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Quadro de Luz

Patricia Haddad | Tue, 05 September, 2006 | 06:45 PM

Domingo tem cara de museu. Sei lá, talvez seja porque eu só vou a museus (e afins) aos domingos. E neste último fui ver a recém inaugurada exposição do Jô Soares, Quadro de Luz.

Bem, esperava mais. Quando li a respeito na coluna Gente Boa do Segundo Caderno, achei que a tal da Digicromia ou Pintura Digital era alguma coisa surpreendente e inovadora. Na verdade, a técnica utilizada por Jô nos deixa com uma grande dúvida a respeito do quanto há de participação real do artista na obra. Explico.

A digicromia funciona da seguinte maneira: primeiramente, o “artista” faz o desenho em papel. Depois, o desenho é digitalizado (por quem?) e manipulado por programas de computador (novamente: por quem?) algumas dezenas de vezes. Só então é enviado para um bureau de impressão, ou seja, uma loja (por assim dizer) específica que imprime a imagem em uma tela, dessas de quadro, utilizando tinta acrílica. O resultado, visualmente falando, é o de um quadro pintado a mão, mas sem as pinceladas.

Agora, eu pergunto: se quem digitalizou as imagens tiver sido outra pessoa, se quem as manipulou no computador, aplicando 15 filtros do Photoshop e criando 3 layers a mais tiver sido outra pessoa, e se quem imprimou a imagem em uma tela foi de fato uma outra pessoa (neste caso, o bureau), até onde vai a importância do artista no que está pendurado na parede?

Além disso, o que eu vi lá nas paredes da Casa França Brasil não chegou a me encher os olhos. Sei que, muito provavelmente, estou na contramão da crítica de arte atual, que deve estar falando horrores (no bom sentido) sobre a exposição. Mas, democracia é democracia, o espaço aqui é meu, tal qual a opinião (risos!). Deixando a pseudo-arrogância de lado, o fato é que eu esperava mesmo algo super-hiper-mega diferente. Talvez este tenha sido o problema: eu superestimei o que ia ver. Mas, depois que vocês visitarem Quadro de Luz, digam-me o que mais há escondido no quadro cheio de lâmpadas repetidas…

 

P.S.: eu recomendo a ida à exposição porque cultura é cultura, e você tem que estar por dentro do que rola na cidade, ainda mais quando é de graça…

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Cultura, Exposição
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digicromia, Exposição, Jô Soares, pintura digital, Quadro de Luz
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Anish Kapoor

Patricia Haddad | Tue, 29 August, 2006 | 04:22 PM

Anish Kapoor no CCBBDomingo fui ao CCBB ver a exposição do artista plástico anglo-indiano Anish Kapoor. Fui mais pela curiosidade, dado o que eu tinha ouvido falar, do que por gosto. Não sou chegada a coisas meio “cabeça” e não esqueço a péssima experiência que tive em uma Bienal de Artes de São Paulo. O monte de pilhas de papéis e outras coisas sem nexo que vi no Ibirapuera me deixaram traumatizada. Só valeu mesmo pelas companhias, que eram adoráveis. Mas, se aquilo é arte, me desculpem, fico com meus desenhos do jardim de infância.

Mas, Bienal à parte, o fato é que me surpreendi. Ascension é cabeça. E Ascension é legal. Muito legal. Apesar de pequena, a mostra tem tudo para prender o vistante por bastante tempo. Experiência própria. Já fui a exposições bem maiores onde fiquei bem menos tempo. Lá, não. Só na primeira instalação devo ter ficado quase 20 minutos, observando o subir de uma fumaça aprisionada em seu próprio eixo. Isto na primeira vez que parei para observar a obra, pois ainda parei novamente, desta vez no segundo andar, para observá-la de outro ângulo. Incrivelmente, a fumaça não toma conta do espaço e segue firme, rumo à cúpula da rotunda. O tempo passa e a gente fica ali, olhando pro ar…Ascension - a fumaça ruma à rotunda da cúpula

Além desta primeira obra, que muito justamente dá nome à exposição, há ainda nove outras instalações para se experimentar. Sim, experimentar, pois causam as mais diversas sensações nos visitantes, desde a ilusão do infinito até uma simples gargalhada. É, definitivamente, um programa imperdível e, o que é melhor: GRÁTIS.

No folder distribuído pelo CCBB, há uma parte que chama a atenção:

“…a verdadeira matéria-prima de Kapoor não é matéria, mas tempo, ou melhor, a desaceleração do tempo, invocada pelo impacto de sua arte.”

A julgar pelo tempo que fiquei admirando Ascension, os longos minutos que fiquei assistindo ao vídeo Wounds and Absent objects e todo o resto, o trecho acima citado faz todo o sentido. Tempo é algo que a gente esquece que existe quando visita esta exposição.

Vídeo da instalação Ascension

 

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Anish Kapoor, Ascension, CCBB, Exposição
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