Consciência em falta
Patricia Haddad | Sat, 22 November, 2008 | 09:55 AMEu quero é cota para ser humano.
Ser humano branco, negro, amarelo, marrom, ocre, lilás ou rosa-choque.
Dizem que somos um país ainda racista – e é verdade. Há mesmo um grande preconceito velado escondido em muitos de nós. A questão é: de onde parte esta segregação entre brancos e negros? Dos primeiros? Não. Os chamados afro-descendentes são os maiores culpados por ainda persistir esta ridícula diferenciação por cores. Não fosse a sua insistência em se criar cota para eles nos mais diversos segmentos talvez muita gente não prestasse mais tanta atenção no tom de suas peles.
Não lembro exatamente qual foi a primeira cota criada, mas a que mais me incomodava, até então, era a das universidades. Ora! Por que tem que haver reserva de vagas por conta da cor da pessoa? Acaso os negros são menos inteligentes? “Ah, mas vai nas favelas e você vai ver que a maioria dos moradores é de negros e eles não têm oportunidade de chegar ao ensino superior!”, dizem os defensores deste absurdo. Coitado, então, de quem deu o azar de nascer pobre e… branco! Este é verdadeiramente um excluído. Não tem dinheiro e, para piorar a sua situação, é branco e não pode se beneficiar das cotas. Quer preconceito maior do que este?
Agora, como se não bastasse, a câmara de vereadores do Rio estabeleceu que 20% das vagas em cargos de confiança, também chamados comissionados, em todos os órgãos da prefeitura sejam destinadas a afro-descendentes. A discriminação vai além e determina que metade seja para homens e metade, para mulheres.A lei abrange todas as esferas dos poderes Executivo e Legislativo, além das empresas que participam de licitações para a prestação de serviços ao município.
César Maia já havia vetado este descalabro, mas a Câmara dos Vereadores derrubou a proibição. A prefeitura ainda pode recorrer, mas isto será tarefa para o próximo prefeito, Eduardo Paes. Enquanto isso, teremos que conviver com mais esta aberração, mais esta discriminação descarada apoiada pelos próprios negros. Para eles, esta medida segregatória é sinônimo de tentativa de igualdade. Ora, ora, sejamos racionais! Chega de hipocrisia. Atitudes assim só reforçam o preconceito. Dividem o mundo em preto e branco como se não existisse uma infinidade de pardos e mestiços, como se o bonito da raça humana não fosse a sua imensa diversidade.
Em vez de se preocuparem tanto com a chamada “Consciência Negra”, deviam era se preocupar tão somente com a CONSCIÊNCIA. Consciência ampla, geral e irrestrita, se me entendem. O que falta em todos nós é apenas consciência. Não tem nada disso de cor, de raça, de ascendência. Se nós nos preocupássemos verdadeiramente com coisas sérias não teríamos situações absurdas como a relatada pela Fernanda Freitas em seu blog. Com licença do palavreado, mas pr’o inferno com as cotas raciais! Eu quero é cotas HUMANAS!
Para terminar, recomendo a leitura da belíssima e bastante apropriada opinião deixada hoje pelo leitor Luis Henrique no meu texto sobre Consciência Negra do ano passado. Neste momento, é o penúltimo comentário. Procurem. Leiam. Reflitam. E me digam se estamos errados.








