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Gol contra – golpe final

Patricia Haddad | Tue, 28 October, 2008 | 06:22 PM

Depois do estresse da ida e da volta, já devidamente narrados detalhadamente nos dois posts abaixo, nada mais podia acontecer, certo? Errado!

Às 21h já estávamos sentadas em frente ao portão de emabrque. Papo vai, papo vem, não vimos a hora passar. De repente, passageiros que já formavam fila começam a reclamar com um funcionário Gol. Já eram 21h50, hora marcada para a decolagem, e nem sinal de começo do nosso embarque. O rapaz diz que o atraso já tinha sido informado pelo sistema de som. Os passageiros retrucam que não tinha sido falado nada. O funcionário, que reza pela cartilha padrão Gol de excelência no atendimento, respondeu rispidamente:

- Senhora, eu já falei que foi anunciado no sistema de som. O vôo acabou de pousar agora – falou, apontando para o avião lá na pista. -  Já vão embarcar já. Eu mesmo mandei anunciar o atraso, então já foi anunciado.

Queridos, me respondam: para quê o moço foi inventar isso perto de mim?

- Ah, não!!! Não foi nada avisado não senhor porque eu estou aqui desde as 21h! E tem mais: o vôo não chegou agora coisíssima nenhuma. Esta aeronave está parada aí desde antes de eu chegar aqui!

Estão até agora procurando este funcionário, que se escafedeu de lá. Alguns minutos depois, enfim, embarcamos e decolamos, já com algum atraso.

Enquanto isso, aqui no Santos Dumont, meus pais e a mãe da Cíntia nos aguardavam. Meu pai resolveu ir conferir o painel com os horários de chegada. Já passava de 22h20 e nosso vôo não constava lá. Preocupado, meu pai foi ao balcão da Infraero, onde recebeu a informação do Sr. Braga de que não havia mais vôos para chegar. “Como não? Minha filha me ligou por volta das 21h30 dizendo que estava embarcando!” O funcionário da Infraero ligou para algum lugar e depois disse que o vôo já estava chegando. A desculpa para ele não constar do painel foi que tratava-se de vôo novo que ainda não estava na malha! Ã-hã.

Passados mais alguns minutos, como em um passe de mágica, o vôo apareceu no painel, porém sem a informação do horário de chegada. Mais outros minutos e a bomba: na direção do G31562, a informação CONTATE A CIA AÉREA. Meu pai e as outras pessoas que também aguardavam a chegada deste vôo entraram em desespero. Como não havia ninguém da Gol por ali, foi até o terminal de embarque. Um guarda informou que os funcionários da empresa estavam todos em uma salinha ao lado do check-in. Ao entrar, três funcionários vieram logo em sua direção. Dá para imaginar o que se passou na cabeça dele a esta hora?

Quando perguntou o que tinha acontecido com o nosso vôo, a resposta foi que o mesmo já estava quase pousando. A informação no painel? Ah, normal! É assim mesmo. Quando não tem o horário de chegada, aquela informação entra automaticamente. Simples assim.

O que você, que está lendo este texto, pensaria ao ler CONTATE A CIA AÉREA ao lado do vôo que você aguarda e que já está atrasado? Podem imaginar o que uma pessoa sente nessa hora? Dá para ter idéia do desespero que bate ao ler aquilo? Tem noção da agonia que é? Tem noção da raiva que bate quando os funcionários da empresa – que não custa lembrar era a GOL – dizem com a cara mais lavada do mundo que aquilo é assim mesmo? Pois é. Depois de tudo que já tinha nos acontecido, mal podíamos saber o que estava se passando no aeroporto aqui.

Parabéns à GOL pela eficiência em desrespeitar seus clientes de todas as formas possíveis.

