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Novidade

Patricia Haddad | Mon, 26 January, 2009 | 08:20 PM

Fui convidada para participar de um blog coletivo criado para promover o livro No País de Obama, do jornalista da Globonews Rodrigo Alvarez. No texto, Alvarez conta quem é e como pensa o povo que elegeu o primeiro presidente norteamericano negro. No blog em questão,publiquei o texto Um passo adiante. Cliquem no link, leiam, comentem, recomendem!

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Barack Obama, livro, No País de Obama, Rodrigo Alvarez
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Aniversário sem graça

Patricia Haddad | Sun, 05 October, 2008 | 08:53 PM

Hoje, dia de eleições municipais em todo o país, a Constituição Federal completa 20 anos e nós pouco temos a comemorar. Passadas duas décadas, 66 dos 250 artigos aprovados em 5 de outubro de 1988 continuam no papel. Por não terem sido regulamentados pelo Congresso Nacional, nunca puderam ser colocados em prática. Tenho certeza de que Ulysses Guimarães, que fez com que a nova Carta Magna se tornasse uma realidade, jamais imaginou que todo aquele árduo trabalho ficasse incompleto. Tenho certeza, também, de que se Ulysses Guimarães não tivesse morrido em 93, esta história teria uma trajetória diferente.

Todos os governos brasileiros destes últimos 20 anos têm culpa no cartório. Todos foram negligentes. Mas nós também fomos. Pouco fizemos neste tempo todo para mudar o que vemos de errado. E que não me venham falar dos caras-pintadas do Collor, porque aquele movimento não foi espontâneo, como expliquei em um post de 15 de março de 2007 e também em outro de 16 de agosto do mesmo ano. Apenas muito recentemente uma parcela da população começou a levantar a voz, a demonstrar a insatisfação, a reclamar e a denunciar. Foram os usuários de internet, mais especificamente os blogueiros, que começaram a mostrar que nem só de massa manipulável é feito o povo brasileiro. Infelizmente, este grupo de pessoas ainda é pequeno e rema verdadeiramente contra a maré para se fazer ouvir.

Parte desta acomodação que eu percebo na população em geral pode ser traduzida em algumas imagens que fiz hoje. Ruas imundas, banhadas de santinhos de candidatos porcalhões. Até dentro de zonas eleitorais eu vi lixo no chão. Lixo esse que na primeira chuva vai parar no bueiro, aquele que entope e inunda as ruas e que faz todo mundo reclamar da prefeitura no meio do temporal. Ora! Tá certo que nossos governantes (de todas as esferas) estão a léguas de serem eficientes. Mas enquanto não fizermos a nossa parte, enquanto acharmos que jogar um papelzinho no chão (dentre outras coisas) não é nada demais, pouco vai adiantar ter uma Constituição bacana.

Sujeira de políticos dentro de uma zona eleitoral Sujeirada nas ruas

Clique nas fotos acima para vê-las ampliadas e clique aqui para ver outras.

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"20 anos", "constituição federal", aniversário, candidatos, constituinte, lixo, políticos, santinho
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Nova lambança

Patricia Haddad | Wed, 10 September, 2008 | 09:08 PM

Mais uma vez, o pensamento retrógrado de algumas pessoas faz a justiça brasileira meter os pés pelas mãos e tentar tirar o sofá da sala…

Estava eu ontem, dia 9 de setembro, no meio do meu programa na RPB Web, lendo o Twitter como de costume para atender aos pedidos dos coleguinhas. Eis que, de repente, começo a receber informações sobre uma nova polêmica envolvendo a internet. O problema, na verdade, tinha a ver com um site bastante badalado nos últimos tempos: o próprio Twitter!

Antes de mais nada, vamos às apresentações para os não-iniciados. Twitter é uma ferramenta de microblogging, com um quê de Orkut e, vez por outra, ares de MSN. Hein? Ok. Twitter é um site onde você cria sua conta para escrever textos de até 140 caracteres (microblogging). O objetivo original era que as pessoas dissessem o que estavam fazendo no momento, mas pelo menos aqui no Brasil o uso se diversificou bastante e até eventos importantes são cobertos por jornalistas por meio do Twitter. Depois de feito o cadastro, você adiciona, ou melhor, passa a seguir pessoas para ler o que elas escrevem e, da mesma forma, passa a ser seguido por quem se interessa pelo que você digita (Orkut). Não raro, alguns usuários contam detalhes da vida ou marcam encontros (MSN). Outra definição que li uma vez, se não me engano feita pelo @caribe, dizia mais ou menos o seguinte: “Twitter é como a sala do cafezinho, onde as pessoas se encontram para bater papo, trocar idéias e onde um da pitaco na conversa do outro.” (Ah, sim, todos os usuários têm o sinal “@” antes do nome e agora é comum as pessoas se tratarem por seus “arrobas” e não mais por seus nomes.)

