Fashion Rio Outono Inverno 08 – parte 2
Patricia Haddad | Fri, 18 January, 2008 | 09:53 PMOk, lição número um aprendida: as roupas que vemos nos desfiles de moda não são, necessariamente, as que vão ser vendidas nas lojas. O que os estilistas mostram nestes eventos são conceitos, tendências, referências – seja lá o que essas coisas signifiquem. A forma teatral como muitas vezes as coleções são apresentadas até me agrada bastante. Acho legal este tipo de exibição, este espaço para se criar algo que não é uma peça, não é um show, não é um espetáculo de dança: é tudo-junto-ao-mesmo-tempo-agora. O que eu não consigo entender é essa coisa de mostrar “conceitos” e “tendências” com roupas que jamais poderemos comprar – e que também jamais usaríamos, de qualquer forma. Será que não se poderia criar o mesmo show com roupas usáveis e compráveis? O desfile da ADPAC, por exemplo, me agradou bastante no quesito “exibição”. O pessoal da Tobu-Le Parkour foi sensacional – e olha que o espaço era bastante limitado. No entanto… não havia uma meia sequer que me fizesse gritar “eu n-e-c-e-s-s-i-t-o de um par desses!!!”
Voltando ao meu dia no Fashion Rio, depois dos desfiles do Rio Moda Hype fui para a coletiva com Robert Guimarães sobre o lançamento do portal Roda da Moda. A apresentação aconteceu no HC da Oi, sendo HC as iniciais de hospitality center, o novo nome “muderninho” que arranjaram para os lounges, aqueles que, um dia, foram meros estandes. A Oi era patrocinadora do Fashion Rio, do Rio Moda Hype e do portal, mas não é que o pessoal do estande insistia em deixar a música nas alturas? O coitado do Robert foi interrompido umas 3 ou 4 vezes. Ele começava a falar e, de repente, o volume da música aumentava absurdamente. Foi preciso um piti básico para que o povo do tal do HC se lembrasse que a Oi era patrocinadora do negócio e, enfim, deixassem Robert apresentar o projeto. “Vocês querem me ouvir ou ouvir música?”, perguntou aos berros. Nem preciso dizer que foi aplaudidíssimo!
Da coletiva, parti para o Fashion Business. Vi muita coisa legal por lá. Acessórios variados, lingerie, roupa de festa, tecidos. Conheci umas meninas da Elles Cinq, uma empresa que está incubada na Veiga de Almeida e faz jóias lindíssimas. Fiquei completamente apaixonada por um pingente em forma de mandala, feito de ouro amarelo e pedras. Deslumbrante! Pena não terem permitido uma foto, mas quem quiser entrar em contato o email é ellescinq@gmail.com. Mas bom mesmo foi ter conhecido a Kátia Ferreira pessoalmente. Kátia é a criadora da Apoena, uma grife de Brasília que, na verdade, é uma ONG que gera renda para 600 bordadeiras. Os trabalhos são riquíssimos e muito bem elaborados. Eu já conhecia um pouco da história pois já tinha visto a Kátia no Sem Censura, programa apresentado pela Leda Nagle na TV Brasil (antiga TVE). Lá eu tive a grata felicidade de ver que Kátia é exatamente como eu e minha mãe vimos na tv. Doce, tranqüila, mas com um brilho no olhar ao falar da marca que deixa qualquer um contagiado.
Terminei o dia observando a extensa fauna que habita este tipo de evento. Vi modelo, vi garotinha que quer ser modelo, observei um fotógrafo caçando talentos, tv gravando matéria, gente à toa, avião chegando de São Paulo… Êpa! Peraí! Avião chegando de São Paulo? Pois é. Em plena Marina da Glória, com aquela vista privilegiada, eu não tinha como resisitir a alguns cliques da Varig. Ou tinha? A foto abaixo responde por mim.

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