Cartas Entre Amigos
Patricia Haddad | Tue, 19 May, 2009 | 11:17 PMQual foi a última vez que você escreveu uma carta? Aliás, qual foi a última vez que você usou papel e caneta para registrar um fato, uma ideia? Não, recadinho para alguém dizendo “fulano ligou” não vale. Pergunto qual foi a última vez que você, que está lendo este post agora, dedicou-se a escrever um texto usando papel e caneta – ou lápis, tanto faz. Anos, não é mesmo?
Lembro que já tive o hobby de escrever cartas, lá pelo fim da adolescência. Correspondi-me por algum tempo com uma americana e escrevia as cartas em forma de diário durante alguns dias. Contava das coisas que aconteciam aqui, o que passava na tv, as diversões de fim de semana. Era uma delícia caprichar na caligrafia, prestar atenção para não errar e ter que rasurar. Demorava até meu envelope chegar lá, assim como demorava para o dela chegar.
Veio a internet. Email. Poucas palavras rapidamente digitadas, erros deletados, envio instantâneo em tempo real. E lá se foi aquele encantamento. Ok. Reconheço que há emails e emails. Eu mesma já escrevi verdadeiros capítulos de livro. Mas, no geral, as mensagens de correio eletrônico são curtas, escritas com muitas abreviações. Vc sabe do q tô falando e tb deve escrever assim.
O educador Gabriel Chalita e o padre Fábio de Melo são amigos. Ambos com currículo invejável, capazes de pensar sobre a vida atual de forma densa, mas, ao mesmo tempo, simples. Queriam escrever juntos um livro sobre os medos contemporâneos que afligem o homem: morte, solidão, fracasso, paixão. E decidiram fazer isso de uma forma singela: trocando cartas!

Em 18 correspondências trocadas, Gabriel e padre Fábio abordaram suas inquietações e visões sobre o mundo em que vivemos. O resultado foi Cartas Entre Amigos, um livro de 240 páginas, lançado aqui no Rio no último dia 14 na Academia Brasileira de Letras. Centenas de pessoas foram prestigiar a nova obra dos autores e pegar um autógrafo também, claro. Devido à quantidade de pessoas, o processo acabou sendo um tanto automatizado e rápido. Poucos tiveram o privilégio de trocar uma palavra com eles – e eu NÃO fui uma delas. Uma pena.

O fato mais curioso foi a reação da estudante Ana Beatriz, de 19 anos. Acompanhada das amigas Fernanda, de 15 anos, e Camila, de 16, a moça que frequenta a paróquia de São Sebastião, em Itaipu, Niterói, ficou extremamente emocionada ao ver o padre Fábio de Melo. Caiu no choro. Há mais de um mês ela aguardava o dia em que poderia vê-lo de perto. “Ele é simples, apesar de toda a fama. É inteligente e sensível. Sempre arranja soluções simples para os problemas. Na verdade, não resolve os problemas em si, mas dá palavra de consolo.“

Ana conheceu o trabalho do padre há pouco tempo, por meio da Canção Nova. Reconhece que a beleza e o fato do padre ser jovem atraem muita gente. No entanto, ela acredita que quando se conhece o padre Fábio mais de perto é possível perceber que ele não é apenas uma imagem bonita. No próximo sábado, dia 23, Ana estará no Canecão para apreciar o trabalho como cantor do padre Fábio de Melo.
Mais fotos minhas aqui e do Bruno (“o fotógrafo”) aqui.
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Gostaria muito de ter participado desse evento. Ja ouvi falar de Gabriel Chalita e do padre Fábio de Melo. Na proxima não perco.
Uma pena não ter ido. Gostei do post.
Bjos =**
Oi, Patrícia!
Eu já usei muito o International Pen Friends. Bons tempos aqueles!
Beijos e sucesso!!!
Eu cheguei a contar 300 amigos por correspondência ao mesmo tempo, depois disso eu perdi as contas.
A culpada de eu ter parado de me corresponder foi a Internet. No começo até tentei conciliar as duas coisas, fiz um site só sobre amizades por correspondência, mas com o tempo e a falta dele, desisti.
Tenho certeza de que, se eu tivesse escolhido uma profissão que dependesse menos da tecnologia, eu manteria esse hábito religiosamente até hoje. Mas de vez em quando eu ainda troco correspondências com pessoas que me devolvem Friendship Books de cinco anos atrás e com pessoas que conheço por meio do Trocando Livros.
Apesar de ter menos tempo para as cartas atualmente, posso garantir que é um hobby delicioso e insubstituível. A internet só ocupou o tempo que eu dedicava a essa atividade, mas não dá nem para comparar uma coisa com a outra.
O livro é maravilhoso!
[...] participou do lançamento do livro Cartas Entre Amigos: sobre medos contemporâneos e escreveu um simpático post em seu blog falando do livro, do lançamento e do hábito de escrever cartas, do qual fui fiel praticante [...]
Bom Dia !!!
Eu sempre gosto de escrever cartas romantica,tenho em um caderno com várias cartas de minha autoria.Gostaria de registra-las vende-las ou até mesmo publica-las, só q ñ tenho condições financeira para isto .Gostaria de uma colaboração neste sentido .
Desde já grata pela atenção.
Ass. Fatima
São paulo 04 de outubro de 2009
Bom dia, Fátima.
Primeiramente, acredito que cartas não deveriam ser escritas com o intuito de vendê-las. No entanto, se você tem vontade de fazer algo no estilo desse livro apresentado no post, vá em frente. Busque seu sonho.
Infelizmente, não tenho como te ajudar. Eu apenas relatei o lançamento do livro. Não sou do ramo editorial e não faço ideia dos trâmites necessários.
Boa sorte.
Muito bom o post. Parabéns!!!