Apresentação feita, passemos para a polêmica. Como qualquer rede social, ou melhor, como qualquer coisa na internet, perfis falsos se proliferam por lá. Qualquer um pode criar um email do tipo verafischer @ blablabla.com ou sergiocabral @ blebleble.com e se passar pelas figuras conhecidas. Nenhuma novidade – e só cai nessa quem quer. Da mesma forma, é muito fácil criar contas no Orkut e outros sites de relacionamentos em nome de gente conhecida. No Twitter não é diferente. Um dos usuários mais famosos é o @vitorfasano, que obviamente não é o ator, mas que diverte um bocado o pessoal. Também só acredita que os perfis famosos por lá pertencem aos próprios famosos quem quer.

Acontece que alguém teve a idéia de criar o perfil @LuizianneLins13 como se fosse a candidata do PT (por que será que não me espanto?) à prefeitura de Fortaleza. O criador não é exatamente o que podemos chamar de eleitor da moça. Ao contrário, é, provavelmente, um gaiato insatisfeito e fez isso só para provocar. Luizianne não gostou. Na verdade, deve é ter ficado mordida de raiva por não ter tido antes a brilhante idéia de usar essa fantástica ferramenta a seu favor. Vários candidatos utilizam o microblogging para se divulgar de forma sadia. Luizianne comeu mosca. O que fez a mocinha? Bateu o pezinho e exigiu a retirada do Twitter do ar. Insano? Calma que tem mais! Por mais absurdo que possa parecer, o TRE do Ceará acatou o pedido dela. Isto por si só já seria prova do total desconehcimento do mundo em que vivemos hoje, mas eles foram além. Tiraram do ar o Twitter Brasil, um blog dedicado ao Twitter, mas que nada tem a ver com ele. A história completa pode ser lida aqui.

Não foi a primeira vez que alguém – no caso, a candidata – deu claras demonstrações de despreparo para viver no século 21. Não há futuro. Ele já chegou. Ou estas pessoas pegam esse barco ou vão ficar para trás logo, logo. Ao mesmo tempo, a justiça brasileira também continua desatualizada e incapaz de resolver um problema tão anos 2000. O que tentaram fazer ontem, e ainda por cima acabaram fazendo de forma errada, foi tirar o sofá da sala como fez o português da piada depois de flagrar a esposa sentada nele aos beijos com o vizinho.

É preciso se fazer alguma coisa urgente contra essa burrice desmedida espalhada por aí. E é preciso fazer isso ONTEM.

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Rio 2016? Tô fora!

Patricia Haddad | Sun, 10 August, 2008 | 12:42 PM

Nunca fui daquelas pessoas que bradam por aí que é um absurdo realizar certos eventos grandiosos, seja no Rio, seja no Brasil. Pelo contrário: sempre achei que shows em Copacabana como o dos Rolling Stones ou o Pan do Rio eram excelentes oportunidades de dar visibilidade ao país lá fora e atrair mais turistas. Por isso mesmo, até ontem à tarde eu torcia para que o Rio ganhasse o direito de sediar as Olimpíadas de 2016, mesmo tendo o Lula (desculpem-me, leitores!) como garoto propaganda desta campanha lá em Pequim. Pois ontem à noite mudei de idéia.

Fui ao Galeão (perdão, Tom Jobim, mas o Galeão sempre será Galeão para mim) emitir um bilhete. Cheguei pouco antes das 8 da noite e enfrentei uma fila de mais de cinco doze minutos (meu pai cronometrou) para entrar no estacionamento do terminal 2. Motivo: apenas um único guichê, daqueles em que um funcionário precisa digitar dados do veículo em um sistema e aguardar a impressão do tíquete, estava aberto. Não bastasse isso, havia desorganização, com muitos motoristas querendo furar a fila. Lá na frente, uns 4 seguranças da Infraero batiam papo ao lado das cabines. Dar uma mãozinha e ficar lá atrás orientando os carros para quê?