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Gol contra novamente – volta

Patricia Haddad | Tue, 28 October, 2008 | 03:20 PM

Aprendam uma coisa: uma empresa nunca é tão ruim a ponto de não poder piorar. Esta foi a lição que a Gol me ensinou no último sábado. Quando pensei que todo o mal atendimento da manhã tinha sido suficiente, a tal da Linhas Aéreas Inteligentes me mostrou que sempre há espaço para mais: mais desorganização, mais informação errada, mais falta de educação, mais falta de respeito com os passageiros.

Chegamos cedo em Congonhas para voltar para o Rio. Escaldada, resolvi ir à loja da Gol conferir se estava tudo certinho. A funcionária, que depois soube chamar-se Patrícia,conferiu tudo e nos ofereceu a antecipação do nosso vôo para o das 20h10. Eram 19h50. Seguimos direto para o check-in em frente e informei à funcionária de lá que queria antecipar minha viagem, originalmente marcada para 21h50, para o próximo vôo. A moça me disse que não havia o tal vôo de 20h10. “Como não?“, perguntei. “Sua colega ali da loja é que acabou de me oferecer este vôo!”

Primeiro, a mocinha quis saber exatamente quem tinha me oferecido o vôo mais cedo. Depois, cochichou com o colega do lado que a funcionária da loja tinha passado informações erradas novamente. Isso, claro, em tom de deboche da atendente que, não custa lembrar, é colega de trabalho dela. Insisti e ela me disse “Senhora, a malha hoje é reduzida!” Ok, entendi. Durante a semana tem muito mais vôos do que aos sábados e domingos. A questão era que uma funcionária tinha me oferecido um vôo que, suponho eu, tinha aparecido para ela no computador.

A mocinha do check-in começou a dar os primeiros sinais de irritação. Eu também não estava lá muito tranqüila. Afinal, era mais um problema sendo causado pela Gol. Nessas horas, pouco importa o funcionário: é a empresa que fica mal na história. A funcionária insistia em me dizer que a malha era reduzida e chegou a me mostrar uma espécie de planilha. “O próximo vôo é o seu, o que já está marcado.” Ok, a menina da loja tinha errado, então. Ao mesmo tempo, sem que eu percebesse, ela fez nosso atendimento para o vôo que tínhamos reservado, o das 21h50.

Um detalhe: tínhamos visto duas pessoas conhecidas no check-in quando nos dirigíamos para a loja da Gol. Enquanto éramos (mal) atendidas, comentei com a Cíntia: “É, acho que o Beto e o Fábio vão no mesmo vôo que a gente. Pensei que íam mais cedo, mas se não tem vôo, vão com a gente.” Ninguém me retrucou.Saímos do check-in e, claro, voltamos à loja.

- Querida, acho que você se enganou. Não há vôo às 20h10.

- Claro que há, senhora. Eu não iria lhe oferecer um vôo que não existe. Não deve ter dado tempo porque já está em cima da hora.

Cíntia respondeu por mim que não tínhamos pego fila. O sangue me subiu, as bochechas ficaram vermelhas. Respirei fundo e mandei:

- Sua colega me disse que não existe o vôo e que a malha é reduzida. Não me falou nada sobre não dar mais tempo. Disse que não há vôo às 20h10, que o próximo é o que eu já tenho marcado, repetiu que hoje a malha é reduzida e completou que você me deu informação errada. Até comentou isso com o rapaz ao lado.

Lá fomos nós três para o check-in. Foi então que a já nada simpática funcionária de lá ficou ainda mais antipática. Negou que tivesse me dito o que disse. Afirmou que a informação que tinha me passado era de que não dava mais tempo.

- Eu não sou maluca, eu não estava sozinha, eu escutei tudo muito bem. Você afirmou que o vôo não existia. Em nenhum momento você me disse que o atendimento estava encerrado! – esbravejei, empregando o jargão normalmente utilizado nesta situação.

A esta altura, a tal mocinha não olhava mais para mim. Repeti em alto e bom som tudo o que tinha se passado. Os passageiros na fila ouviam de olhos arregalados. Até que a mui educada funcionária me faz uma cara de desdém, vira para a passageira em sua frente e começa a atendê-la, ignorando-me.

