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Descolagem #3

Patricia Haddad | Tue, 25 November, 2008 | 12:17 PM

No último sábado tivemos a terceira edição do Descolagem, a última deste ano, com o tema Tecnologia e Educação: uma nova escola para um novo aluno. Já falei aqui outras vezes sobre o quão fantástico é este evento, realizado no Nave pelo Beto Largman em parceria com o Oi Futuro e a Secretaria de Estado de Cultura. Este, no entanto, talvez tenha sido o que mais me fez pensar durante e depois do evento.

A primeira palestrante foi Patrícia Konder, diretora pedagógica da Escola Parque, no Rio de Janeiro. Eu diria que, de todos, ela foi a mais tradicional, apesar de mostrar que está preocupada em mudar os conceitos sobre educação que temos hoje em dia. Para a diretora, essa mudança passa até mesmo pelo espaço físico onde alunos aprendem com professores. Não há mais lugar, segundo Patrícia, para aulas apenas expositivas. Concordo com ela. Para mim, aquele famoso cuspe e giz precisa ser banido com urgência. Entra ano, sai ano, milhares de novas tecnologias surgem e a escola, de modo geral, permanece igual: professores que se acham os donos da verdade, detentores de todo o conhecimento do universo, e alunos sentados, imóveis, tentando decorar fórmulas e conceitos. Não dá mais. É preciso se reinventar. A questão é que toda e qualquer transformação necessária – e inevitável – é, também, muito difícil. Mudar toda uma forma de pensamento arraigada há anos é tarefa para quem realmente acredita em algo melhor e está disposto a escrever a história daqui para frente.

Em seguida, tivemos a apresentação de Paulo Blikstein, professor em Stanford na área de novas tecnologias para educação. Paulo tem um trabalho belíssimo voltado para populações de baixa renda e que mistura arte com tecnologia. No telão, ele exibiu alguns destes trabalhos e eu confesso que me emocionei com os resultados que vi. Ali, no Descolagem, Paulo falou do pensamento computacional e fez uma experiência com a participação do público. Primeiro, com a ajuda do Largman, desenhou um círculo em um quadro, improvisando um compasso com duas canetas e um pedaço de barbante. Pediu, então, que alguém da platéia calculasse a área, utilizando a conhecida fórmula Pi R2 Depois, fez disparos aleatórios de balas de tinta contra o tal quadro, usando uma arma de paintball. Em seguida, solicitou a três participantes que fizessem um determinado número de pontos, também aleatórios, no mesmo quadro, usando giz e canetas. No final, Paulo contou o total de pontos feitos, quantos estavam dentro do círculo desenhado e, com uma regra de três mostrou que daquela forma era possível achar a área do círculo ou de qualquer outra forma geométrica. O pensamento computacional transforma as coisas complicadas em tarefas mais simples. E com aquilo que parecia brincadeira, mas que é usado em estudos de mecância quântica e estatística, Paulo nos provou que matemática não é sinônimo de fórmulas decoradas, como muitos professores já me fizeram acreditar ao longo dos meus anos de estudo.

Enquanto o Lens Kraftone preparava os equipamentos para a sua apresentação musical, abriu-se para perguntas do público. O primeiro a se manifestar foi Antônio, um professor, também sociólogo, que estava sentado ao eu lado. Antônio questionou se a sua profissão vai deixar de existir. Para ele, os discursos da Patrícia e do Paulo levam a crer que os professores não serão mais os detentores do conhecimento e que serão então substituídos pelas novas tecnologias. A impressão que tive foi a de que ele não entendeu nada do que foi dito pelos dois primeiros palestrantes. Em momento algum se falou no fim do professor, mas na mudança da sua forma de atuar. O professor do futuro, que para mim já chegou, não é mais um ser supremo, dotado de todo o conhecimento necessário. Não! Os profissionais de educação precisam entender que todos nós, independentemente de nossas profissões, estamos em aprendizado contínuo. A cada dia surgem coisas novas. A cada dia temos a oportunidade de aprender alguma coisa, de mudarmos de opinião, de aprimorarmos conceitos. Quem achar que nada disso é importante vai ficar para trás. Quem não souber aproveitar as chances que surgem a todo instante vai pender o bonde da história e não terá lugar nesse novo mundo que está surgindo.

