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O poder de duas pequenas coisas

Patricia Haddad | Thu, 16 August, 2007 | 10:29 PM

Lula não cansa de se superar. Quando abre a boca, pode-se esperar os maiores absurdos, mas ele sempre consegue nos surpreender. A cena de hoje aconteceu em Campos. Durante um evento, o governador do Rio, Sérgio Cabral, se revoltou com um grupo de manifestantes que usava nariz de palhaço para vaiá-lo. O prizidenti, então, resolveu ele mesmo se manifestar. Disse que, qualquer dia, os palhaços vão reclamar do uso indevido de sua imagem, já que eles são personagens que levam alegria às crianças. Inflamou-se, cuspiu vespas e marimbondos – como de costume, diga-se de passagem. E aconselhou Cabral a não se estressar mais com acontecimentos como aquele, que partiam de um grupo de jovens desprovidos de qualquer consciência política.

Em primeiro lugar, prizidenti, mais cuidado ao falar dos jovens brasileiros de hoje. Pode até ser que, na época dos caras pintadas, de fato muitos nem soubessem o que faziam naquelas passeatas pelo impeachment do Collor. E falo com conhecimento de causa. Eu mesma participei do movimento sem saber exatamente porquê. Naquela época, o PT era oposição e incitava as massas. Hoje as coisas estão bem diferentes. Os jovens de hoje sabem muito mais do que se passa no planalto central do que supõe vossa vã filosofia, sr. prizidenti. No entanto, o senhor dá uma declaração destas em resposta a vaias. Caso fossem aplausos, aposto que o senhor seria capaz de dizer que os jovens de hoje em dia são verdadeiros phD’s em política.

Em segundo lugar, uma rápida consulta a alguns dicionários faria muito bem ao senhor.

Segundo a terceira acepção que consta no Dicionário Houassis da Língua Portuguesa, palhaço pode ser pessoa que provoca o riso ou que não pode ser levada a sério.

Já no Moderno Dicionário da Língua Portuguesa Michaelis, temos o seguinte: 2 - Pessoa que, por atos ou palavras, faz os outros rirem. 3 – gír Pessoa fácil de ser enganada. Fazer alguém de palhaço: zombar de alguém, iludir alguém.

No Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, encontramos: 3 – Fig. Pessoa que por atos ou palavras faz que os outros riam. 4 – Pop. Pessoa que só diz tolices ou faz papel ridículo; pessoa sem importância, títere.

Portanto, senhor prizidenti, quando protestamos com uma pequena bola vermelha no nariz, queremos dizer  que não somos facilmente enganados e que queremos ser levados a sério. Queremos deixar claro que não queremos fazer um papel ridículo e que temos importância. Não provocamos o riso, ao contrário de certas asneiras que ouvimos de otoridades. Não fazemos os outros rirem, mas muitos que hoje freqüentam a região Centro-Oeste do país nos dão motivos para rir, que é melhor do que chorar.

O episódio não foi de todo ruim. Serviu para atestar o poder de duas pequenas coisas: de uma bola vermelha no nariz e da vogal u proferida continuamente em alto e bom som. Viva o nariz de palhaço! E viva a vogal U!

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One Response to “O poder de duas pequenas coisas”

  1. Ricardo Rayol says:
    Thu, 16 August, 2007 at 11:13 PM

    O cara é realmente democrata

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