Sugiro a leitura: http://www.supravidasecular.com/2008/11/tolerar-ou-segregar.html

  10. Roberto Haddad says:
    Sat, 27 December, 2008 at 09:44 PM

    Prezado Gusnob, você tem certeza de que sabe ler? E se sabe, consegue entender o que está lendo? Você diz que falta consciência ao próprio branco. Então, faça o seguinte: leia tudo novamente, uma, duas, três, tantas vezes quanto necessário até entender. Você por acaso sabe o que significa ser “burguês, elite, corrupto e outras coisas mais?” Pelo que entendi, você atribui esses adjetivos somente aos brancos. Você se esqueceu que negro também é gente e sujeito a se enquadrar em todos os adjetivos que você menciona? E que negócio é esse de dizer que BARAK OBAMA é um homem de COR? Azul, verde, vermelho, enfim, a que cor você se refere? Estou achando que para você dizer ” homem de cor” é como se quisesse abrandar um pouco algo muito grave. Dessa forma, você demonstra claramente que tem VERGONHA de ser negro. Pois saiba que BARAK OBAMA é negro e com muita honra e que chegou até o mais alto cargo político porque ESTUDOU. Trate você de estudar e entender que antes dos negros serem trazidos para o Brasil como escravos, eles foram, sim, vendidos aos brancos pela ELITE NEGRA daquelas regiões. Vamos parar com essa bobagem de lutar contra a segregação. Agindo dessa forma (lutar contra a segregação, aceitar cotas para universidades, cotas pra isso, aquilo e tudo mais), o negro estará admitindo ser inferior. Ninguém é inferior ou superior, somos iguais perante as leis e principalmente a DEUS. O que se tem que fazer é obrigar o governo a cumprir a constituição, dando instrução gratuita aos POBRES NEGROS, BRANCOS, ÍNDIOS E OUTROS. Só dessa forma o cidadão se tornará livre. Aceitar as cotas é aceitar ser escravo. A propósito, Gusnob, por que o branco igualmente pobre como seu colega negro não tem direito a cota? Pense e reaja. Não aceite cotas e, sim, escolas e ensino de qualidade. Aí sim você terá capacidade de ser alguém por puro “mérito”.

    Quero deixar bem claro que uso a expressão “raça” porque tornou-se habitual. Para mim só existe uma raça, “A RAÇA HUMANA”.

  11. Gusnob says:
    Sun, 28 December, 2008 at 05:18 PM

    Prezado Roberto Haddad, você tem certeza de que não está me subestimando? E se estiver, consegue entender que duvida das minhas capacidades intelectuais? Saiba que é muito preocupante quando uma pessoa tenta impor um pensamento através da prepotência e da arrogância. Quem se acha o dono da verdade absoluta deveria rever os seus conceitos e deixar de enxergar só aquilo lhe convém. Quando você diz a asneira: “Vamos parar com essa bobagem de lutar contra a segregação” é querer negar um problema gravíssimo que perdura por mais de um século e compactuar com as mazelas dessa PÁTRIA MADRASTA VIL – não é a toa que o nosso país é conhecido como um lugar onde o preconceito é velado. Independente da pigmentação da pele, eu teria vergonha de fazer esse tipo de “afirmação” (ainda bem que nem todos os brancos compartilham da mesma visão que o sr. Haddad!). O que mais me espanta são seus ataques a minha pessoa – como se me conhecesse – ao enfatizar que tenho VERGONHA de ser negro e insinuando que eu seja um iletrado. Isso só prova que você é uma pessoa equivocada, julga sem conhecimento de causa e sai atirando para todos os lados munido de sua metralhadora de palpites. Tenho muito orgulho de quem sou e das minhas raízes!!! Não é novidade nenhuma o fato dos líderes tribais africanos, lá no passado, terem feito um rentável acordo com os europeus colonizadores para vender mão de obra escrava a fim de construir e desbravar o que se conhece hoje como Brasil – ou seja, ambos são responsáveis por esse crime irreparável. Se “os maiores culpados da escravidão foram os próprios AFRICANOS” os EUROPEUS também deveriam responder pelo mesmo processo por maus tratos e assassinatos em massa. Sou um homem com formação acadêmica e não burro ou sem nehuma instrução conforme você imagina. Acho que é do seu conhecimento – levando em consideração que tu és uma pessoa MUITO inteligente e sensata – que “o fim da escravatura não melhorou a condição social e econômica dos ex-escravos. Sem formação escolar nem profissão definida, para a maioria deles a simples emancipação jurídica não mudou sua condição subalterna, muito menos ajudou a promover sua cidadania ou ascensão social.” Hoje o saldo da negligência é a existência das favelas, falta de saneamento básico e ensino deficiente – um cenário “lindo” que não é motivo de orgulho para os brancos e muito menos os negros. Penso e reajo (seguindo seu conselho): não aceito as suas imposições! Lembrando que JÁ sou alguém por puro mérito.

