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E a censura rendeu…

Patricia Haddad | Tue, 26 September, 2006 | 08:39 PM

Pela segunda vez, escrevo baseada em opiniões deixadas em outro texto meu. Agora foi a vez do Censura receber comentários interessantes e instigantes. Além disso, hoje ainda me deparei com algo bastante curioso que tem a ver com a história. Vejamos.

O jornal O Globo publicou uma matéria hoje, na página 16 da editoria Rio, sobre oito comunidades do Orkut que foram retiradas do ar pelo próprio site. O texto fala das páginas que incitavam crimes diversos, como gatos de tevês a cabo e dirigir sem habilitação. Em nenhum momento, porém, a notícia cita o caso das inúmeras comunidades anti-Lula que, junto com outras de conteúdo político (especificamente pró-oposição), desapareceram sumariamente na madrugada de sábado sem deixar vestígios. É, no mínimo, curiosa esta omissão de um fato que causou tanto burburinho nos últimos dias. A pulga fica atrás da orelha e aquela interrogaçãozinha paira sobre a cabeça, tal qual em desenhos animados. Tudo muito estranho, muito esquisito. Tudo muito Brasil em véspera de eleição.

No meio do meu texto original, fiz uma pequena referência, em certo tom de brincadeira, ao astronauta Marcos Pontes. O Leo comentou que a idéia de se mandar um brasileiro para o espaço era boa. Ele também disse que “é muito importante construir ícones da ciência e criar uma cultura científica“. Concordo plenamente. Inclusive respondi isso para ele. Acredito que nossos valores andam muito deturpados e coisas boas têm sido deixadas de lado. Enquanto isso, dançarinos de axé, MC´s do funk e ex-BBB´s tornam-se ídolos venerados por uma massa manipulada. Imagens vazias, que nada acrescentam e, vez por outra, ainda nos tiram, com suas frases de efeito que não juntam lé com cré. Tudo muito Brasil, ontem, hoje, espero que não sempre.

Já a  Frances citou a história recente da americana de origem iraniana que gastou 20 milhões de dólares para fazer turismo pelo espaço. Ela pergunta a diferença entre a turista e o nosso astronauta. Eu respondo usando palavras da própria Frances: “se o dindim é realmente dela, gaste-o como quiser, inclusive para desmaiar em cadeia mundial.” O dinheiro, até provem o contrário, é dela. Não é do contribuinte. E não foi usado para um pseudo-programa científico totalmente fora de hora. Ela é milionária excêntrica e quis gastar os caraminguás assim, não é aspirante a heroína da ciência. Aqui, a história foi outra e o Marcos Pontes foi reverenciado nos quatro cantos do país. Na minha opinião, ainda não era o momento do Brasil mandar alguém passear na Via Láctea e plantar feijão no algodão. Tem coisas muito mais importantes e baratas para serem feitas antes. Minha opinião.

Era isso. Vamos esperar agora quietinhos o horário eleitoral acabar, a novela inteira passar e então o debate com os candidatos a governador começar. Tarde. Longo. Mas qual o problema, né? Alguém aqui acorda cedo para trabalhar? Alguém a qui tem o costume de usar as madrugadas para dormir? Bobagem…

 

 

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2 Responses to “E a censura rendeu…”

  1. José Alberto Farias says:
    Wed, 27 September, 2006 at 09:04 AM

    Pati, leia sobre o poder simbólico em Bourdieu. Aí você irá entender as razões que estão por trás do nosso astronauta (epa! no bom sentido, tá?) e outras iniciativas do mesmo gênero (a presença das tropas brasileiras no Haiti, por exemplo).

  2. Marcio Alexandre says:
    Wed, 27 September, 2006 at 07:12 PM

    …acredito que o grande se não deste fato é uma busca muito grande por parecer um país caminhando a passos largos para a modernidade, com isso o mandatário usa certos artifícios que ilude a alguns. No que diz respeito a formação de ícones realmente notáveis, quero lembrar que eles só terão valor a medida que existir mais desenvolvimento intelectual na nossa população, e o fato de gostar de certas coisas tachadas como fora de moda não impede que a pessoa tenha admiração por outros, bem mais capazes.
    Um exemplo claro do que falo é o que vc citou como admiração por funk. Na verdade as pessoas gostam e sentem-se atraídas porque aquilo esta perto da realidade delas e não admiram o Chico Buarque por exemplo porque muitas vezes não conseguem entender o que ele esta cantando. Em toda sociedade sempre teremos vários tipos de modelos, o que não temos é uma sociedade capaz de admirar o trabalho de todos.

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