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Nunca antes na história deste país

Patricia Haddad | Sat, 19 July, 2008 | 12:47 AM
Blogagem Coletiva sobre Política

Blogagem Coletiva sobre Política

Sabe… eu estou convencida de que… nunca antes na história deste país eu vi tanto escândalo envolvendo o governo acontecendo. Chega a ser difícil enumerar tudo aqui. Como hoje é dia de blogagem coletiva sobre política, talvez reunindo todos os textos que estão sendo produzidos possamos ter um apanhado de tudo o que anda nos angustiando, enraivecendo, envergonhando.

Tivemos o mensalão do Roberto Jefferson, que nos garantiu excelentes tardes na Tv Senado e só. Punição mesmo para os envolvidos eu não vi. Marcos Valério criou cabelo, Zé Dirceu fingiu ter se retirado da vida política (hahaha!), Lula disse que nunca soube de nada.

Tivemos a demissão em massa de funcionários da Varig em julho de 2006. O governo disse que haveria solução de mercado. Passageiros e trabalhadores seriam absorvidos pelas outras companhias. O que se viu em seguida foi um caos inimaginável em todo o país, com pessoas dormindo dias nos saguões, crianças viajando sozinhas para o destino errado e por aí vai. Os demitidos da Varig? Ah! Muitos continuam até hoje DESEMPREGADOS e os aposentados ficaram sem suas complementações de aposentadoria porque a Secretaria de Previdência Complementar do governo foi NEGLIGENTE e colocou o Aerus sob intervenção.

Tivemos o acidente envolvendo um Boeing da Gol e um Legacy. Os pilotos, americanos, estão sendo considerados os culpados. Afinal, nada como ter yankees como bodes expiatórios. A imprensa brasileira ignorou um comunicado da FAA, espécie de Anac americana, sobre a posição do transponder nos equipamentos da Embraer. Para entender a gravidade do assunto, recomendo a leitura do post Onde é que você coloca os seus pés? 

O caos continuou, outros escândalos dos quais não me recordo aconteceram e quando a gente achava que não poderia haver outra tragédia… 17 de junho de 2007. Um airbus modelo A320 da Tam pousa em Congonhas com um reverso travado, não responde a comandos dos pilotos, não desacelera, vara a pista, atravessa a avenida em frente ao aeroporto e se choca com um prédio da Tam Express. De lá para cá, os mais variados absurdos já foram falados, as mais surreais hipóteses foram levantadas, mas responsabilizar a Tam e o governo que é bom, nada! Sim, o governo é responsável por esse acidente e se quiserem saber porque penso assim, sugiro uma busca no blog pelos textos em que falo do assunto. O mesmo vale para o que penso sobre a Tam.

Não sei se antes ou depois disso tivemos o caso da tapioca. Descobriu-se que o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, pagou uma unidade da referida iguaria com o cartão de crédito corporativo do governo. O preço? Pouco mais de R$8,00. Depois de ocupar as capas dos jornais por alguns dias, o assunto começou a ser ridicularizado pelos xiitas que denfendem este (des)governo. ora, ora! Os brasileiros estão indignados com meros R$8,00! Parece mesquinharia, né? Mas não é. Pombas, será que ninguém percebe o absurdo que é um ministro de estado precisar pagar um reles café da manhã de menos de dez reais com cartão de crédito? É ridículo! Fosse ele um trabalhador comum eu teria pena. “Coitado, não tem dinheiro vivo para comer e recorreu ao dinheiro de plástico”.

Recentemente, o caso da venda da Varig e da VarigLog veio à tona. O que para muitos foi motivo de espanto, para os ex-funcionários e aposentados foi uma espécie de “mais do mesmo”. A força que o planalto fez para acabar com a Varig nunca foi segredo para quem estava lá dentro. A operação conjunta (code-share) entre a Varig e a Tam, determinada pelo governo, foi uma tremenda retroescavadeira. Abriu ainda mais o buraco em que estava a Pioneira, aumentando o “montinho” da empresa vermelha-da-cor-do-PT. O aproveitamento e a rentabilidade dos vôos compartilhados era de dar raiva. E não se podia fazer nada.

Para abafar o caso Varig, que de fato atingiu este (des)governo, nada como um outro escãndalo. Desta vez, onze, eu disse ONZE integrantes do Exército entregaram 3 rapazes a traficantes de um morro rival. Pronto. Houve uma procissão de políticos no Morro da Providência. Todos foram pedir desculpas às famílias dos mortos. Imediatamente falou-se em uma indenização. O Exército – leia-se a INSTITUIÇÃO INTEIRA – foi execrado, atacado, humilhado em cadeia nacional. Os verdadeiros assassinos? Ah, sobre esses ninguém mais falou não.

