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Conclusão vergonhosa

Patricia Haddad | Sun, 23 November, 2008 | 10:06 PM

A polícia de São Paulo concluiu o inquérito sobre o acidente com o A320 da Tam, que em julho do ano passado pousou em Congonhas, não conseguiu parar e se chocou contra um prédio da própria empresa, matando 199 pessoas. Cinco funcionários da Anac, três da Infraero e mais dois diretores da Tam foram indiciados. Não, a Airbus não está na lista dos culpados e/ou responsáveis. Detalhe: o caso foi encerrado sem que se chegasse à conclusão sobre o que de fato causou aquele acidente. Vergonhoso.

Já falei muito sobre este caso aqui no blog. Basta fazer uma busca por palavras chaves como Tam, tragédia, JJ3054. Vão encontrar tudo o que penso sobre este acidente. Mesmo assim, tenho que repetir algumas coisas, porque os absurdos que voltaram a ser falados tiram qualquer um do sério. É um festival de asneiras, de bobagens, de falácias que beiram o ridículo.

Segundo o delegado Antônio Carlos Barbosa, os peritos acham remota a hipótese de problema no equipamento, mas também não têm certeza de erro humano. Ora! Alguém me diz por que a possibilidade de falha mecânica ser tão remota? Já esqueceram de que aquela aeronave pousou sabidamente com um defeito, com o reverso direito pinado? Se já havia um defeito porque não pode ter acontecido outro? Quem garante que não houve falha na transmissão das informações da manete para o restante do equipamento?

Tem mais: insistem na possibilidade de os pilotos – os dois! – terem errado a posição da tal manete. Eles – os dois! – teriam deixado a alavanca na posição de aceleração erroneamente. Alguém pode me explicar então como foi que eles conseguiram pousar? Ou será que já esqueceram que até o toque no solo não houve qualquer problema com aquele vôo? Aquele A320 da Tam fez a aproximação normalmente, encontrou uma razão de descida, entrou na chamada rampa de pouso e… pousou! Sim, ele pousou perfeitamente. Os problemas ocorreram a partir daí!

Confesso que não entendo por que é tão difícil aceitar que houve, sim, falha no equipamento. Parecem querer proteger a Airbus. Também não comentam o fato da Tam voar com aviões com problemas. “Ah, mas o manual diz que pode-se voar até dez dias com o reverso pinado!” Mais uma vez eu peço a colaboração de vocês: alguém me explica o que acontece no 11º dia? O reverso se auto-destrói? O reverso se auto-conserta? Não se sabe. Mas a impressão que fica é de que a Tam precisa ser protegida de alguma forma.

O Brigadeiro José Carlos Pereira, ex-presidente da Infraero, declarou que, naquelas condições, aquele avião teria problemas em qualquer aeroporto. Foi mal interpretado e ridicularizado por isso. Eu mesma li leitores do Globo achincalhando-o em comentários na página do jornal na Internet. Pois, para mim, ele está certo. Um avião daquele porte, lotado (portanto, muito próximo de seu limite de peso), sem estar em 100% de suas condições de manutenção e sob chuva teria, sim, problemas onde quer que pousasse. A questão é: em Congonhas, a história terminou em tragédia. Em Guarulhos ou no Galeão, com pistas infinitamente maiores e grandes áreas de escape laterais, talvez tivéssemos tido apenas um incidente.

A minha opinião, no entanto, não vale de nada. Mesmo não sendo exclusividade minha. Não adianta. Nossas autoridades conseguiram acabar com o respeito que a aviação brasileira merecia. Não estão nem um pouco interessadas em solucionar este caso. Afinal, como responsabilizar o (des)governo desta república? Nunca! Tampouco macular ainda mais a imagem da empresa que tem a mesma cor do PT. Não pode. Melhor mesmo é dizer que aqueles dois pilotos cometeram um erro tão primário quanto inimaginável. Eles já morreram e não vão voltar para se defender.

Vergonhoso.