- Isso não é jeito de tratar seus clientes! Não é assim que se trata os passageiros! Que absurdo! Como é o seu nome?

- RENATA!, berrou ela quase esfregando o crachá na minha cara. Não, não é um exagero meu. Ela realmente puxou o crachá em direção ao meu rosto.

A raiva que eu senti na hora é impossível de ser transcrita aqui. A aviação brasileira foi mesmo para o brejo, para o fundo do poço, para as cucuias. Conseguiram acabar com tudo. Conseguiram acabar com a Varig e o que sobrou faz um serviço porco. Sei que não posso generalizar, mas esse é um preço que, infelizmente, quem trabalha direito vai pagar. A aviação de modo geral vai muito mal, obrigada, e os bons funcionários somem da vista. Que me perdoem os amigos queridos que tenho que são na aviação. Vocês sabem que isso não é com vocês.

Estão achando que acabou? Tem a parte final.

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Gol contra novamente – ida

Patricia Haddad | Mon, 27 October, 2008 | 08:01 PM

Que a Gol não era lá modelo de companhia eficiente eu já desconfiava. Aliás, tinha certeza. Uma empresa que adquire a marca VARIG e a joga no lixo é, no mínimo, burra. Levou de bandeja uma mina de diamantes. Teve a faca, o queijo e até a goiabada na mão. Jogou tudo fora. Perdeu dinheiro. Deixou escapar “A OPORTUNIDADE” de entrar para a história da aviação brasileira, reerguendo aquela que era o nosso orgulho. Discurso de apaixonada? Pode ser. Mas pelo breve relato que começo neste post e termino em outro vocês vão ver se não tenho razão.

Sexta-feira, 24 de outubro, tarde. Faltava pouco mais de 12 horas para o meu embarque para São Paulo junto com minha amiga Cíntia. Os bilhetes tinham sido emitidos em 5 de setembro para dois vôos Varig usando milhas do Smiles. Mas um telefonema marca o início do calvário. Tanto o vôo da ida como o da volta tinham sido cancelados e nós seríamos passadas para a Gol. Respirei fundo, reclamei um bocado mas, que remédio?, anotei os novos números e um localizador (código de reserva). “O que devo fazer amanhã?“,pergunto ao atendente. “Dirigir-se ao check-in da Gol para pegar o mini-fim (espécie de voucher).”

Sábado, 6 horas da manhã. Chego no Santos Dumont e sigo o recomendado. No check-in da Gol, conto o que tinha acontecido e o funcionário, sem nem prestar atenção ao final da minha fala, me interrompe e diz que tenho que ir para a Varig. “Veja bem, eu ERA Varig, mas fui TRANSFERIDA para a Gol!” Ele procura minha reserva e não acha. Diz que o localizador anotado no bilhete está errado. “Olha só, este código é AMADEUS. O seu sistema NÃO É AMADEUS. Portanto, você nunca vai achar minha reserva por meio do localizador. Tem que puxar pelo número do vôo e pelo nome“, ensino eu ao funcionário da Gol. Adiantou? Não. Ainda ouvi mais uma vez que tinha alguma coisa errada, tentei ensiná-lo mais outra vez e desisti.

Quando ele finalmente atendeu ao meu conselho, soltou a pérola: “Falta pagar R$142.” Pois é, depois de 10 minutos ele ainda não tinha percebido que os bilhetes eram gratuitos, emitidos com milhas. Agora foi ele quem desistiu e me passou para funcionárias Varig, que também levaram uma pequena surra para resolver o problema. Ninguém conseguia entender o que o atendente do Smiles tinha feito na nossa reserva. Mas, é aquela história. O Smiles agora é da Gol. O que eu queria, então? Atendimento de primeira? Varig e Gol agora são uma empresa só. O que eu queria? Que tudo desse certo?