    Obs.: “BARACK OBAMA é um homem de COR” >>> Uso a tal expressão ‘homem de cor’ porque tornou-se habitual. Simples assim!

  12. Roberto Haddad says:
    Sun, 28 December, 2008 at 09:04 PM

    Prezado Senhor Gusnob,

    não, não tinha certeza e nem era minha intenção, mas agora tenho. É o senhor que está sugerindo. Acho que não deveria se sentir subestimado. E não precisa mais ler todos os posts, só compare o que escreveu antes com o que escreveu por último. Sim, duvidei da sua capacidade intelectual pelo que escreveu antes, mas agora você mudou o discurso. Agora volta tudo à estaca zero, realmente você se subestima. Meus pensamentos acompanham, com outras palavras, o mesmo pensamento de todos que postaram sobre este assunto. No entanto, chama-nos a todos de prepotentes e arrogantes. Todos escrevemos dando nossas opiniões sobre a segregação que é, sem a menor sombra de dúvidas, a pior coisa que poderia ocorrer a um ser humano. Incrivelmente, o senhor se ofendeu. O senhor está sendo muito parcial. Diga-me: o que é que eu estou enxergando que somente a mim convém? Poxa, será que o senhor ainda não entendeu que estamos juntos nessa tentativa de normalizar a vida social de todos (pelo menos aqui no Brasil) os cidadãos, independentemente da “cor” da pele? Para que tanto rancor nesse coração? Vamos nos unir e através de orgãos oficiais (não ongs, oportunistas) cobrar que se cumpra a constituição (eu já disse isso no comentário acima). Parece que o senhor acha que em favelas não tem gente branca e pobre, para não dizer em miséria total. O senhor nem toca nisso. Por quê? O senhor até parece estar propondo VINGANÇA. Quer se vingar? Então se vingue daqueles que patrocinaram toda aquela tragédia da escravatura. Lendo seu texto, até parece que você preferia que ainda existisse a escravidão a ter que passar por esses problemas “gravíssimos” que perduram por mais de um século. Não é bem assim não, meu caro. Fique sabendo que ao longo de meus 65 anos, a maioria de meus verdadeiros amigos eram negros e a convivência era a mais fraterna possível. Quando começou toda essa história de “cotas para negros”, um deles, chorando, me confessou estar com vergonha do que estava ocorrendo e que aí sim começava a se sentir segregado. ENTENDEU? Um homem com formação acadêmica como o senhor não significa necessariamente saber o que o povo nas ruas (de todas as cores) pensa e sente a respeito das cotas. O senhor, sim, está sendo irônico ao dizer em seu texo que sou uma pessoa MUITO (assim mesmo, em maiúsculas) inteligente e sensata. Meu amigo, qualquer cidadão (mesmo sem nenhuma formação acadêmica) sabe que o fim da escravatura não melhorou nada, mas foi o primeiro passo não foi? Quase tudo se encaixava, estávamos todos nos entendendo perfeitamente, até que alguém achou uma maneira de confundir tudo. Ou não foi assim? Eu, no decorrer de toda minha vida, vi desta forma, pois não tinha motivos para ser preconceituoso. E o senhor? Lá embaixo, no seu texto, quando o senhor diz que não é motivo de orgulho para os brancos e muito menos para os negros, aí o senhor novamente subestima os negros. O senhor deveria ter escrito “não é motivo de orgulho para ninguém”, entendeu? Quem segrega é o senhor. O senhor é que separa pela cor. Quando se referir às pessoas, diga de maneira a não distinguir ninguém pela cor.