Lá dentro é pior. Sinto vergonha alheia por ver o estado de abandono do aeroporto internacional da principal porta de entrada do turismo brasileiro. O acesso ao terminal em si é deserto, mal iluminado. Os banheiros estão em petição de miséria. As opções de lanches são poucas e caras e não são nada atraentes. Na hora de pagar a taxa de embarque, um susto: R$35,04 (sim, 4 centavos) para embarcar no Santos Dumont em direção a Congonhas e voltar. Um assalto. Se ao menos nossos aeroportos fossem de primeiro mundo, eu saberia onde o dinheiro é empregado. Definitivamente, não é o caso.

Na hora de ir embora, outra fila, desta vez um pouco mais demorada apesar de 2 guichês abertos. Acontece que o volume de carros saindo ao mesmo tempo era grande. Lembro que há algum tempo atrás o pagamento do estacionamento era feito em um quiosque dentro do terminal. Não sei porquê agora é direto na saída, o que é um retrocesso. Há uns dois meses estive lá e fiquei mais de 5 minutos na fila. Na hora de pagar, haviam se passado 2 minutos da primeira hora e fui obrigada a pagar por mais uma hora, mesmo estando “atrasada” devido à lerdeza do atendimento. Por que não adotam sistema igual ao dos shoppings? O tíquete de entrada deveria ser fornecido por uma cancela automática e o pagamento deveria ser feito em guichês dentro do aeroporto.

Enquanto isso, você, amigo leitor, que tem um notebook e é destemido, pode ir navegar na internet à beira da praia de Copacabana. Como todos sabem, equipamentos eletrônicos e areia foram feitos um para o outro e a orla do Rio, especialmente na zona sul, é lugar de segurança máxima. Por essas e outras é que acho um insulto que aquele senhor que se acha o dono do Brasil esteja lá em Pequim, acompanhado do Cabralzinho-que-adora-bicicleta, querendo trazer as Olimpíadas para cá. É assim que pretendem receber turistas e esportistas de todas as partes do mundo? Isto é uma afronta à inteligência de qualquer um. Não contem comigo para torcer pelo “Rio 2016″. Tô fora!

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Dois anos

Patricia Haddad | Thu, 31 July, 2008 | 09:18 AM

Sexta-feira, 28 de julho de 2006. Devido à falta de coisas para fazer no trabalho, tirei uma folga. A crise da Varig já estava insustentável. Fazia uns 25 anos que não acreditava mais no Papai Noel, mas continuava apostando que o governo faria alguma coisa para evitar que a primeira tentativa de se usar a Nova Lei de Falências desse errado. Papai Noel, pelo menos, nunca me deixou na mão.

À tarde, visitando uma tia com meus pais, recebo uma ligação. Uma colega de trabalho me avisava que nosso setor tinha acabado e que eu não deveria comparecer ao meu plantão de final de semana. “Tem certeza?” Sim, ela tinha certeza. O “Patrão” em pessoa tinha feito o doce comunicado. Deveria apenas me apresentar na segunda-feira para formalizar a minha demissão. Quem estava lá na companhia naquela sexta-feira já estava sendo despedido. As próximas 48 horas duraram quase 11 anos e meio.

Segunda-feira, 31 de julho de 2006. Tremendo, chorando muito, com uma raiva e uma tristeza descomunais, assinei aquela folha de papel que me dizia que meus serviços não era mais necessários. O crachá, que por 11 anos e meio ostentei orgulhosa no peito, foi devolvido como se nunca tivesse me pertencido. Deve ter ido parar em alguma caixa, junto com os outros milhares igualmente entregues pelos meus colegas, e todos devem ter sido destruídos. Incrédula, via pela primeira vez uma verdadeira demissão em massa como jamais achei que pudesse acontecer. Por baixo, cinco mil pessoas de uma mesma empresa desempregadas de uma hora para a outra.

