Jogo dos 7 erros
Patricia Haddad | Wed, 13 August, 2008 | 10:53 PM
Responda-me com toda a sinceridade: tem muita diferença entre estas duas crianças da imagem acima, publicada na capa do jornal O Globo de hoje? Pois para os chineses comunistas, ditadores, absolutistas, malvados, ridículos e outros adjetivos mais tem. A menininha da direita é graciosa, e disso não discordo. Mas a da esquerda foi considerada feia. Feia, não! Horrível! Horrorosa! Tanto que apesar da voz estupenda não pôde subir no palco da cerimônia de abertura das Olimpíadas de Pequim. O mundo ouviu sua voz, mas viu uma menina “mais bonita” em seu lugar, dublando-a.
Não bastasse tudo o que o governo chinês faz com seus cidadãos, cerceando a liberdade de expressão entre outras coisas, ainda temos que nos deparar com esta maldade sem tamanho cometida contra uma criança de 6 ou 7 ou 8 anos. Isso é inconcebível para mim. Não sei, sinceramente, o que o mundo está esperando para deixar claro o seu repúdio a tal atitude. O fato, que no início achei que fosse mentira, foi confirmado hoje por um dos organizadores. Sim, Yang Peiyi foi substituída devido à sua feiura.
O mentecapto ainda teve a coragem de comparar esta substituição com a que é feita por um técnico antes de uma competição esportiva. Ora, um atleta DEVE ser trocado por outro que esteja em melhores condições físicas. Até aqui, nada errado. A condição exigida para se apresentar na festa de abertura era ter a melhor voz. Yang Peiyi tinha a melhor voz. Ela ganhou o concurso. Mas não tinha a melhor cara, ainda que seja tarefa hercúlea distinguir os indivíduos chineses.
Nem vou falar aqui do episódio do acrobata que se acidentou durante uma apresentação no intervalo de um jogo e que a China faz questão de esconder. Nem da questão dos fogos mostrados na tevê que, na verdade, eram imagens gravadas e com inserção de computação gráfica. Só posso supor que a China quis se afirmar mesmo como o país da pirataria, das coisas falsificadas, da enganação, do gato por lebre. Conseguiu. Nem o Paraguai faria melhor.
Por essas e outras, o título desse post podia ser O Jogo dos Infinitos Erros Cometidos Sistematicamente pela China. Só o China in Box mesmo se salva. Ainda.
Por essas e outras
Há cinco anos, eu estava em uma sala de aula da faculdade de jornalismo. Recebi uma ligação por celular do meu pai, informando o que acontecia em Nova York naquele momento. Imediatamente, eu e o restante da turma seguimos para o nosso centro de produção e lá ficamos assistindo à tragédia pela tevê.