Leia mais nos links abaixo:

http://oglobo.globo.com/sp/mat/2008/11/14/funcionarios_da_tam_anac_infraero_serao_denunciados_pelo_acidente_da_tam_diz_promotor-586401412.asp

http://oglobo.globo.com/sp/mat/2008/11/19/policia_indicia_5_integrantes_da_anac_tres_da_infraero_2_executivos_da_tam_por_tragedia_do_voo_3054-586467343.asp

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Este César Maia… – parte 2

Patricia Haddad | Tue, 24 June, 2008 | 09:54 AM

O prefeito maluquinho continua dando destaque para o envolvimento do governo Lula no caso Varig/VarigLog. É bom, muito bom. Toda e qualquer exposição do assunto na mídia é bem-vinda- desde que, claro, não invente desculpas estapafúrdias para defender este (des)governo indefensável.

Na edição de hoje de seu ex-blog, César Maia reproduz trecho publicado na Folha de São Paulo. Antes, no entanto, volta a fazer referência ao jogo sujo de cartas marcadas que foi feito com a empresa:

AS CARTAS CONTINUAM CAINDO SOBRE AS CARTAS: ESTÃO CHEGANDO NO REI DE OUROS!

Compadre, avalista e sócio dizia que não ia ao Palácio. Recebeu 5 milhões de reais na negociação da VarigLog, e dizia que eram uns 300 mil.

Folha de SP
Teixeira fez ao menos 6 reuniões no Planalto

A Presidência reconheceu que o advogado Roberto Teixeira esteve pelo menos seis vezes no Palácio do Planalto com Lula , seu compadre, desde 2006, em encontros não registrados na agenda pública do presidente. Teixeira é acusado de usar sua influência junto ao governo para aprovar a venda da VarigLog para o fundo americano Matlin Patterson e três sócios brasileiros, que o contrataram.

Ao menos dois desses encontros estão relacionados diretamente com o negócio, aprovado pela Anac em junho de 2006. No mês seguinte, a VarigLog adquiriu a Varig. No dia 15 de dezembro daquele ano, Teixeira foi ao encontro de Lula acompanhado dos sócios da Varig um dia depois de a companhia receber da Anac, em cerimônia em Brasília, certificado que lhe deu autorização para voar.

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Caso varig – parte 2

Patricia Haddad | Wed, 11 June, 2008 | 05:04 PM

Milton Zuanazzi assumiu o microfone. Acabou de declarar em alto e bom som que seu gabinete na Anac foi ARROMADO! As tampas do ar condicionado no teto foram encontradas fora do lugar. Uma tampa de vaso sanitário foi quebrada, provavelmente por alguém que subiu para tentar instalar “alguma coisa”. O que mais falta ser revelado?

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Discordo!!!

Patricia Haddad | Fri, 23 May, 2008 | 10:18 PM

Foi divulgado hoje o laudo final sobre o acidente com o A320 da TAM, vôo JJ3054, em Congonhas, no ano passado. Foram responsabilizados a Infraero, a Airbus, a Tam e – pasmem! – os pilotos! Sobre os 3 primeiros concordo plenamente, mas sobre os pilotos discordo veementemente. De acordo com a matéria exibida no Jornal da Band, as culpas foram assim divididas:

Infraero -> a pista não tinha ranhuras – o chamado grooving – que facilitaria o escoamento da água da chuva, aumentando o atrito dos pneus e evitando derrapagens. Segundo relatos de controladores, comprovados por áudios gravados, alguns pilotos naquele dia já haviam reportado que a pista estava estremamente escorregadia.