Depois de meia hora, finalmente fomos para a sala de embarque. Mas, São Pedro, que não é bobo nem nada, também quis contribuir para a odisséia e baixou um nevoeiro em cima do Santos Dumont que provocou um atraso de DUAS HORAS no nosso vôo. Em compensação, acabamos embarcando em aeronave Varig, com equipe Varig e serviço de bordo Varig. Seguimos felizes para São Paulo. Mas voltaríamos à noite…

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Gol contra – Abav

Patricia Haddad | Mon, 27 October, 2008 | 06:48 PM

Abav 2008Na última semana aconteceu aqui no Rio o 36º Congresso Brasileiro de Agências de Viagem, também conhecido simplesmente como Abav. Há alguns anos não perco uma edição desta feira, que reúne agências, operadoras, hotéis e representantes dos estados brasileiros e de diversos países. Durante muito tempo fui como funcionária da Varig, mas há 2 anos vou como jornalista. Na quinta-feira passada, lá fui eu para o RioCentro conferir mais esta edição da feira.

Não vi nenhuma grande novidade. Na verdade, achei até um pouco mais fraco do que no ano passado. Não sei se é reflexo da crise ou não, mas o fato é que não achei tão empolgante como a de 2007. Na feira do ano passado vi agências muito mais animadas, com stands mais movimentados. Mas o pior mesmo para mim foi a ausência da Varig. Apesar da marca constar em alguns painéis oficiais do evento, a companhia não estava presente. A única referência era o logotipo do Smiles dentro do stand da Gol.

Como a maioria deve saber, a empresa de cor (não à toa) laranja é a controladora daquela que já foi a Estrela Brasileira. Não faz muito tempo que a compra foi sacramentada e que a Gol afirmou que manteria as duas bandeiras. Na Abav de 2007, vi a nova identidade visual da Varig ser lançada com pompa e circunstância, como pode ser conferido em algumas fotos: foto 1, foto 2 e foto 3. Acreditei – como acredito em Papai Noel – que a Gol saberia o que fazer com a poderosa marca VARIG em mãos. A Gol me enganou com seu tremendo gol contra. Que Papai Noel não me decepcione também.

Para completar o show de bolas fora, o troféu tosqueira do ano vai para o responsável pela concepção da “malinha” dada aos agentes de viagem este ano. Em 2007, assim como nos outros anos, os participantes receberam uma mala semelhante àquelas usadas por comissários, ou seja, com rodinhas e alça acoplada (veja aqui). Lembro que cheguei a reclamar que jornalistas também deveriam ganhar uma, pois a quantidade de material que eu recebi era absurda e foi um sacrifício carregar tudo. Pois este ano a tal da mala era de PAPELÃO! E milhares de rodinhas foram se perdendo pelos imensos corredores do RioCentro. Sinceramente, era melhor não terem dado nada!

O que salvou mesmo foi a palestra com o Bernardinho que, infelizmente, não pude assistir por inteiro. O pouco que ouvi, no entanto, foi suficiente para perceber que deve ter sido ótima e para encher minha cabeça de idéias. Idéias essas que, aparentemente, nada têm a ver com viagens e turismo, mas que podem acabar tendo tudo a ver!

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Dois anos

Patricia Haddad | Thu, 31 July, 2008 | 09:18 AM

Sexta-feira, 28 de julho de 2006. Devido à falta de coisas para fazer no trabalho, tirei uma folga. A crise da Varig já estava insustentável. Fazia uns 25 anos que não acreditava mais no Papai Noel, mas continuava apostando que o governo faria alguma coisa para evitar que a primeira tentativa de se usar a Nova Lei de Falências desse errado. Papai Noel, pelo menos, nunca me deixou na mão.

À tarde, visitando uma tia com meus pais, recebo uma ligação. Uma colega de trabalho me avisava que nosso setor tinha acabado e que eu não deveria comparecer ao meu plantão de final de semana. “Tem certeza?” Sim, ela tinha certeza. O “Patrão” em pessoa tinha feito o doce comunicado. Deveria apenas me apresentar na segunda-feira para formalizar a minha demissão. Quem estava lá na companhia naquela sexta-feira já estava sendo despedido. As próximas 48 horas duraram quase 11 anos e meio.