Os dias seguintes foram horríveis. Quem tem querosene de aviação na veia como eu sabe que não foi fácil aceitar o fim da Varig. Ninguém conseguia acreditar que a Varig, aquela empresa com quase 80 anos de tradição, aquela que era sinônimo de segurança estava chegando ao fim. Não era possível que a tal da Nova Lei de Falências estivesse dando errado. Estava. Por mais que insistam em dizer até hoje que deu certo, eu afirmo: deu errado. Quem mandou achar que este (des)governo faria mesmo alguma coisa? O Coelhinho da Páscoa, pelo menos, nunca esqueceu meu ovo de chocolate.

Na imprensa só se ouvia o governo falar que haveria uma (milagrosa) solução de mercado. As demais empresas absorveriam os passageiros e os funcionários. E assim vivemos meses de confusões nos aeroportos. O caos se instalou de tal forma que até hoje viajar de avião é motivo de insegurança. “Será que vai sair na hora?” Nunca se sabe. O setor se degringolou para, provavelmente, nunca mais voltar ao que era. As congêneres, em particular as duas maiores – Tam e Gol – não deram conta do recado.

Para piorar, em 29 de setembro daquele ano um avião da Gol foi atingido por um Legacy. O boeing caiu, matando 154 pessoas. O jatinho aterrissou momentos depois com pequenas avarias na asa. Até hoje não há uma resposta definitiva sobre o caso, não se sabe o quê exatamente provocou a tragédia. O que se sabe, que veio à tona com este acidente, é que nosso controle aéreo está defasado, que nossos controladores são praticamente analfabetos em inglês, que há uma grande área de sombra na região da Amazônia e que a posição do transponder nos Legacys não é a mais apropriada. Os pilotos americanos continuam sendo os algozes. Mais fácil culpar os yankees, né?

A aviação brasileira continuou decaindo. O que um dia foi motivo de orgulho para todos os brasileiros agora era motivo de chacota. Tudo dava errado. Não houve ninguém que conseguisse atender à solicitação do respeitabilíssimo presidente desta república, que queria “prazo, dia e hora” para o fim do caos nos aeroportos. Não era para menos. A experiência de quase 80 anos tinha sido descartada, jogada no lixo como se não prestasse, como se não valesse nada.

Como se uma tragédia não tivesse sido suficiente para se aprender alguma lição, um avião da Tam pousa, não consegue parar e se choca contra um prédio da própria empresa. Quem seriam os culpados? Os pilotos, claro! Imagina se este (des)governo tem alguma responsabilidade! Claro que não. Ninguém inspeciona nada, ninguém controla nada, ninguém se importa de a pista de Congonhas é curta demais para suportar um Airbus lotado em dia de chuva. Segue-se uma palhaçada generalizada, CPI aqui, CPI ali, Anac lá, Infraero acolá, Tam em lugar algum, mas, enquanto isso, culpa-se os pilotos. Voltarão para se defender?
Os ex-funcionários seguiam desempregados e sem receber seus direitos trabalhistas. Seriam absorvidos pelo mercado, tinha vaticinado o (des)governo. Não é preciso muita inteligência para saber que se Lula prometeu, não era para acreditar. Mas o pior mesmo foi ver o (des)governo do Partido dos Trabalhadores deixar tantos trabalhadores na mão. Até hoje não representamos absolutamente nada para aquele senhor que se apoderou do planalto central. O ilustríssimo só se interessa por aquilo que pode ser re$olvido com uma bol$a e$mola qualquer. Não é o nosso caso.

Lá se vão dois anos. Muitas pessoas tentam refazer suas vidas de outras maneiras. Nem todos conseguem. Quem passou da barreira dos 40 está penando para conseguir uma oportunidade nesta terra onde quem se orgulha de ser semi-analfabeto chega à presidência da república, enquanto é preciso ter o segundo grau completo e disputar com gente com diploma universitário para varrer rua. Nestes dois anos vi o MST pintar e bordar com a anuência do ex-sindicalista. Vi outras tantas coisas já narradas neste blog. E tive cada vez mais certeza de que nunca antes na história deste país tivemos tanto cinismo e cara-de-pau a serviço de meia-dúzia de barbudos hipócritas, verdadeiros ditadores civis.

Por agora, chega. E olha que nem citei os aposentados do Aerus. Por isso mesmo, aviso que este texto poderá sofrer modificações ao longo do dia. Todas serão identificadas.

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Efraim falou!