(Comentário meu: não chovia forte na hora do acidente, portanto não havia água empoçada. O avião segue em linha reta por quase toda a extensão da pista, conforme as imagens existentes. Não houve aquaplanagem nem derrapagem, o que, para mim, mostra que a existência ou não de grooving nada teve a ver com o acontecido. Para mim, a responsabilidade da Infraero é outra: aeronaves que estivessem operando com qualquer irregularidade, como o reverso pinado do airbus em questão, e ainda por cima com sua capacidade total de passageiros, deveriam ser proibidos de pousar na curta pista de Congonhas, ainda mais sob condições de tempo adversas. Na verdade, nem sei se esta restrição deveria ser imposta mesmo pela Infraero ou pela Anac, mas, definitivamente, o grooving não teve nada a ver com este acidente. Esta é a MINHA opinião.)

Tam -> A empresa teria desrespeitado uma determinação da Anac, que proibiria o vôo de aeronaves com reverso pinado. Além disto, estaria com excesso de peso para pousar em Congonhas.

(Comentário meu: na época, houve muita controvérsia sobre essa questão de haver ou não proibição de vôo com reverso pinado. Para mim, isto é irrelevante. Caso houvesse mesmo preocupação máxima com segurança, este avião não teria decolado com passageiros. Teria feito um ferry (vôo vazio apenas para traslado da própria aeronave) para a sua base, a fim de passar por manutenção corretiva. Não interessa se o manual do A320 diz que o avião pode voar naquela condição por 7 dias. Ora, o que determina este prazo? O que acontece no oitavo dia? O reverso se auto-destrói? A turbina se auto-ejeta? Quanto ao peso, não sei informar, mas lembro que na ocasião foi incluído um funcionário da Tam na lista de vítimas que não constava da lista de passageiros porque simplesmente não fez check-in. estava de carona, fato terminantemente proibido. Sem comentários.)

Pilotos -> Segundo a reportagem, o laudo diz: “Por erro humano, a alavanca de controle da potência da turbina direita estava na posição de aceleração, quando o certo seria desacelerar.”

Airbus -> De acordo com os técnicos da aeronáutica, o sistema de manetes do A320 pode confundir o comandante. Não há um alarme para avisar quando uma das manetes sai do lugar. A posição diferente das duas manetes fez o avião entender que a ordem era decolar.

(Comentário meu: em primeiro lugar, duvido que um piloto experiente cometesse erro tão ridículo e visível, deixando uma manete na posição inversa da outra. O avião chegou a pousar, prova de que vinha em desaceleração. Não houve um chamado “pouso duro”, o piloto não forçou a descida da aeronave contra uma suposta aceleração do equipamento na aproximação final. Ninguém disse ainda como se concluiu que a manete direita estava na posição errada. Há uma foto mostrando isso? Não. Provavelmente, há dados do Flight Record, que podem não condizer com o que os pilotos achavam que tinham feito. Quem garante que não houve falha lógica, eletrônica, naquele avião que mais parece um videogame, com direito a joystick no lugar do manche? Quem garante que, mesmo os pilotos tendo colocado a manete para trás a informação passada pela manete ao avião não tenha se corrompido? Eu aposto 100% nesta hipótese. Dizer que houve falha dos pilotos nada mais é do que culpar os mortos apenas porque eles não podem se defender.)

Como vocês podem ver, o assunto é extenso e complicado. Culpar os pilotos é apenas uma forma de esconder um bocado da responsabilidade dos “graúdos” envolvidos.

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Lula x Varig x Companheiros

Patricia Haddad | Sun, 10 September, 2006 | 07:15 PM

No último dia 08, o Ancelmo Góis publicou duas notinhas em sua coluna dignas de um comentário e, principalmente, de ampla divulgação. Segue reprodução de ambas, com os comentários embaixo de cada uma.

Ancelmo Góis, 08set06

Sorriso maroto? Teria alguma ironia enrustida neste sorriso maroto? Só posso crer que sim, pois não há pessoa nos níveis governamentais deste país que não saiba que a Nova Varig está à espera do Cheta (a palavra é masculina, viu, Sr. Lula e Sr. Ancelmo?) para poder passar a existir no papel. O fato já foi amplamente divulgado, a palavra, uma sigla na verdade, já foi publicada diversas vezes e também já foi pronunciada nos mais variados telejornais. Portanto, se não se lembrava, podia até perguntar, mas precisava do sorriso maroto?