Segunda-feira, 31 de julho de 2006. Tremendo, chorando muito, com uma raiva e uma tristeza descomunais, assinei aquela folha de papel que me dizia que meus serviços não era mais necessários. O crachá, que por 11 anos e meio ostentei orgulhosa no peito, foi devolvido como se nunca tivesse me pertencido. Deve ter ido parar em alguma caixa, junto com os outros milhares igualmente entregues pelos meus colegas, e todos devem ter sido destruídos. Incrédula, via pela primeira vez uma verdadeira demissão em massa como jamais achei que pudesse acontecer. Por baixo, cinco mil pessoas de uma mesma empresa desempregadas de uma hora para a outra.

Os dias seguintes foram horríveis. Quem tem querosene de aviação na veia como eu sabe que não foi fácil aceitar o fim da Varig. Ninguém conseguia acreditar que a Varig, aquela empresa com quase 80 anos de tradição, aquela que era sinônimo de segurança estava chegando ao fim. Não era possível que a tal da Nova Lei de Falências estivesse dando errado. Estava. Por mais que insistam em dizer até hoje que deu certo, eu afirmo: deu errado. Quem mandou achar que este (des)governo faria mesmo alguma coisa? O Coelhinho da Páscoa, pelo menos, nunca esqueceu meu ovo de chocolate.

Na imprensa só se ouvia o governo falar que haveria uma (milagrosa) solução de mercado. As demais empresas absorveriam os passageiros e os funcionários. E assim vivemos meses de confusões nos aeroportos. O caos se instalou de tal forma que até hoje viajar de avião é motivo de insegurança. “Será que vai sair na hora?” Nunca se sabe. O setor se degringolou para, provavelmente, nunca mais voltar ao que era. As congêneres, em particular as duas maiores – Tam e Gol – não deram conta do recado.

Para piorar, em 29 de setembro daquele ano um avião da Gol foi atingido por um Legacy. O boeing caiu, matando 154 pessoas. O jatinho aterrissou momentos depois com pequenas avarias na asa. Até hoje não há uma resposta definitiva sobre o caso, não se sabe o quê exatamente provocou a tragédia. O que se sabe, que veio à tona com este acidente, é que nosso controle aéreo está defasado, que nossos controladores são praticamente analfabetos em inglês, que há uma grande área de sombra na região da Amazônia e que a posição do transponder nos Legacys não é a mais apropriada. Os pilotos americanos continuam sendo os algozes. Mais fácil culpar os yankees, né?

A aviação brasileira continuou decaindo. O que um dia foi motivo de orgulho para todos os brasileiros agora era motivo de chacota. Tudo dava errado. Não houve ninguém que conseguisse atender à solicitação do respeitabilíssimo presidente desta república, que queria “prazo, dia e hora” para o fim do caos nos aeroportos. Não era para menos. A experiência de quase 80 anos tinha sido descartada, jogada no lixo como se não prestasse, como se não valesse nada.

Como se uma tragédia não tivesse sido suficiente para se aprender alguma lição, um avião da Tam pousa, não consegue parar e se choca contra um prédio da própria empresa. Quem seriam os culpados? Os pilotos, claro! Imagina se este (des)governo tem alguma responsabilidade! Claro que não. Ninguém inspeciona nada, ninguém controla nada, ninguém se importa de a pista de Congonhas é curta demais para suportar um Airbus lotado em dia de chuva. Segue-se uma palhaçada generalizada, CPI aqui, CPI ali, Anac lá, Infraero acolá, Tam em lugar algum, mas, enquanto isso, culpa-se os pilotos. Voltarão para se defender?
Os ex-funcionários seguiam desempregados e sem receber seus direitos trabalhistas. Seriam absorvidos pelo mercado, tinha vaticinado o (des)governo. Não é preciso muita inteligência para saber que se Lula prometeu, não era para acreditar. Mas o pior mesmo foi ver o (des)governo do Partido dos Trabalhadores deixar tantos trabalhadores na mão. Até hoje não representamos absolutamente nada para aquele senhor que se apoderou do planalto central. O ilustríssimo só se interessa por aquilo que pode ser re$olvido com uma bol$a e$mola qualquer. Não é o nosso caso.