Patricia Haddad | Sat, 26 July, 2008 | 10:56 PM

Conforme prometido, Efraim Morais divulgou nota na tarde desta sexta-feira sobre o episódio do contrato de publicidade entre o Senado e uma empresa de comunicação da Paraíba. O assunto foi amplamente discutido em vários blogs e sites, o que levou o Senado a modificar a página que exibia os dados do contrato e, posteiormente, mudar o próprio endereço da página. Tudo isso em menos de 24 horas após a divulgação do caso no Contraditorium.

No segundo parágrafo, o primeiro-secretário de senado diz que vários veículos andaram divulgando os valores erroneamente. Quem não está por dentro do caso acredita que a imprensa é realmente a grande vilã da história. Inventaram um montante diferente, muito maior, e tascaram nos jornais. Apenas no último parágrafo Efraim Morais faz uma breve referência ao (segundo ele) erro de digitação.

Não bastasse o texto tendencioso, no terceiro parágrafo o senador tem o displante de informar que o contrato não se limita à exibição do banner – na verdade, um mero gif animado pequenininho. Segundo o ilustre parlamentar, o acordo também envolve a divulgação de matérias de interesse nacional e regional, com chamadas na primeira página. Óóó!

Não somos tolos, senhor Efraim Morais. Qualquer um pode divulgar em seus blogs, até mesmo nos gratuitos, as notícias da Agência Senado. Basta citar a fonte. Portanto, não venha nos dizer que o site paraiba ponto com ponto br (não vou linkar para eles de graça!) precisa receber R$4.000,00 para fazer essa “gentileza”. Além do mais, o Senado não é um negócio, não é um estabelecimento comercial que necessita de publicidade, inclusive com comprovação do número de cliques. Isso é abuso, é dinheiro público jogado fora, ou melhor, dinheiro público usado com finalidades escusas.

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Vou querer um contrato também!

Patricia Haddad | Fri, 25 July, 2008 | 04:38 PM

O caso do banner do Senado foi notícia hoje na rádio CBN. A repórter falou sobre os contratos assinados sem licitação pelo senador Efraim Morais, primeiro-secretário da casa. Os convênios com sites da Paraíba, estado onde Efraim nasceu, são para a divulgação de um selo que, ao ser clicado, leva à página do Senado.

Sobre a falta de licitação, é preciso esclarecer que a mesma é dispensada quando a concorrência é inviável, como no caso de alguns trabalhos artísticos ou quando o serviço é exclusivo de determinada empresa. Acontece que os sites agraciados com o generoso contrato de R$48 mil não são únicos em suas áreas. Além disso, um deles pertence a uma empresa que também é responsável pela página pessoal do próprio Efraim Morais! Ó!

A assessoria de comunicação do senador informou que vai divulgar uma nota esta tarde. Mas que ninguém espere nada arrebatador. A nota deverá apenas explicar valores desses contratos que teriam sido divulgados de maneira errada em veículos de comunicação. Ou seja: aquele cache do Google dizendo que o contrato era mensal e cujo conteúdo integral eu baixei para meu computador é invenção da mídia. Só faltou dizer que foi tudo obra do PIG, Partido da Imprensa Golpista (viva PHA!).

Sobre a “coincidência” de os beneficiados serem todos da Paraíba, a assessoria de Efraim disse apenas que o senado pode assinar esses contratos com qualquer empresa que apresentar proposta. Estamos esperando o quê para abocanhar um contratinho merreca de R$48 mil, mesmo que anuais? 

* * *

P.S. 1: entre os brilhantes projetos de Efraim estão a criação do Dia do Sanfoneiro e de 97 cargos com salários de quase R$10 mil sem concurso público.

P.S. 2: o site do Efraim é tão bem gerenciado que na área de outras notícias a última atualização foi em 9 de abril.

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Nunca antes na história deste país

Patricia Haddad | Sat, 19 July, 2008 | 12:47 AM
Blogagem Coletiva sobre Política

Blogagem Coletiva sobre Política

Sabe… eu estou convencida de que… nunca antes na história deste país eu vi tanto escândalo envolvendo o governo acontecendo. Chega a ser difícil enumerar tudo aqui. Como hoje é dia de blogagem coletiva sobre política, talvez reunindo todos os textos que estão sendo produzidos possamos ter um apanhado de tudo o que anda nos angustiando, enraivecendo, envergonhando.