Entra em cena uma nova tragédia. Daniel Duque, de 18 anos, é morto por um policial pago pelo estado para fazer a segurança de uma promotora de justiça. No entanto, esse PM estava acompanhando o filho dela em uma boate. Ora, minha gente, o menininho precisa se divertir! Precisa viver! Precisa ficar até às 5 da manhã em uma boate bebendo todas, escoltado por um servidor público! Quem mandou a gente ter profissões menos arriscadas que não dão direito a segurança particular? Se bem que há controvérsias sobre essa questão de profissão de risco. Hoje em dia, o simples ato de sair pelas ruas já é um perigo, pelo menos no Rio. Jornalistas de O Dia foram torturados e, que eu saiba, não teve político indo pedir perdão a eles.  

Passamos a achar a cada semana que já tínhamos visto de tudo. Nada faltava acontecer. Ledo engano. Policiais inocentes, que devem escrever cartinhas para o Papai Noel, acreditaram que os bandidos que perseguiam tinham gentilmente parado o carro à espera dos senhores da lei. Estes, no entanto, não cogitaram uma possível rendição. Metralharam o veículo. De dentro dele, uma mãe desesperada joga a bolsa do filho de 9 meses para chamar a atenção. Não adiantou. Ao final de 17 tiros seu outro filho, João Roberto, de apenas 3 anos, estava à beira da morte. Foram apenas mais dois dias até que o menino não resistiu. Câmeras de segurança registraram a ação. Ainda assim, os covardes insistiram em dizer que houve um tiroteio. É de dar nojo.

Segue-se uma semana de reportagens sobre o papel da polícia, seu modo de agir, seus métodos. Uma semana. E a cena se repete. Policiais vêem um marginal abordando um motorista e entrando no carro. Inicia-se uma perseguição. Sabiam que dentro havia, no mínimo, o assaltante E a vítima. Em poucos minutos a ação acaba. O saldo final foi um carro metralhado e o administrador Luis Carlos Soares da Costa ferido mortalmente. Uma equipe do SBT estava na área e gravou o final da ação. A vítima foi puxada do carro como NÃO se puxa um animal. Os policiais afirmam que foram injustamente alvejados e que apenas revidaram. Todos acham que agiram certo.

É bom lembrar que não houve procissão de políticos para pedir perdão aos jornalistas de O Dia, à família de Daniel Duque, de João Roberto, de Luis Carlos. Falta de tempo. Lula teve que ir comer uns sushis com o pessoal do G8 lá em Tóquio. Cabral tem se dedicado ao hobby de andar de bicicleta em parquinhos por aí. Realmente, os afazeres são muitos. Não sobra tempo para essas questões menores.

Permeando todos os acontecimentos descritos acima, tivemos as diversas invasões do MST, que jamais foram citadas pelo presidente Lula. O ilustríssimo presidente desta república não abriu a boca para falar um ai sobre as destruições provocadas pelo “movimento social”. Tivemos também as convenientes descobertas de poços de petróleo pela Petrobrás. Somos quase um oriente médio já, causando inveja à Opep. Aguarde o próximo escândalo e descubra onde está nossa nova reserva de ouro negro. 

Ah! Claro! Não podemos esquecer do projeto do Azeredo, tema de outras postagens mais extensas aqui e em outros blogs . E o que dizer da palhaçada do prende-solta-prende-solta do Daniel Dantas, patrocinada pelo Gilmar Mendes? Para terminar este post, que acabou falando de tudo menos de censura, tivemos na quinta-feira mais uma atuação patética do governador deste estado. Após a morte de dois policiais, metralhados dentro de uma viatura no Leblon, Cabral se perguntou em tom indignado que cidade é esta. Ora, governador, somos nós que lhe fazemos esta pergunta! Ao senhor, cabe tão somente dar a resposta.

* * *

Caso encontrem algum erro de digitação, favor reportar nos comentários. O texto foi escrito de madrugada e não foi revisado. Grata!

O último parágrafo deste texto sofreu leves alterações na manhã de sábado, 19/07/2008, desmenbrando-se em dois.

Este post faz parte da blogagem coletiva sobre política promovida pelo blog Xô Censura. A lista atualizada dos particiapntes pode ser conferida aqui.

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