Lá se vão dois anos. Muitas pessoas tentam refazer suas vidas de outras maneiras. Nem todos conseguem. Quem passou da barreira dos 40 está penando para conseguir uma oportunidade nesta terra onde quem se orgulha de ser semi-analfabeto chega à presidência da república, enquanto é preciso ter o segundo grau completo e disputar com gente com diploma universitário para varrer rua. Nestes dois anos vi o MST pintar e bordar com a anuência do ex-sindicalista. Vi outras tantas coisas já narradas neste blog. E tive cada vez mais certeza de que nunca antes na história deste país tivemos tanto cinismo e cara-de-pau a serviço de meia-dúzia de barbudos hipócritas, verdadeiros ditadores civis.

Por agora, chega. E olha que nem citei os aposentados do Aerus. Por isso mesmo, aviso que este texto poderá sofrer modificações ao longo do dia. Todas serão identificadas.

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Nunca antes na história deste país

Patricia Haddad | Sat, 19 July, 2008 | 12:47 AM
Blogagem Coletiva sobre Política

Blogagem Coletiva sobre Política

Sabe… eu estou convencida de que… nunca antes na história deste país eu vi tanto escândalo envolvendo o governo acontecendo. Chega a ser difícil enumerar tudo aqui. Como hoje é dia de blogagem coletiva sobre política, talvez reunindo todos os textos que estão sendo produzidos possamos ter um apanhado de tudo o que anda nos angustiando, enraivecendo, envergonhando.

Tivemos o mensalão do Roberto Jefferson, que nos garantiu excelentes tardes na Tv Senado e só. Punição mesmo para os envolvidos eu não vi. Marcos Valério criou cabelo, Zé Dirceu fingiu ter se retirado da vida política (hahaha!), Lula disse que nunca soube de nada.

Tivemos a demissão em massa de funcionários da Varig em julho de 2006. O governo disse que haveria solução de mercado. Passageiros e trabalhadores seriam absorvidos pelas outras companhias. O que se viu em seguida foi um caos inimaginável em todo o país, com pessoas dormindo dias nos saguões, crianças viajando sozinhas para o destino errado e por aí vai. Os demitidos da Varig? Ah! Muitos continuam até hoje DESEMPREGADOS e os aposentados ficaram sem suas complementações de aposentadoria porque a Secretaria de Previdência Complementar do governo foi NEGLIGENTE e colocou o Aerus sob intervenção.

Tivemos o acidente envolvendo um Boeing da Gol e um Legacy. Os pilotos, americanos, estão sendo considerados os culpados. Afinal, nada como ter yankees como bodes expiatórios. A imprensa brasileira ignorou um comunicado da FAA, espécie de Anac americana, sobre a posição do transponder nos equipamentos da Embraer. Para entender a gravidade do assunto, recomendo a leitura do post Onde é que você coloca os seus pés? 

O caos continuou, outros escândalos dos quais não me recordo aconteceram e quando a gente achava que não poderia haver outra tragédia… 17 de junho de 2007. Um airbus modelo A320 da Tam pousa em Congonhas com um reverso travado, não responde a comandos dos pilotos, não desacelera, vara a pista, atravessa a avenida em frente ao aeroporto e se choca com um prédio da Tam Express. De lá para cá, os mais variados absurdos já foram falados, as mais surreais hipóteses foram levantadas, mas responsabilizar a Tam e o governo que é bom, nada! Sim, o governo é responsável por esse acidente e se quiserem saber porque penso assim, sugiro uma busca no blog pelos textos em que falo do assunto. O mesmo vale para o que penso sobre a Tam.