Precisava. Lula-PT-vermelho em nenhum momento se mostrou preocupado com a crise da Varig, cuja cor predominante é o azul. Aliás, nem ele, nem dona Dilma, nem o senhor Ministro do Trabalho Luiz Marinho, nem o da Defesa, Waldir Pires, nem o Zé Mané, digo, Dirceu. As declarações que esta trupe já deu aos meios de comunicação provam isso. O que são 5.500 desempregados? Uma mixaria, né? Tá tão fácil arranjar emprego neste país… Sabe, matar cachorro até não me espanta, em se tratando deste (des)governo. Agora, chutar cachorro morto já passa um pouco dos limites. Para que desdenhar dessa maneira, Sr. Presidente? Para que fazer piadinha com um assunto tão sério que o seu desgoverno não resolve a contento?

Ah! Esqueci de um detalhe importante. Lula nunca sabe de nada. Lula nunca é informado de nada. Lula nunca está por dentro de nada. Lula nunca conhece nada. Lula nunca viu nada. Pois não custa, então, dar uma ajudinha, não é mesmo? A tia vai dar uma pequena explicação altamente didática (modesta, eu).

Para dirigir um veículo (carro, ônibus, caminhão) ou pilotar uma moto, uma pessoa precisa ter (teoricamente) a chamada CNH – Carteira Nacional de Habilitação. Trata-se de um documento que atesta que o cidadão está apto a dirigir. O candidato a motorista faz curso, algumas provas técnicas e teóricas e, então, a chamada “carteira de motorista” é expedida pelo Detran. Teoricamente, é assim.

No caso de uma empresa aérea, para que ela possa operar vôos regulares ela precisa do Cheta – Certificado de Homologação de Empresa de Transporte Aéreo. Trata-se de um documento que atesta que a empresa está apta a voar. Os diretores da companhia apresentam uma série de documentos, são feitas inspeções e, então, o chamado “certificado de homologação” é expedido pela Anac. Teoricamente, DEVERIA ser assim.

Deu pra entender, Lula? Será que fui clara o suficiente? Restou alguma dúvida? Hã? Não ouvi, fala mais alto! Ah, sim, entendi. O senhor quer saber por que, no caso da companhia aérea, eu incluí um DEVERIA na última frase do parágrafo? Pergunte aos seus companheiros da ANAC. Eles, com certeza, DEVEM saber.

* * * * *

Ancelmo Góis, 08set06

Auto-explicativo o fragmento acima. Mas não custa explicar. Vai que, pretensão minha, o Lula lê isso aqui, pode ficar sem entender. Afinal, ele nunca sabe de nada, nunca ouviu falar de nada, nunca está por dentro de nada, nunca nada, nada, nada… Resumindo: a Volkswagen, cujos funcionários em sua grande maioria pertencem à categoria de metalúrgicos, ia demitir 1.800 trabalhadores. Eu disse IA, do verbo NÃO VAI MAIS. Na verdade, a montadora diz que ainda precisa enxugar seu quadro, mas aceitou negociar. Claro. Lula não ia deixar os companheiros metalúrgicos na mão. Dona Dilma interveio e as demissões foram suspensas.

Enquanto isso, em duas outras categorias diferentes, conhecidas como aeroviários e aeronautas, a coisa foi um pouquinho diferente. O governo simplesmente não dá a mínima para a dívida que a união tem com a Varig. Ainda falta um último julgamento, mas se este governo do Partido dos Trabalhadores estivesse de fato preocupado com os trabalhadores, trataria de agilizar o processo e pagar logo o que deve à empresa. Garantiria, no mínimo, a dignaidade de milhares de pessoas que estão PASSANDO FOME. É, ILUSTRÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DA REPÚLICA LUÍS INÁCIO LULA DA SILVA: TEM MUITA GENTE PASSANDO FOME.

FOME.

F-O-M-E.

TÁ SATISFEITO?

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