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Contagem regressiva – 4

Patricia Haddad | Fri, 28 December, 2007 | 07:18 AM

Ontem, 360 dia após o início do ano, quando entramos naquele período em que achamos que nada mais vai acontecer, um plantão na Globonews me faz ver que nunca é tarde para se causar uma revolução. Assim como o slogan da Band News, que diz que em 20 minutos tudo pode mudar, percebi que em cinco dias tudo pode mudar também.

Benazir Bhutto, ex-primeira-ministra e líder da opisição do Paquistão, foi morta em um atentado suicida. Outras 20 pessoas também morreram. E, junto, lá se foi mais uma chance de levar um pouco de paz ao Oriente Médio. O mundo está fervendo, a repercussão foi a pior possível em todos os cantos. Por mais que tentem me explicar, eu não consigo entender porquê tanta guerra daquele lado do planeta.

Há quem tente justificar as atitudes extremistas daquele povo com explicações religiosas. É a crença deles. Alá os conduz. Ok, eu sei que eles agem conforme acreditam ser o certo, mas não adianta, eu não consigo aceitar tanta intolerância religiosa e política em lugares tão pequenos. Os países árabes têm uma história tão bela, tão rica, mas tudo é posto abaixo em nome de uma fé que mata, que destrói, que intimida, uma fé cega desproposital.

Com sangue árabe correndo nas minhas veias, fico muito triste a cada nova bomba que explode por lá, a cada novo confronto. Além da questão humanitária, já que cada ação dessas mata muita gente, os fatos representam, para mim, uma chance a menos de poder, um dia, conhecer aquele lado tão belo da Terra. O sonho de poder ir ao Líbano e ainda visitar países vizinhos fica cada vez mais distante, mais impossível. E tudo o que nos resta é lamentar.

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Contagem regressiva – 5

Patricia Haddad | Thu, 27 December, 2007 | 06:45 AM

Daqui a um dia será 28 de dezembro. Daqui a dois, 29. Três, 30. Em 4 dias estaremos no dia 31 e, finalmente, em 5 parcos dias já estaremos em 2008.

Dizer que o ano voou é um clichê necessário. Ou alguém aqui acha que demorou muito para atravessarmos de 1º de janeiro de 2007 até hoje? Pois é. O ano voou, e acho que foi a única coisa que voou decentemente neste país. As outras coisas que deveriam voar também, andaram a passos de tartaruga. Vejamos:

- as votações para decidir o destino da CPMF em 2008. Sucessivos adiamentos, demoras, discussões. Aliás, quase que a votação ficou para o próximo ano. O governo chegou a dizer que preferia perder um ano de arrecadação a amargar uma derrota histórica. Resolveu arriscar. Amargou uma derrota histórica. Iupi!

- as votações para a cassação de Renan. Nem preciso dizer a palhaçada que foi. Vou poupá-los de mais considerações.

- os aviões. Quando os vôos não eram cancelados, atrasavam hooooras.  Aquele que deveria ser o meio de transporte mais rápido tornou-se sinônimo de longa espera e ineficiência. É o Brasil da Anac, do duopólio, da falta da Varig, do PT espalhado e pendurado por todos os órgãos públicos.

- as decisões da justiça sobre o caso Varig / Aerus. Os aposentados à mingua, os ex-funcionários à míngua, e o governo (dos trabalhadores, não custa lembrar) nem aí para nada. Tudo bem, tá tudo sendo anotadinho. Que ninguém reclame depois quando for devidamente cobrado pelo sofrimento que está causando a milhares de famílias.

Eu poderia continuar esta lista, mas vou parar por aqui. Sintam-se a vontade para utilizar os comentários e dizer o que mais deveria ter voado em 2007, além do próprio ano, mas andou a passos de tartaruga.

E por aí vai. A lista não tem fim.

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Dois pesos, duas medidas

Patricia Haddad | Fri, 30 November, 2007 | 05:53 PM

Digamos que eu fosse uma cantora. Digamos que eu lançasse um novo trabalho entitulado Branca. Digamos que esse “Branca” se referisse, essencial e unicamente à cor da minha pele. Na minha música de trabalho, haveria versos como A branca é de “finesse” e Na veia da branca corre sangue bom do bem. O que vocês achariam disso? Há algum traço de preconceito ou racismo nisso?

Pois bem. Leiam a letra da música de trabalho do mais recente álbum de Luciana Mello, chamado… Nêga. Então, tentem me explicar de maneira convincente porque uns podem usar esses termos e outros não.

Depois, quando eu falo que o preconceito maior vem justamente dos que se acham vítima, tem gente que discorda.

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Hipocrisia

Patricia Haddad | Mon, 26 November, 2007 | 07:48 PM

O ladrão que roubou o cordão de um turista italiano, provocando a morte do filho da vítima, que correu atrás do marginal, entregou-se espontaneamente hoje à polícia. Mas não foi uma entrega qualquer. De camisa de mangas compridas, abotoada até o colarinho, Rodrigo Carvalho da Cruz chegou à sede da Polinter, no centro do Rio, com uma bíblia na mão e acompanhado do pastor da Assembléia de Deus Isaías Andrade. Leia mais aqui.

Eu sou do tempo em que evangélicos fervorosos se consideravam pessoas acima de qualquer suspeita. No entanto, está cada vez mais comum ver bandidos perigosos “se convertendo” e “aceitando Jesus” atrás das grades. Também é mais do que comum vermos, hoje em dia, parlamentares da bancada evangélica envolvidos em escândalos dos mais absurdos.

