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Sobre o caso Rafael Mascarenhas

Patricia Haddad | Fri, 30 July, 2010 | 11:50 AM

Há mais de uma semana que os noticiários falam da morte do músico Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães e do músico Raul Mascarenhas. Uma tragédia, certamente, mas que a meu ver tem ingredientes um tanto deturpados. Muitos pontos não saem da minha cabeça e decidi escrevê-los aqui.

Rafael morreu atropelado enquanto andava de skate dentro de um túnel interditado para manutenção. Que eu saiba, túneis nunca foram áreas de lazer. Portanto, creio que praticar qualquer atividade dentro deles não seja algo que se possa considerar correto. Se no lugar do filho de uma atriz famosa e de um instrumentista também conhecido estivesse um garoto qualquer, será que já não teriam abordado isto (a questão do local ser proibido) na mídia? Aliás, fosse qualquer outra pessoa não conhecida ou filha de conhecidos, será que teríamos tanta cobertura assim? Fica a pergunta.

O atropelador Rafael Bussamra acusa policiais de terem pedido a quantia de R$ 10 mil para, digamos, esquecerem o caso. O pai dele afirma ter pago R$ 1 mil. Corrupção é crime tanto para quem a propõem como para quem a aceita. No entanto, só ontem ouvi em algum telejornal a informação de que o atropelador e seu pai (e parece que até seu irmão mais velho) podem ser processados por corrupção. Podem? Acho que o destaque para este detalhe tem sido pequeno demais.

Também ontem ouvi que os amigos de Rafael pretendem fazer dois pedidos às autoridades. Um deles é que os túneis interditados para manutenção sejam abertos ao lazer. Ora! Será que precisamos mesmo destes espaços, que só ficam fechados durante as madrugadas? Precisamos que os jovens passem noites inteiras se divertindo em locais insalubres como os túneis desta cidade? Se faltam locais para a prática de certas atividades, que se peça a construção deles em áreas apropriadas!

O segundo pedido é para que o Túnel Acústico, onde ocorreu o acidente, receba o nome de Rafael Mascarenhas. Eu entendo a dor que a mãe deve estar sentindo. Entendo a dor que pai, demais familiares e amigos devem estar sentindo. Entendo o desejo de se fazer homenagens ao garoto. Entendo as flores, a música – mas não as “pinturas” feitas nas paredes do local. Agora, no meu entender, mudar o nome do túnel já ultrapassa um pouco o bom senso. Tivesse sido um dos trabalhadores dos serviços realizados ali (o que seria perfeitamente possível) será que prestariam a mesma homenagem? “Túnel Acústico Fulano de Tal, que morreu atropelado aqui enquanto trabalhava em área interditada a veículos.” Mais uma pergunta que fica.

Por último, quero falar do descaso das autoridades. Um dos amigos de Rafael apareceu na tv dizendo que a prática de skate naquele local (e me parece que em outros túneis) é antiga. Há anos jovens usam os túneis interditados para manutenção durante as madrugadas para andar de skate e segundo tal amigo de Rafael nunca ninguém chegou para impedi-los. E aí fico pensando: se o poder público (estado ou prefeitura, não sei ao certo qual dos dois neste caso) já tivesse tomado providências antes talvez Rafael ainda estivesse vivo. Afinal, havia gente trabalhando ali dentro e quem garante que atividades de lazer não poderiam interferir nos serviços?

Fico por aqui, apesar de ainda ter muitas observações a fazer. O assunto é delicado e triste, melhor deixar que cada um tire suas conclusões.

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atropelamento, Rafael Mascarenhas, skate, TÚnel Acústico
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Freud explica?

Patricia Haddad | Tue, 27 July, 2010 | 11:03 PM

No início de abril, disse que estava voltando. Pois é, eu acreditei mesmo que estava voltando, mas, como vocês podem perceber, não escrevi mais nada desde então. Assunto não falta. As três esferas do governo me inspiram diariamente. E talvez seja justamente isso que tenha me afastado do blog.

Acho que me censurei. Nunca tive a pretensão de receber milhares de visitas ou me tornar pro-blogger. Esse espaço era apenas minha válvula de escape e acho que perdi um pouco da disposição em falar das coisas que me provocam. São, geralmente, assuntos polêmicos, a maioria referente à política e eu… eu acho que me censurei.

Sei que preciso voltar. Dia após dia ouço coisas e começo a imaginar o texto. E então lembro que não tenho vontade de escrever aqui. Não aconteceu nada de concreto que justifique isso. Apenas formou-se um bloqueio. E sei que não sou a única, pois já li um post em outro blog relatando a mesma coisa.

Hoje vi que preciso escrever. Reli muitos posts e senti saudade da blogueira que eu era. Sem promessas, digo que vou tentar.

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