Tivemos o mensalão do Roberto Jefferson, que nos garantiu excelentes tardes na Tv Senado e só. Punição mesmo para os envolvidos eu não vi. Marcos Valério criou cabelo, Zé Dirceu fingiu ter se retirado da vida política (hahaha!), Lula disse que nunca soube de nada.

Tivemos a demissão em massa de funcionários da Varig em julho de 2006. O governo disse que haveria solução de mercado. Passageiros e trabalhadores seriam absorvidos pelas outras companhias. O que se viu em seguida foi um caos inimaginável em todo o país, com pessoas dormindo dias nos saguões, crianças viajando sozinhas para o destino errado e por aí vai. Os demitidos da Varig? Ah! Muitos continuam até hoje DESEMPREGADOS e os aposentados ficaram sem suas complementações de aposentadoria porque a Secretaria de Previdência Complementar do governo foi NEGLIGENTE e colocou o Aerus sob intervenção.

Tivemos o acidente envolvendo um Boeing da Gol e um Legacy. Os pilotos, americanos, estão sendo considerados os culpados. Afinal, nada como ter yankees como bodes expiatórios. A imprensa brasileira ignorou um comunicado da FAA, espécie de Anac americana, sobre a posição do transponder nos equipamentos da Embraer. Para entender a gravidade do assunto, recomendo a leitura do post Onde é que você coloca os seus pés? 

O caos continuou, outros escândalos dos quais não me recordo aconteceram e quando a gente achava que não poderia haver outra tragédia… 17 de junho de 2007. Um airbus modelo A320 da Tam pousa em Congonhas com um reverso travado, não responde a comandos dos pilotos, não desacelera, vara a pista, atravessa a avenida em frente ao aeroporto e se choca com um prédio da Tam Express. De lá para cá, os mais variados absurdos já foram falados, as mais surreais hipóteses foram levantadas, mas responsabilizar a Tam e o governo que é bom, nada! Sim, o governo é responsável por esse acidente e se quiserem saber porque penso assim, sugiro uma busca no blog pelos textos em que falo do assunto. O mesmo vale para o que penso sobre a Tam.

Não sei se antes ou depois disso tivemos o caso da tapioca. Descobriu-se que o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, pagou uma unidade da referida iguaria com o cartão de crédito corporativo do governo. O preço? Pouco mais de R$8,00. Depois de ocupar as capas dos jornais por alguns dias, o assunto começou a ser ridicularizado pelos xiitas que denfendem este (des)governo. ora, ora! Os brasileiros estão indignados com meros R$8,00! Parece mesquinharia, né? Mas não é. Pombas, será que ninguém percebe o absurdo que é um ministro de estado precisar pagar um reles café da manhã de menos de dez reais com cartão de crédito? É ridículo! Fosse ele um trabalhador comum eu teria pena. “Coitado, não tem dinheiro vivo para comer e recorreu ao dinheiro de plástico”.

Recentemente, o caso da venda da Varig e da VarigLog veio à tona. O que para muitos foi motivo de espanto, para os ex-funcionários e aposentados foi uma espécie de “mais do mesmo”. A força que o planalto fez para acabar com a Varig nunca foi segredo para quem estava lá dentro. A operação conjunta (code-share) entre a Varig e a Tam, determinada pelo governo, foi uma tremenda retroescavadeira. Abriu ainda mais o buraco em que estava a Pioneira, aumentando o “montinho” da empresa vermelha-da-cor-do-PT. O aproveitamento e a rentabilidade dos vôos compartilhados era de dar raiva. E não se podia fazer nada.

Para abafar o caso Varig, que de fato atingiu este (des)governo, nada como um outro escãndalo. Desta vez, onze, eu disse ONZE integrantes do Exército entregaram 3 rapazes a traficantes de um morro rival. Pronto. Houve uma procissão de políticos no Morro da Providência. Todos foram pedir desculpas às famílias dos mortos. Imediatamente falou-se em uma indenização. O Exército – leia-se a INSTITUIÇÃO INTEIRA – foi execrado, atacado, humilhado em cadeia nacional. Os verdadeiros assassinos? Ah, sobre esses ninguém mais falou não.