Não pense, no entanto, que estranho o fato dos crentes estarem mostrando um outro lado de suas personalidades. Minha bronca é outra. O que me incomoda é o uso da religião – e aqui cabe QUALQUER uma – como um atestado “mil e uma utilidades” de bons antecedentes, boas intenções e arrependimento de todos os pecados. Fico danada quando ouço que o “deputado Bispo fulano” disse isso ou aquilo, ou que aquele sujeito que já fora o mais procurado da polícia agora é pastor dentro da penitenciária.

Apesar de ter citado exemplos envolvendo apenas evangélicos, acreditem: há gente mal intencionada, preconceituosa, tacanha, mesquinha e hipócrita em qualquer lugar, escondida sob o escudo das mais variadas religiões.

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Consciência Negra

Patricia Haddad | Tue, 20 November, 2007 | 09:32 PM

Acho super válido existir um dia para se celebrar o que quer que seja. Até mesmo um dia para se celebrar as coisas mais fúteis, como o Dia das Saudações, que se comemora amanhã; o Dia do Revendedor,  em 20 de junho; Dia do Gerente Bancário, 15 de maio; Dia do Cacau, 26 de março; ou Dia da Saudade, 30 de janeiro. Nada contra mesmo. Afinal, são inofensíveis, não nos causam nada, não geram custos nem causam prejuízos, de modo que acho até engraçado quando descubro que em certo dia se comemora algo exdrúxulo.

Assim sendo, acho que está mais do que claro que sou totalmente a favor da existência do Dia da Consciência Negra. O que eu ainda não consegui entender é o porquê da necessidade de ser feriado em duzentos e tantos municípios brasileiros. É claro que eu, que não sou dona de comércio, não sou empresária nem tenho funcionários achei muito bom descansar no dia de hoje. Mas é preciso ser justo: muita gente perde dinheiro com este excesso de feriados. Pior ainda quando cai assim, tão perto de outro e com um final de semana no meio, fazendo com que muita gente – incluindo aí os funcionários públicos cujos salários são pagos por nós – saísse do trabalho na última quarta-feira para só retornar amanhã, outra quarta-feira. Seis dias de inatividade sustentados por NÓS.

Em 2001, ainda na faculdade, fui fazer uma matéria sobre o dia de hoje no monumento ao Zumbi na Av. Presidente Vargas, centro do Rio. Estava com uma colega, a Tatiana, bloquinho em uma das mãos, gravador na outra, câmera fotográfica pendurada no pescoço. Depois de ouvir diversas “autoridades” e de presenciar a chegada de ônibus com participantes (incluindo crianças e bebês) do Movimento dos Trabalhadores Urbanos e do Movimento dos Sem Terra (não me pergutem o que eles têm necessariamente a ver com a consicência negra), perguntei a uma pessoa por que tinha que ser feriado neste dia e se não bastava comemorar com eventos. Uma moça negra ouviu e quase me bateu. A raiva dela ficou registrada no meu gravador. Fui salva pela Tati. Não obtive resposta para a minha pergunta, mas, a esta altura, já nem me importava mais com ela. O comportamento da tal moça me revelou muito mais coisa do que qualquer resposta poderia me dizer.

Este episódio soou para mim como uma clara demonstração de preconceito partindo dos próprios negros. A existência deste feriado, as cotas para negros em universidades e tantas outras medidas afins só ratificam uma segregação que eu até concordo que existe, mas que é bastante reforçada por eles próprios. Continuo achando super válida a comemoração de hoje. No entanto, o Dia do Índio não é feriado e não me consta que exista o dia da consciência branca ou amarela ou de qualquer outra cor. Portanto, também continuo achando o feriado desnecessário, além de fator segregador.

(Vou procurar fotos deste episódio para colocar aqui depois)

Leia também: Consciência em Falta

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(As pedras, por favor!)

Patricia Haddad | Sat, 09 September, 2006 | 10:19 AM

Estou cheia de assuntos de ontem para escrever, mas são aqueles assuntos que exigem uma certa pesquisa e fotos para ilustrar. Portanto, só devem aparecer por aqui mais tarde, lá pela noite mesmo.

O motivo deste abre parênteses aqui é o que estou ouvindo. Enquanto arrumo umas coisas, resolvi forçar a barra e ouvir Guitar Jazz. Se deixar, só ouço Piano Jazz, mas precisava experimentar outros sons.

Tava tudo indo muito bem até que… até que começou uma música não apenas instrumental. Uma voz um tanto familiar, cantando em português, era João Gilberto.

Onde fica o botão para pular para a próxima música?

Desculpem, meu povo, mas uma coisa que nunca tive foi vocação para pseudo-intelectual. Não gosto? Não ouço! Nem digo que gosto só para parecer cult. É assim.

Tem gente que enche a boca pra dizer que gosta de Chico, Caê, João Gilberto, Bethânia. Desculpem-me os puristas, desculpem-me os amantes da música brasileira, mas eu confesso: não sou fã. Posso gostar de umas musiquinhas aqui, outras ali, de Chico e Caetano. Dos outros dois, acho que não salvo nem meio verso. mas é o MEU gosto, não é mesmo? E vivemos numa DEMOCRACIA, não é mesmo? De qualquer maneira, aceito as pedras que vão me atirar. Mas já adianto: tenho escudo de aço para este tipo de crítica!

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João Gilberto, Música, MPB
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