Devia estar nas rádios!
Patricia Haddad | Wed, 27 February, 2008 | 10:01 PM
Ontem fui ao show Lupicínio Rodrigues – Suas histórias e suas canções, por Eduardo Canto (ex-Eduardo Costa). Apesar do repertório “não ser da minha época”, eu conhecia algumas músicas de ouvir meus pais cantarem. Mas, independentemente das canções que ouvi – que são belíssimas, por sinal – o que me encantou mesmo foi a voz de Eduardo. Na verdade, eu já o conhecia de outros tempos e não era novidade para mim o talento dele. No entanto, nunca tinha ouvido Eduardo cantando tantas músicas. Era sempre aquela história de participação em shows de outros artistas e olhe lá.
A voz dele é poderossíssima, é daquele tipo que a gente chama de vozeirão mesmo. Mas, ao mesmo tempo, é leve. Flui com delicadeza. A sensação de ouvi-lo é tão agradável que o tempo passa sem a gente perceber. A cada música, Eduardo contava a história de como a letra havia sido composta e levou a platéia ao riso muitas vezes. Ao final, o aviso: receberia a todos no camarim. Simpatia de sobra!
Saí do Canecão com aquele gostinho de “quero mais”, com a certeza de ter visto um Artista, com A maiúsculo mesmo. Aí, de repente, a ficha caiu. Ao ligar o rádio do carro, sei que ouviria essas coisas descartáveis que nos empurram tímpano abaixo. Grupinhos de adolescentes rebeldes sem causa com voz de taquara rachada, gritando rimas paupérrimas ao som de guitarras desafinadas. Ou então, “barbies” cantando (cantando?) letras ridículas, de péssimo gosto, que na tevê costumam ser acompanhadas de coreografias vexaminosas. Havia também a possibilidade de ouvir letras de duplo sentido para lá de baixas cantadas por um cantor latino qualquer.
Desisti de ligar o rádio. Preferi ouvir Release, Segue, Cristal e outras coisas na voz de Eduardo Costa, antigo nome artístico de Eduardo Canto. Afinal, para quê existem os cds?
Quando você souber que o Eduardo vai fazer show perto de você, não deixe de ir!