Momento de descontração. Hora do Lens Kraftone, um grupo que faz música com os joysticks do Wii. Para quem não sabe, Wii é um novo tipo de videogame que no lugar daqueles tradicionais comandos com uma haste que movimentávemos para frente, para trás e para os lados, utliza acessórios que fazem o jogador se movimentar de verdade. Para jogar tênis, por exemplo, é preciso imitar um tenista e dar raquetadas no ar, segurando, claro, o controle do jogo. Pois este grupo, o Lens Kraftone, transformou os movimentos feitos com este joysticks diferentes em sinais de midi representando notas musicais, gerando, então, música. O resultado é surpreendente e contagiante! Os integrantes estão mesmo de parabéns pelo trabalho!

Antes do último palestrante, Caribé falou um pouco sobre o movimento de ciberativismo contra o projeto de lei do senador Eduardo Azeredo. Há, na internet, diversos textos sobre este assunto. Eu mesma já escrevi aqui no blog sobre o caso, que é seríssimo (leia aqui, aqui, aqui e aqui). Recomendo a leitura deste texto do Caribé, onde será possível entender melhor o que está se passando e o que poderá acontecer. Precisamos nos engajar e a hora é agora. Já chega deste (des)governo fazendo e acontecendo, enxergando as coisas por lentes tortas e turvas, tomando atitudes nada democráticas e implantando uma verdadeira ditadura civil neste país.

Chegou a hora então do encerramento triunfal dos Descolagens deste ano. Luli Radfahrer, Ph.D. em Comunicação Digital, fez sua performance. Luli é ligado em 440v – 220v é pouco. Ninguém viu, mas tenho certeza de que ele estava conectado a alguma mega-super-tera-ultra bateria. Falar na velocidade em que ele falou, sem interrupções, por mais de uma hora, não é tarefa para simples mortais. Utilizando uma história em quadrinhos projetada no telão, Luli mostrou que as novas tecnologiais digitais ainda são praticamente desconhecidas pelas escolas. Pior: muitos professores teimam em ignorá-las e em proibir o uso de novas formas de comunicação interativa simplesmente porque têm MEDO DO DESCONHECIDO! Sim, eu sei que tudo aquilo que não se conhece gera, sim, medo. Mas este medo tem que ser saudável, tem que servir de estímulo para se ir adiante. Trancar-se dentro de sua redoma segura e afastar-se do mundo atual só tornará qualquer um que aja deste jeito em uma pessoa cada vez mais anti-social, mais infeliz, mais fora da realidade.

Em um determinado momento, Luli disse que não adianta se falar da capital da Eslovênia nas escolas se esta informação não tem nenhuma conexão com a realidade do aluno. Voltei no tempo. Tentei me lembrar do que aprendi no primário, no ginásio e no científico e o que de fato eu ainda me recordo. Muito pouca coisa. Mas uma coisa eu nunca esqueci: desde pequena eu sempre me questionei a necessidade de aprender tudo aquilo que me era “ensinado”, da forma como era “ensinado”, e também sempre senti falta de outros ensinamentos. Tive que decorar como as flores se reproduzem, sob pena de não passar de ano, mas nunca tive acesso a noções básicas de Direito, por exemplo. Assuntos que fazem parte do nosso dia-a-dia são ignorados, ou pelo menos sempre foram ignorados nos meus tempos de colégio – e olha que estudei em bons colégios.