Entra em cena uma nova tragédia. Daniel Duque, de 18 anos, é morto por um policial pago pelo estado para fazer a segurança de uma promotora de justiça. No entanto, esse PM estava acompanhando o filho dela em uma boate. Ora, minha gente, o menininho precisa se divertir! Precisa viver! Precisa ficar até às 5 da manhã em uma boate bebendo todas, escoltado por um servidor público! Quem mandou a gente ter profissões menos arriscadas que não dão direito a segurança particular? Se bem que há controvérsias sobre essa questão de profissão de risco. Hoje em dia, o simples ato de sair pelas ruas já é um perigo, pelo menos no Rio. Jornalistas de O Dia foram torturados e, que eu saiba, não teve político indo pedir perdão a eles.  

Passamos a achar a cada semana que já tínhamos visto de tudo. Nada faltava acontecer. Ledo engano. Policiais inocentes, que devem escrever cartinhas para o Papai Noel, acreditaram que os bandidos que perseguiam tinham gentilmente parado o carro à espera dos senhores da lei. Estes, no entanto, não cogitaram uma possível rendição. Metralharam o veículo. De dentro dele, uma mãe desesperada joga a bolsa do filho de 9 meses para chamar a atenção. Não adiantou. Ao final de 17 tiros seu outro filho, João Roberto, de apenas 3 anos, estava à beira da morte. Foram apenas mais dois dias até que o menino não resistiu. Câmeras de segurança registraram a ação. Ainda assim, os covardes insistiram em dizer que houve um tiroteio. É de dar nojo.

Segue-se uma semana de reportagens sobre o papel da polícia, seu modo de agir, seus métodos. Uma semana. E a cena se repete. Policiais vêem um marginal abordando um motorista e entrando no carro. Inicia-se uma perseguição. Sabiam que dentro havia, no mínimo, o assaltante E a vítima. Em poucos minutos a ação acaba. O saldo final foi um carro metralhado e o administrador Luis Carlos Soares da Costa ferido mortalmente. Uma equipe do SBT estava na área e gravou o final da ação. A vítima foi puxada do carro como NÃO se puxa um animal. Os policiais afirmam que foram injustamente alvejados e que apenas revidaram. Todos acham que agiram certo.

É bom lembrar que não houve procissão de políticos para pedir perdão aos jornalistas de O Dia, à família de Daniel Duque, de João Roberto, de Luis Carlos. Falta de tempo. Lula teve que ir comer uns sushis com o pessoal do G8 lá em Tóquio. Cabral tem se dedicado ao hobby de andar de bicicleta em parquinhos por aí. Realmente, os afazeres são muitos. Não sobra tempo para essas questões menores.

Permeando todos os acontecimentos descritos acima, tivemos as diversas invasões do MST, que jamais foram citadas pelo presidente Lula. O ilustríssimo presidente desta república não abriu a boca para falar um ai sobre as destruições provocadas pelo “movimento social”. Tivemos também as convenientes descobertas de poços de petróleo pela Petrobrás. Somos quase um oriente médio já, causando inveja à Opep. Aguarde o próximo escândalo e descubra onde está nossa nova reserva de ouro negro. 

Ah! Claro! Não podemos esquecer do projeto do Azeredo, tema de outras postagens mais extensas aqui e em outros blogs . E o que dizer da palhaçada do prende-solta-prende-solta do Daniel Dantas, patrocinada pelo Gilmar Mendes? Para terminar este post, que acabou falando de tudo menos de censura, tivemos na quinta-feira mais uma atuação patética do governador deste estado. Após a morte de dois policiais, metralhados dentro de uma viatura no Leblon, Cabral se perguntou em tom indignado que cidade é esta. Ora, governador, somos nós que lhe fazemos esta pergunta! Ao senhor, cabe tão somente dar a resposta.

* * *

Caso encontrem algum erro de digitação, favor reportar nos comentários. O texto foi escrito de madrugada e não foi revisado. Grata!

O último parágrafo deste texto sofreu leves alterações na manhã de sábado, 19/07/2008, desmenbrando-se em dois.

Este post faz parte da blogagem coletiva sobre política promovida pelo blog Xô Censura. A lista atualizada dos particiapntes pode ser conferida aqui.

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E o projeto mudou…

Patricia Haddad | Thu, 17 July, 2008 | 09:32 PM

Todo o burburinho provocado na internet, especialmente pela blogosfera, em relação ao polêmico projeto do Eduardo Azeredo sobre crimes na rede surtiu efeito. Não me venham dizer que o ciberativismo não teve nada a ver porque teve sim. Foram muitos os blogs que se dispuseram a tratar do assunto, a petição ultrapassou as 50 mil assinaturas, os senadores foram bombardeados com mensagens, emails foram disparados para que todos ficassem por dentro do assunto, a Abranet (Associação Brasileira de Provedores de Internet) também se manifestou contra.

