Caso Varig – parte 4
Patricia Haddad | Wed, 11 June, 2008 | 05:59 PMDenise Abreu disse que na época em que tudo aconteceu, a marca Varig já não valia mais nada fora do país. Só nós aqui dávamos valor à Varig, por questões históricas – e de afinidades, completo eu. Segundo Denise, o aeroporto de Heathrow já não queria a empresa voando para lá, pois não conseguindo chegar em seu slot, ou seja, no horário certo, acabava acarretando atrasos para outras companhias.
Com tristeza, admito que Denise tem razão. Do jeito que as coisas iam é bem provável que a marca Varig estivesse desgastada no resto do mundo. No entanto, e eu destaco esse “no entanto”, a marca era recuperável. Disso não tenho dúvidas. Uma história de quase 80 anos não se destrói com uma crise de dois ou três anos. Seria difícil? Seria. Mas entre difícil e impossível vai uma longa distância.
O fator principal para a recuperação da marca Varig a empresa tinha: seus funcionários. Tirando uma boa camada de cima, que durante anos só enxergou o próprio bolso, os funcionários da Varig eram apaixonados pela companhia. Trabalhavam com amor à aviação e à Pioneira. Levavam o assunto a sério. Foram eles, os funcionários, e aqui incluo os aposentados, que fizeram a Varig ser o que foi. Foram os funcionários que passaram pelos 80 anos de existência da empresa que a tornaram referência em questão de qualidade, segurança, eficiência. E foram eles que mantiveram a empresa voando até o fim, sem parar, apesar de todas as tentativas nefastas deste (des)governo de falir um dos maiores patrimônios brasileiros.









Patricia, tive amigas francesas que trabalharam na Varig Paris e vestiram a camisa da companhia. A Varig encantava os passageiros e os funcionários. Suas agências eram um porto seguro para brasileiros lá fora.
Se nos últimos anos fraquejou, tirando o peesoal corrompido, tudo poderia voltar ao que era antes.
É imperdoável o que fizeram com essa que era um orgulho do Brasil. Mas pior foi o crime com funcionários que contavam com suas aposentadorias e que hoje passam necessidade. Crime!
O pior é que acho que esses depoimentos não vão dar em nada. Ando inteiramente desesperançada. E isso não perdôo a esse governo.
Minha família nasceu dentro da VARIG
Minha família nasceu dentro da VARIG. Meus pais se conheceram num curso da empresa na
Bahia. Meu pai trabalhou na pioneira por 35 anos. Eu por 10 anos. É e sempre será orgulho o nome e todos aqueles que fizeram parte dela. É uma marca que espero, não desapareça com o tempo. Eram funcionários apaixonados com o que faziam. Meu pai por exemplo, durante as 3 décadas e meia em que trabalhou na varig, nunca faltou ao trabalho. Quando chegávamos em algum avião ou escritório da varig no exterior, é como se estivéssemos em solo brasileiro. Isso é indescritível e duvido que outra companhia, tenha um legado parecido.