Saí do Nave com a esperança de que aquelas pessoas que ouviram tudo aquilo que foi dito lá dentro disseminem essas novas idéias. Espero que elas de fato acreditem que é preciso mudar e coloquem a mão na massa. Já será um começo. A tarefa será árdua, haverá sempre alguém que irá se recusar a aceitar que os tempos mudaram, que não podemos mais viver hoje em dia como vivíamos nas décadas de 40, 50, 60. Haverá sempre alguém que condenará as novas tecnologias, que as culpará de coisas horríveis, esquecendo-se de que o que temos à disposição hoje em dia são tão-somente novos instrumentos. Cabe a nós todos usá-los de forma útil, sábia. Cabe a nós também, especialmente a quem lida com estas novidades hoje em dia, tornar tudo isso acessível a todos.

Hércules precisará fazer hora extra e encarar um décimo terceiro trabalho.

* * *

Mais Descolagem:

  • Minhas fotos no Flickr
  • Outras fotos no Flickr
  • Cobertura ao vivo feita pela @maffalda
  • Texto de Carlos Nepomuceno
  • Resumo em Vídeo
  • Vídeos da apresentação de Paulo Blikstein, por @lesilva: aqui e aqui
  • Vídeos da apresentação de Luli Radfahrer, por @lesilva: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui
  • Vídeos Lens Kraftone: aqui, aqui e aqui

Se mais alguém tiver links para inserir nesta lista, é só deixar nos comentários.

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Cultura, Mundo Digital, Opinião
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Beto Largman, Caribé, ciberativismo, descolagem, Eduardo Azeredo, educação, Lens Kraftone, Luli Radfahrer, Nave, novas tecnologias, Patrícia Konder, Paulo Blikstein
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Nunca antes na história deste país

Patricia Haddad | Sat, 19 July, 2008 | 12:47 AM
Blogagem Coletiva sobre Política

Blogagem Coletiva sobre Política

Sabe… eu estou convencida de que… nunca antes na história deste país eu vi tanto escândalo envolvendo o governo acontecendo. Chega a ser difícil enumerar tudo aqui. Como hoje é dia de blogagem coletiva sobre política, talvez reunindo todos os textos que estão sendo produzidos possamos ter um apanhado de tudo o que anda nos angustiando, enraivecendo, envergonhando.

Tivemos o mensalão do Roberto Jefferson, que nos garantiu excelentes tardes na Tv Senado e só. Punição mesmo para os envolvidos eu não vi. Marcos Valério criou cabelo, Zé Dirceu fingiu ter se retirado da vida política (hahaha!), Lula disse que nunca soube de nada.

Tivemos a demissão em massa de funcionários da Varig em julho de 2006. O governo disse que haveria solução de mercado. Passageiros e trabalhadores seriam absorvidos pelas outras companhias. O que se viu em seguida foi um caos inimaginável em todo o país, com pessoas dormindo dias nos saguões, crianças viajando sozinhas para o destino errado e por aí vai. Os demitidos da Varig? Ah! Muitos continuam até hoje DESEMPREGADOS e os aposentados ficaram sem suas complementações de aposentadoria porque a Secretaria de Previdência Complementar do governo foi NEGLIGENTE e colocou o Aerus sob intervenção.

Tivemos o acidente envolvendo um Boeing da Gol e um Legacy. Os pilotos, americanos, estão sendo considerados os culpados. Afinal, nada como ter yankees como bodes expiatórios. A imprensa brasileira ignorou um comunicado da FAA, espécie de Anac americana, sobre a posição do transponder nos equipamentos da Embraer. Para entender a gravidade do assunto, recomendo a leitura do post Onde é que você coloca os seus pés? 

O caos continuou, outros escândalos dos quais não me recordo aconteceram e quando a gente achava que não poderia haver outra tragédia… 17 de junho de 2007. Um airbus modelo A320 da Tam pousa em Congonhas com um reverso travado, não responde a comandos dos pilotos, não desacelera, vara a pista, atravessa a avenida em frente ao aeroporto e se choca com um prédio da Tam Express. De lá para cá, os mais variados absurdos já foram falados, as mais surreais hipóteses foram levantadas, mas responsabilizar a Tam e o governo que é bom, nada! Sim, o governo é responsável por esse acidente e se quiserem saber porque penso assim, sugiro uma busca no blog pelos textos em que falo do assunto. O mesmo vale para o que penso sobre a Tam.