Antes de mais nada, preciso esclarecer uma coisa: não sou, nem nunca fui, contra algum tipo de controle. Ele é necessário. Leis são necessárias e até o momento não há nada em vigor que trate de crimes cometidos por meio de computadores e da internet. Portanto, estava mais do que na hora de ser pensar no caso. A questão é que o projeto original beirava o surrealismo. No entanto, sem que nós soubéssemos, o texto foi modificado e muitas das aberrações foram amenizadas. Ainda está longe de ser o ideal, mas já foi um bom começo.  

No site do Senado é possível ler o texto integral. Como a compreensão não é das mais fáceis, sugiro a leitura do excelente post publicado pela Lu Monte. O trabalho que ela teve de dissecar a proposta e fazer os comentários pertinentes merece os parabéns. Sinceramente, acho difícil alguém conseguir produzir um texto melhor que o dela.

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Também quero R$48 mil!*

Patricia Haddad | Mon, 14 July, 2008 | 07:19 PM

O primeiro a falar do assunto foi o Contraditorium. Em um belo trabalho de furo de postagem, ou de blogagem, como queiram, o blog em questão descobriu que o site www ponto paraiba ponto com ponto br (não vou colocar link aqui para eles, quem quiser que digite o endereço no navegador) ganha R$48.000,00 por mês para exibir uma propaganda do Senado Federal. O banner animado exibe, alternadamente, as fantásticas imagens abaixo:

Banner do Senado     Banner do Senado

Grandes, não? Necessárias também, não? Afinal, o Senado é um negócio, e como todo negócio precisa de publicidade. Ou não?

A história por si só já era escabrosa e começou a render na blogosfera. Dezenas de pessoas comentando no Contraditorium, outras tantas repercutindo o caso no Twitter, várias escrevendo em seus blogs. Eis que, durante o dia, surge outro fato relevante: alteraram a página do Senado onde constam as informações do contrato, retirando a informação de que o valor pago era mensal.

Quando o Contraditorium postou sobre o assunto, incluiu a imagem abaixo (que também pode ser vista no próprio blog) onde se lê claramente a palavra mensal. Para não deixar dúvidas quanto à possível manipulação da imagem, o blog colocou os links originais do contrato atual e de um outro anterior. No entanto, o link para o contrato viginte já não exibe mais a palavra mensal.

O que provavelmente os “alteradores de páginas” se esqueceram é que existe uma coisa chamada cache do Google. A mais conhecida ferramenta de buscas da internet guarda uma espécie de fotografia das páginas, que é atualizada de tempos em tempos. Neste exato momento, o tal do cache exibe a página da maneira como a víamos hoje pela manhã, ou seja, com a informação de que o pagamento dos R$48.000,00 era mensal. O link é esse, mas como em breve o Google vai varrer a página novamente e atualizar o cache tirei um printscreen da tela. Vocês podem ver a imagem neste link, onde marquei detalhes da tela que devem ser observados com atenção.

O site agraciado com a pequena fortuna doze vezes por ano está registrado em nome da Era Digital Internet Graphics LTDA, empresa sediada em Campina Grande, na Paraíba. O Blog de Aluguel descobriu que esta empresa também registrou outros domínios interessantes. Um outro internauta localizou outros contratos de publicidade semelhantes, feitos pelo Senado, curiosamente, com empresas também da Paraíba e pelos mesmos R$48 mil (seria 48 um número cabalístico?). E a Folha de São Paulo já tratou de assunto parecido em 16 de dezembro de 2005. Como vocês podem ver, a publicade parece mesmo ser a alma do negócio.

Nada como um dia após o outro para a gente perceber que quando achamos que já vimos de tudo, vem Brasília e nos surpreende.

* Promoção: pague R$48.000,00 por 12 meses e tenha seu banner exibido neste site por mais 171 dias! 

Update: esqueci de mencionar que o tal do paraiba ponto com ponto br é um site que recebe muito menos visitas do que alguns blogs, como o Contraditorium, por exemplo.

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