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Manhãs Digitais #1

Patricia Haddad | Wed, 26 November, 2008 | 10:31 PM

Aos poucos, o Rio de Janeiro vai ganhando mais e mais eventos extremamente úteis e interessantes para quem lida com comunicação, tecnologia e web. Já tivemos três Descolagens este ano, tivemos um BlogCampRJ, no próximo sábado teremos o 1º Encontro de TI e hoje foi a vez da primeira edição do Manhãs Digitais, realizado pela Simplesmente em parceria com a AmCham. O tema deste encontro foi Web 2.0 – Novas perspectivas para as organizações.

O primeiro a falar foi o Nino Carvalho. Segundo ele, a internet deu um poder aos clientes que ninguém jamais imaginou. Isso é verdade. Aquela história de que uma pessoa insatisfeita fala mal de determinado produto ou serviço para dez pessoas foi potencializada com a rede. Em questão de minutos espalhamos nossas críticas por email, no Orkut, no Twitter, no blog e pronto: o mundo fica sabendo do caso com todos os detalhes. A grande questão, como bem lembrou o Nino, é que estas empresas, incluindo as grandes, ainda não estão preparadas para lidar com essa avalanche de informações geradas pelos clientes. E ele ainda arriscou uma previsão: quem não souber usar a internet para dialogar com seu público não vai resistir por mais que cinco anos. Esperemos por 2014!

Um outro ponto interessante citado pelo Nino é que o novo consumidor é mais malandro e não clica em anúncios tão facilmente quanto antes. Por isso, é cada vez mais necessário pensar em ações de marketing diferenciadas, que atinjam as pessoas por outros meios, como os vídeos virais e os posts no Twitter. Outra verdade para mim. Foi-se o tempo em que eu clicava em algum daqueles anúncios do Google (AdSense). Os pop-ups (chatos p’ra caramba!) que aparecem em alguns sites também (OGlobo, Uol) são solenemente ignorados. Mas ainda não estou imune a outras formas de propaganda. Portanto, fica a dica para as empresas que queiram me vender produtos ou conceitos: sejam criativos e me surpreendam!

Com toda essa diversidade, tanto de formas de comunicação como de perfis do público-alvo, surge um problema: como criar relacionamentos sólidos neste novo mundo? Não é fácil. Eu acredito que o primeiro passo seja entender que hoje em dia o importante não é atingir números estratosféricos de clientes, mas aquelas 100 ou 150 pessoas que são de fato relevantes para o negócio. A empresa que focar nos perfis realmente importantes terá mais chances de acertar e de conquistar a fidelidade de seus consumidores.

A segunda palestrante foi Vanessa Nunes. De outro jeito, e de forma bem humorada, ela tocou novamente naquela questão do poder que a internet deu às pessoas hoje. Antigamente, quais as ferramentas que tínhamos? Carta, telefone. Hoje, criamos blogs e comunidades em redes de relacionamento para demonstrar nossa insatisfação. Já existe até mesmo site especializado em registrar reclamações: o Reclame Aqui. E como tudo isso está sendo indexado, é cada vez mais provável que uma simples busca no Google retorne resultados negativos sobre a empresa antes mesmo do site oficial.

Por último, tivemos o Carlos Nepomuceno. Logo no início, uma frase marcante: “Se tudo muda, nada muda.” Para Nepomuceno, os seres humanos sempre viveram eras de conhecimento porque isso sempre foi uma necessidade. Quando deixamos de viver em silêncio e passamos a grunhir, percebemos que era preciso evoluir e assim começamos a falar. Com o passar do tempo, as palavras já eram muitas e surgiu a necessidade de anotá-las, o que nos levou em direção à escrita. Assim passamos de uma época de escassez de informação para tempos de abundância. E é somente entendendo todo este processo e tendo uma visão histórica que vamos conseguir entender de fato a internet e saber o que mudará na sociedade em sua função e o que permanecerá igual.

A lição que fica é que nós temos que nos adaptar ao novo ambiente de conhecimento. Ou pegamos esse trem ou vamos ficar parados no tempo e no espaço. Estamos passando por uma revolução semelhante à de 1450, quando Gutemberg inventou a imprensa. Quem não conseguir entender isso vai ficar para trás. Tudo bem, nem todo mundo tem que estar na frente. No entanto, é preciso ter uma coisa muito clara na cabeça: quem não quiser caminhar junto com esta nova era, não atrapalhe o caminho daqueles que querem encabeçar a fila, que querem verdadeiramente escrever a história daqui para a frente.

* * *

Esqueci de levar a câmera para fazer fotos, mas o Nepomuceno me encarregou de usar a dele. Assim que elas estiverem no ar coloco links aqui. As fotos que fiz com a câmera do Nepomuceno estão aqui.

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Mundo Digital
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AmCham, carlos Nepomuceno, conhecimento, Internet, Manhãs Digitais, Nino Carvalho, Simplesmente, Vanessa Nunes
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Sou+web – 2ª edição

Patricia Haddad | Sun, 19 October, 2008 | 08:29 PM

E lá fui eu ontem para mais um evento internético: Sou+web. Na verdade, este foi o segundo encontro do gênero organizado pelos alunos do curso de Gestão em Marketing Digital da Facha. Pelo que tinha lido no site, achei que fosse ouvir um pouco mais sobre o uso das redes sociais como ferramentas de marketing. Não foi bem assim, mas valeu do mesmo jeito, principalmente pela forma apaixonada com que Cristina Dissat fala do seu Fim de Jogo e das tiradas engraças do Carlos Nepomuceno.