Não sei se antes ou depois disso tivemos o caso da tapioca. Descobriu-se que o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, pagou uma unidade da referida iguaria com o cartão de crédito corporativo do governo. O preço? Pouco mais de R$8,00. Depois de ocupar as capas dos jornais por alguns dias, o assunto começou a ser ridicularizado pelos xiitas que denfendem este (des)governo. ora, ora! Os brasileiros estão indignados com meros R$8,00! Parece mesquinharia, né? Mas não é. Pombas, será que ninguém percebe o absurdo que é um ministro de estado precisar pagar um reles café da manhã de menos de dez reais com cartão de crédito? É ridículo! Fosse ele um trabalhador comum eu teria pena. “Coitado, não tem dinheiro vivo para comer e recorreu ao dinheiro de plástico”.

Recentemente, o caso da venda da Varig e da VarigLog veio à tona. O que para muitos foi motivo de espanto, para os ex-funcionários e aposentados foi uma espécie de “mais do mesmo”. A força que o planalto fez para acabar com a Varig nunca foi segredo para quem estava lá dentro. A operação conjunta (code-share) entre a Varig e a Tam, determinada pelo governo, foi uma tremenda retroescavadeira. Abriu ainda mais o buraco em que estava a Pioneira, aumentando o “montinho” da empresa vermelha-da-cor-do-PT. O aproveitamento e a rentabilidade dos vôos compartilhados era de dar raiva. E não se podia fazer nada.

Para abafar o caso Varig, que de fato atingiu este (des)governo, nada como um outro escãndalo. Desta vez, onze, eu disse ONZE integrantes do Exército entregaram 3 rapazes a traficantes de um morro rival. Pronto. Houve uma procissão de políticos no Morro da Providência. Todos foram pedir desculpas às famílias dos mortos. Imediatamente falou-se em uma indenização. O Exército – leia-se a INSTITUIÇÃO INTEIRA – foi execrado, atacado, humilhado em cadeia nacional. Os verdadeiros assassinos? Ah, sobre esses ninguém mais falou não.

Entra em cena uma nova tragédia. Daniel Duque, de 18 anos, é morto por um policial pago pelo estado para fazer a segurança de uma promotora de justiça. No entanto, esse PM estava acompanhando o filho dela em uma boate. Ora, minha gente, o menininho precisa se divertir! Precisa viver! Precisa ficar até às 5 da manhã em uma boate bebendo todas, escoltado por um servidor público! Quem mandou a gente ter profissões menos arriscadas que não dão direito a segurança particular? Se bem que há controvérsias sobre essa questão de profissão de risco. Hoje em dia, o simples ato de sair pelas ruas já é um perigo, pelo menos no Rio. Jornalistas de O Dia foram torturados e, que eu saiba, não teve político indo pedir perdão a eles.  

Passamos a achar a cada semana que já tínhamos visto de tudo. Nada faltava acontecer. Ledo engano. Policiais inocentes, que devem escrever cartinhas para o Papai Noel, acreditaram que os bandidos que perseguiam tinham gentilmente parado o carro à espera dos senhores da lei. Estes, no entanto, não cogitaram uma possível rendição. Metralharam o veículo. De dentro dele, uma mãe desesperada joga a bolsa do filho de 9 meses para chamar a atenção. Não adiantou. Ao final de 17 tiros seu outro filho, João Roberto, de apenas 3 anos, estava à beira da morte. Foram apenas mais dois dias até que o menino não resistiu. Câmeras de segurança registraram a ação. Ainda assim, os covardes insistiram em dizer que houve um tiroteio. É de dar nojo.

Segue-se uma semana de reportagens sobre o papel da polícia, seu modo de agir, seus métodos. Uma semana. E a cena se repete. Policiais vêem um marginal abordando um motorista e entrando no carro. Inicia-se uma perseguição. Sabiam que dentro havia, no mínimo, o assaltante E a vítima. Em poucos minutos a ação acaba. O saldo final foi um carro metralhado e o administrador Luis Carlos Soares da Costa ferido mortalmente. Uma equipe do SBT estava na área e gravou o final da ação. A vítima foi puxada do carro como NÃO se puxa um animal. Os policiais afirmam que foram injustamente alvejados e que apenas revidaram. Todos acham que agiram certo.