    Tenhamos TODOS NÓS um Feliz 2009.

  13. Gusnob says:
    Sun, 28 December, 2008 at 11:31 PM

    Prezado Senhor Roberto Haddad,

    tens o dom de distorcer as minhas palavras e moldá-las ao seu gosto duvidoso. É muita hipocrisia dizer “que estamos juntos nessa tentativa de normalizar a vida social de todos”, quando senhor mesmo disse que lutar contra a segregação é uma bobagem. O que o senhor tem feito pelo brancos pobres e pelos negros desse país – aquilo que se considera realmente relevante? NADA!

    Não promovo vingança e sim comprensão e união. Respeito sua opinião quanto às cotas, não acho que elas vão resolver todos os problemas, mas também não vejo motivo para demonizá-las. Ou senhor se esqueceu que deficientes físicos e idosos são beneficiados por elas?

    Sua discurseira tem um tom evasivo e tenta a todo momento tapar o sol com a peneira. E fique sabendo que não faço distição de “o povo nas ruas (de todas as cores)” em função do pigmento de sua tez.

    Que Deus abençoe a todos e que um dia Ele possa exterminar essa terrível doença chamada PRECONCEITO!!!

  14. Gusnob says:
    Mon, 29 December, 2008 at 12:24 PM

    CORREÇÕES:

    “Não promovo vingança e sim compreensão e união.”

    “E fique sabendo que não faço distinção de ‘o povo nas ruas (de todas as cores)’ em função do pigmento de sua tez.”

  15. Roberto Haddad says:
    Mon, 29 December, 2008 at 01:06 PM

    Prezado senhor Gusnob,
    quem usa de hipocrisia é hipócrita. O senhor está me dando a liberdade de usar a expressão que eu quiser ao me dirigir ao senhor. Entretanto, fique tranqüilo porque minha índole não me permite devolver a mesma moeda. O senhor me pergunta “o que tenho feito pelos pobres brancos e pelos negros desse país”. O senhor deveria ter me perguntado “o que tenho feito pelos pobres do país”. O senhor, mais uma vez, considera o fato de ser negro, obrigatoriamente ser pobre. E quanto ao que tenho feito pelos “POBRES DESSE PAÍS”, queira me perdoar mas não lhe devo esta satisfação. Nunca lhe perguntei e nem quero saber sobre o que o senhor faz. Não, eu não me esqueço de nada. Lembro até que o senhor se referiu, com desdém, aos burgueses e à elite quando, na verdade, o senhor é um deles. Fato este que para mim só o enobrece. O senhor se formou sem a necessidade das “cotas” evidentemente. Não foi bom se formar por puro mérito? Meu caro, toda nossa polêmica (no bom sentido) versava somente sobre o ingresso de negros na universidade através de “cotas”. Outros assuntos não foram abordados e me recuso a discutir coisas tão óbvias. DOU POR ENCERRADO NOSSO DIÁLOGO.
    Um abraço.

  16. Gusnob says:
    Mon, 29 December, 2008 at 04:58 PM

    Prezado senhor Roberto Haddad,

    quero deixar bem claro que só entrei nesse debate porque, em comentários anteriores, foi questionada a consciência do “cidadão negro comum trabalhador” e porque foi atribuída aos africanos – que aqui chegaram através dos navios negreiros – a culpa pela escravatura. Ou seja, a polêmica não “versava somente sobre o ingresso de negros na universidade através de ‘cotas’” – que para mim é um assunto recorrente. Só não podemos fingir que o Brasil não é um país carregado de preconceito, e quem não respeita o seu semelhante não é digno de viver em uma sociedade.

    Farto de tantos argumentos inconsistentes e atendendo ao seu pedido: FIM DE DISCUSSÃO!!!

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