Logo no início, Nino Carvalho, que é o coordenador da pós em Gestão e Marketing Digital, mostrou uma lata de Spam, que foi sorteada ao fim do evento. Achei que ele fosse explicar porque as mensagens não desejadas recebem este nome, mas continuo na curiosidade. Vou perguntar por email e conto aqui depois.

O primeiro a se apresentar foi Raphael Perret, que começou mostrando um slide de um spam que ele recebeu em 2005, se não me engano. Segundo Perret, quem envia este tipo de mensagem acredita mesmo que vai ter quem caia na armadilha. É claro que fica difícil alguém acreditar em um texto tão grosseiro quanto o mostrado por ele, mas nós sabemos que há mensagens falsas extremamente bem elaboradas que enganam muito usuário fácil, fácil. Raphael ainda falou da evolução das redes sociais, das suas bases, deu exemplos de usos e mostrou algumas estatísticas. No final, deixou a mensagem de que não há receita de bolo para se usar as redes sociais de forma efetiva, mas reputação, qualidade e honestidade são elementos imprescindíveis.

Veio então Cristina Dissat, que eu particularmente seria capaz de ficar horas ouvindo falar. Clara, objetiva, apaixonada. Nada mais estimulante do que ver alguém apaixonado pelo que faz falando de suas ocupações, de se trabalho, de suas idéias.Cristina falou de ferramentas e do que é necessário para que sejam eficazes. Segundo ela, o Twitter deu um retorno muito bom ao seu trabalho com o blog e ela ainda deu exemplos de dois recursos que utiliza offline: camiseta e adesivo no carro. No final, deu um panorama sobre o Fim de Jogo e deixou um recado: momentos – divulgue sempre. Isso me valeu muito para os próximos passos profissionais que pretendo dar.

O último a falar foi Carlos Nepomuceno. Ele prefiriu apenas conversar com a gente, sem apresentar slides. No começo achei-o meio sério, mas em pouco tempo ele provocou gargalhadas na platéia. As histórias sobre a primeira palavra que o homem teria falado (Já!) e sobre os recados deixados nas cavernas, que seriam o primeiro chat da humanidade, foram muito engraçadas. “Para entender uma questão, é preciso entender a história“, disse ele. Carlos destacou que é preciso usar as novas tecnologias junto com novas metodologias e citou o exemplo da Rádio SulAmérica, de São Paulo, especializada em trânsito. Os repórteres, sozinhos, não dariam conta de passar todas as informações sobre engarrafamentos, por exemplo, já que por motivos óbvios não conseguiriam chegar a diversos locais. Por isso, contam com a ajuda dos próprios usuários/ouvintes, que repassam informações por celular. Hoje, Carlos disse que estamos criando um problema: o do excesso de colaboração. De fato, hoje tanta gente escreve tanta coisa que eu, pelo menos, não dou conta de ler tudo o que é produzido na internet – e isso me frustra. Quando ele falou do comportamento de alguns repórteres, que se acham donos da verdade, eu não pude me conter. Conheço gente capaz de afirmar com todas as letras uma coisa só porque na sua cabecinha medíocre tem que ser daquele jeito – e ponto final. Haha!

No final tivemos um debate com todos os convidados. Uma participante, que se identificou como funcionária da Tim, quis saber como as empresas devem se comportar diantes destas redes sociais. Infelizmente não pude contar o exemplo positivo que aconteceu comigo, então conto no próximo post. Também se falou de Nescau 2.0 e a reação contrária dos consumidores. Em algum momento do debate, Raphael Perret resolveu contar a história de um dos slides que ele tinha pulado durante a sua apresentação. Ele contou que na época do lançamento da nova identidade visual da Tam, no início deste ano, três usuários do Orkut postaram mensagens muito entusiasmadas sobre isso em uma comunidade de recursos humanos. Depois de uma investigação, descobriram que estas três pessoas conversavam muito entre si e tinham mostrado sua satisfação com a iniciativa da Tam em outras SETENTA E CINCO comunidades! Os perfis, que eram falsos, foram excluídos e o caso pegou muito mal para a Tam, que nunca se pronunciou sobre o acontecido.

Apesar do evento ter sido um pouco diferente do que eu esperava, valeu demais! Trouxe para casa uma série de conceitos que usarei daqui por diante em novos empreendimentos que estão em andamento. Carlos Nepomuceno tinha terminado a sua participação dizendo que é importante quando o palestrante sai de um encontro desses com alguma coisa. Chegar, mostrar uma apresentação em PowerPoint e ir embora não é suficiente. Pois eu digo que, para mim, o importante é sair de uma palestra dessas com a cabeça fervilhando – e foi assim que a minha saiu de lá!

Parabéns aos organizadores. E que venham muitos outros encontros assim! Abaixo, parte da galera que estava por lá:

Parte da galera no evento Sou+Web

Veja esta foto com detalhes aqui e outra aqui.

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carlos Nepomuceno, Cristina Dissat, Facha, Fim de Jogo, Marketing Digital, Nino Carvalho, raphael Perret, redes sociais, sou+web
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