Comentando comentários
Patricia Haddad | Wed, 20 September, 2006 | 08:06 PMEu tenho leitores. Que comentam. E – pasmem! – opinam sem pudor. Para quem adora escrever e tenta fazer disso seu ofício, nada melhor ver que seus textos provocam, instigam, fazem as pessoas se expressarem de alguma maneira. De tal forma que fui obrigada a criar um post sobre isso.
Ok. São apenas dois os comentários que me levaram a escrever sobre eles. Mas o número não importa. Hoje, dois. Amanhã, quiçá, 20. Aprendi com o Justus que ambição nem sempre é defeito… (risos) Portanto, que venham novos leitores e que eles façam comentários tão interessantes quanto os do Leonardo Soares e do José Alberto Farias.
O Leo comentou sobre o post das magrelas. Diz ele: “Foi uma decisão de cima para baixo. Não funciona. O ideal é que fosse uma decisão das pessoas comuns, não uma regra imposta pelo estado. As pessoas dizendo: “Não, não vou deixar de comer isso porque estou acima do meu peso Cosmopolitan”. As pessoas devem se preocupar se estão acima do peso segundo os médicos.”
Quando eu terminei o tal post, eu disse que ainda faltava muita coisa pra dizer. Uma delas tinha a ver com a opinião do Leo. Com toda a certeza, o fator determinante deveria ser a saúde, o seu bem estar físico, e não o que o mundo diz que você tem que ser. “Peso cosmopolitan” foi uma excelente sacada!
Mais adiante nos comentários, Leo afirma que “se tem gente fazendo regime pra caber numa roupa, a culpa não é da roupa (…) a pessoa que tem que se tratar (da cabeça).” Concordo em parte. Acredito que ninguém deva virar escravo de padrões ditados a esmo, mas hoje em dia, basta uma volta no shopping para ver que ou você se esforça para caber na roupa, ou procura lojas especializadas em números grandes. Meio termo anda em falta. Eu que o diga.
Já o José Alberto comentou sobre a Varig. Eu admito que meu texto é um tanto apaixonado e, como toda paixão, tem um quê de exagero. Mas em momento algum fiquei cega frente a tudo o que levou a Varig a esta situação atual. Acontece que a mídia, de modo geral, andou massacrando a empresa além da conta. Foram inúmeros os fatos que alguns que aqui freqüentam conhecem bem. Pois resolvi fazer o contrário.
Como ex-funcionária e filha de aposentado, sei bem de toda a má administração que contribuiu (reparem bem, eu disse CONTRIBUIU) para o caos que se instalou. Mas isso não isenta o governo (atual e anteriores) da sua parcela de culpa. Poderia falar dos demais, mas prefiro me concentrar neste dos incomPeTentes. Afinal, se alguém tinha a faca e o queijo na mão para ajudar a Varig, esse alguém era o Lula. Era. Não foi.
Que fique bem claro que, quando falo em ajudar, não acho em hipótese alguma que devesse ser usado dinheiro público para tapar buracos, ainda que o meu, o seu, o nosso dinheiro já tenha socorrido bancos e outras empresas companheiras. Gostaria apenas que a União pagasse à Varig os mais de R$4 bilhões que deve, e que ajudariam muito a solucionar grande parte dos problemas da empresa. A ação ainda está à espera do julgamento do último recurso, mas o governo não tem pressa. Pressa pra quê? Foram apenas 5.500 pessoas demitidas sem nada receber, como a imprensa já bem divulgou.
Gostaria também que a Varig recebesse o que 15 estados devem a ela referente a cobrança indevida de ICMS. Seria mais R$1,3 bilhão nos cofres da empresa, que desta forma poderia pagar aos ex-funcionários seus direitos trabalhistas e começar a se reerguer. Só isso. Nada além disso. Apenas o que é de direito da companhia receber. Só. Nem mais nem menos. Só o justo. Difícil demais de entender, governadores e presidente?
Torno a dizer que admito ter feito uma defesa apaixonada da empresa, com umas tintas um tanto fortes. Mas é uma opção. A competência na gestão pode não ser nenhum case de sucesso, mas a dignidade com que os funcionários levaram a empresa até o leilão, e a que os que continuaram na empresa ainda demonstram, merecia um pouco mais de consideração daquele que se diz o presidente do povo, pertencente ao Partido dos Trabalhadores. Se não por serem empregados de uma empresa em grave crise financeira, ao menos por serem BRASILEIROS.
P.S.: tenho a ligeira impressão que continuo carregando nas tintas, mas não sou mesmo fã dos tons pastéis.