É bom lembrar que não houve procissão de políticos para pedir perdão aos jornalistas de O Dia, à família de Daniel Duque, de João Roberto, de Luis Carlos. Falta de tempo. Lula teve que ir comer uns sushis com o pessoal do G8 lá em Tóquio. Cabral tem se dedicado ao hobby de andar de bicicleta em parquinhos por aí. Realmente, os afazeres são muitos. Não sobra tempo para essas questões menores.

Permeando todos os acontecimentos descritos acima, tivemos as diversas invasões do MST, que jamais foram citadas pelo presidente Lula. O ilustríssimo presidente desta república não abriu a boca para falar um ai sobre as destruições provocadas pelo “movimento social”. Tivemos também as convenientes descobertas de poços de petróleo pela Petrobrás. Somos quase um oriente médio já, causando inveja à Opep. Aguarde o próximo escândalo e descubra onde está nossa nova reserva de ouro negro. 

Ah! Claro! Não podemos esquecer do projeto do Azeredo, tema de outras postagens mais extensas aqui e em outros blogs . E o que dizer da palhaçada do prende-solta-prende-solta do Daniel Dantas, patrocinada pelo Gilmar Mendes? Para terminar este post, que acabou falando de tudo menos de censura, tivemos na quinta-feira mais uma atuação patética do governador deste estado. Após a morte de dois policiais, metralhados dentro de uma viatura no Leblon, Cabral se perguntou em tom indignado que cidade é esta. Ora, governador, somos nós que lhe fazemos esta pergunta! Ao senhor, cabe tão somente dar a resposta.

* * *

Caso encontrem algum erro de digitação, favor reportar nos comentários. O texto foi escrito de madrugada e não foi revisado. Grata!

O último parágrafo deste texto sofreu leves alterações na manhã de sábado, 19/07/2008, desmenbrando-se em dois.

Este post faz parte da blogagem coletiva sobre política promovida pelo blog Xô Censura. A lista atualizada dos particiapntes pode ser conferida aqui.

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E o projeto mudou…

Patricia Haddad | Thu, 17 July, 2008 | 09:32 PM

Todo o burburinho provocado na internet, especialmente pela blogosfera, em relação ao polêmico projeto do Eduardo Azeredo sobre crimes na rede surtiu efeito. Não me venham dizer que o ciberativismo não teve nada a ver porque teve sim. Foram muitos os blogs que se dispuseram a tratar do assunto, a petição ultrapassou as 50 mil assinaturas, os senadores foram bombardeados com mensagens, emails foram disparados para que todos ficassem por dentro do assunto, a Abranet (Associação Brasileira de Provedores de Internet) também se manifestou contra.

Antes de mais nada, preciso esclarecer uma coisa: não sou, nem nunca fui, contra algum tipo de controle. Ele é necessário. Leis são necessárias e até o momento não há nada em vigor que trate de crimes cometidos por meio de computadores e da internet. Portanto, estava mais do que na hora de ser pensar no caso. A questão é que o projeto original beirava o surrealismo. No entanto, sem que nós soubéssemos, o texto foi modificado e muitas das aberrações foram amenizadas. Ainda está longe de ser o ideal, mas já foi um bom começo.  

No site do Senado é possível ler o texto integral. Como a compreensão não é das mais fáceis, sugiro a leitura do excelente post publicado pela Lu Monte. O trabalho que ela teve de dissecar a proposta e fazer os comentários pertinentes merece os parabéns. Sinceramente, acho difícil alguém conseguir produzir um texto melhor que o dela.

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Liberdade na Internet com os dias contados

Patricia Haddad | Thu, 10 July, 2008 | 10:25 AM
Na noite desta quarta-feira o Senado aprovou o projeto que pune crimes praticados por meio da internet. A notícia está no Globo e na Folha. À primeira vista, a idéia até parece excelente! Vão prender os pedófilos e os ladrões de senhas, que beleza! Finalmente uma atitude bacana vinda de Brasília! Se fosse só isso…
 
Também vão prender os disseminadores de vírus. Hum. Uma das características mais utilizadas pelos hackers que criam estes vírus é a capacidade de auto-reprodução e auto-disseminação dos mesmos, por meio de mensagens eletrônicas enviadas em nome de outros usuários à revelia deles. Quem nunca recebeu um  aviso dos amigos dizendo que “você” tinha enviado um email com vírus, quando você sequer tinha mandado alguma mensagem? Já pensou você se tornando um criminoso sem nem saber como? Viram como o assunto é complexo e não pode ser resumido em uma frase?
 
Além disso, os provedores serão obrigados a guardar por três anos todas as informações de acesso de todos os usuários. Nome, data, hora, o que acessou, o que leu, o que pesquisou, onde clicou, o que baixou. Tudo. Tudinho. Lembram-se do Big Brother, aquele programa que tanta gente detesta? Pois seremos todos participantes do BBB, mas sem direito a ir a programas de tv.
 
Por isso, é imprescindível a participação de todos na petição pelo veto a este projeto absurdo. Assine. Mande um email para todos os seus contatos. Faça a sua parte. Já passamos das 11 mil assinaturas até o momento (10/07/08, 10h da manhã), mas precisamos de muito mais.
 
Link da petição onde é possível entender um pouco mais sobre o projeto e assiná-la: http://www.petitiononline.com/veto2008/petition.html
* * *
Update: para entender ainda mais sobre o projeto e suas conseqüências, acesse SaferNet Brasil.
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Internauta não é sinônimo de criminoso!

Patricia Haddad | Wed, 09 July, 2008 | 10:56 PM

Diga não ao projeto do Azeredo

Uma proposta do senador Eduardo Azeredo sobre crimes praticados na internet transformou-se na polêmica da vez. Também, pudera! Se em um primeiro momento a idéia parece bacana, pois quer instituir punição para quem rouba senhas e espalha vírus, um exame mais apurado revela um texto absurdo, incompatível com o século 21.

Uma das determinaçãoes do projeto é que os provedores guardem por três anos todos os dados de todos os acessos de todos os internautas. Em rápidas palavras, e fazendo uma analogia para facilitar a compreensão, é mais ou menos o seguinte: você escreve uma carta e manda para um parente de Minas Gerais. Os correios, então registram por três anos que o sr. Fulano de Tal, que mora em tal lugar, enviou uma carta de no dia tal, às tantas horas, para o sr. Beltrano de Tal, que mora em tal lugar. O envelope continha uma folha e o assunto era a viagem de férias da família do remetente.

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado já aprovou essa aberração, que agora irá a votação no plenário. É claro que o assunto é muito mais complexo do que a historinha que contei no parágrafo de cima e por isso mesmo merece uma análise ampla e cuidadosa. No blog de Sérgio Amadeu, por exemplo, há um texto bem explicativo sobre os erros deste projeto e cuja leitura eu recomendo. Aliás, sugiro também a leitura do Digital Drops, do Fábio Seixas, Software Livre e Pedro Dória. 

Para evitar que esse desastre vá a frente do jeito que foi criado uma grande blogagem coletiva está marcada para o dia 19 de julho. Neste dia, todos os blogueiros estão convidados a escrever um post político. O foco deve ser o projeto do Eduardo Azeredoe a ameaça que ele representa, mas todos estão livres para aproveitar a oportunidade e fazer outras críticas. Quem não tem blog está igualmente convidado a participar, fazendo comentários nos textos que serão publicados. Enquanto este dia não chega, aproveite para assinar a petição pelo veto ao projeto de cibercrimes – em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na internet brasileira. É rápido, não requer prática nem tampouco habilidade! Dê a sua contribuição. Participe!

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