Não sei se antes ou depois disso tivemos o caso da tapioca. Descobriu-se que o Ministro dos Esportes, Orlando Silva, pagou uma unidade da referida iguaria com o cartão de crédito corporativo do governo. O preço? Pouco mais de R$8,00. Depois de ocupar as capas dos jornais por alguns dias, o assunto começou a ser ridicularizado pelos xiitas que denfendem este (des)governo. ora, ora! Os brasileiros estão indignados com meros R$8,00! Parece mesquinharia, né? Mas não é. Pombas, será que ninguém percebe o absurdo que é um ministro de estado precisar pagar um reles café da manhã de menos de dez reais com cartão de crédito? É ridículo! Fosse ele um trabalhador comum eu teria pena. “Coitado, não tem dinheiro vivo para comer e recorreu ao dinheiro de plástico”.

Recentemente, o caso da venda da Varig e da VarigLog veio à tona. O que para muitos foi motivo de espanto, para os ex-funcionários e aposentados foi uma espécie de “mais do mesmo”. A força que o planalto fez para acabar com a Varig nunca foi segredo para quem estava lá dentro. A operação conjunta (code-share) entre a Varig e a Tam, determinada pelo governo, foi uma tremenda retroescavadeira. Abriu ainda mais o buraco em que estava a Pioneira, aumentando o “montinho” da empresa vermelha-da-cor-do-PT. O aproveitamento e a rentabilidade dos vôos compartilhados era de dar raiva. E não se podia fazer nada.

Para abafar o caso Varig, que de fato atingiu este (des)governo, nada como um outro escãndalo. Desta vez, onze, eu disse ONZE integrantes do Exército entregaram 3 rapazes a traficantes de um morro rival. Pronto. Houve uma procissão de políticos no Morro da Providência. Todos foram pedir desculpas às famílias dos mortos. Imediatamente falou-se em uma indenização. O Exército – leia-se a INSTITUIÇÃO INTEIRA – foi execrado, atacado, humilhado em cadeia nacional. Os verdadeiros assassinos? Ah, sobre esses ninguém mais falou não.

Entra em cena uma nova tragédia. Daniel Duque, de 18 anos, é morto por um policial pago pelo estado para fazer a segurança de uma promotora de justiça. No entanto, esse PM estava acompanhando o filho dela em uma boate. Ora, minha gente, o menininho precisa se divertir! Precisa viver! Precisa ficar até às 5 da manhã em uma boate bebendo todas, escoltado por um servidor público! Quem mandou a gente ter profissões menos arriscadas que não dão direito a segurança particular? Se bem que há controvérsias sobre essa questão de profissão de risco. Hoje em dia, o simples ato de sair pelas ruas já é um perigo, pelo menos no Rio. Jornalistas de O Dia foram torturados e, que eu saiba, não teve político indo pedir perdão a eles.  

Passamos a achar a cada semana que já tínhamos visto de tudo. Nada faltava acontecer. Ledo engano. Policiais inocentes, que devem escrever cartinhas para o Papai Noel, acreditaram que os bandidos que perseguiam tinham gentilmente parado o carro à espera dos senhores da lei. Estes, no entanto, não cogitaram uma possível rendição. Metralharam o veículo. De dentro dele, uma mãe desesperada joga a bolsa do filho de 9 meses para chamar a atenção. Não adiantou. Ao final de 17 tiros seu outro filho, João Roberto, de apenas 3 anos, estava à beira da morte. Foram apenas mais dois dias até que o menino não resistiu. Câmeras de segurança registraram a ação. Ainda assim, os covardes insistiram em dizer que houve um tiroteio. É de dar nojo.

Segue-se uma semana de reportagens sobre o papel da polícia, seu modo de agir, seus métodos. Uma semana. E a cena se repete. Policiais vêem um marginal abordando um motorista e entrando no carro. Inicia-se uma perseguição. Sabiam que dentro havia, no mínimo, o assaltante E a vítima. Em poucos minutos a ação acaba. O saldo final foi um carro metralhado e o administrador Luis Carlos Soares da Costa ferido mortalmente. Uma equipe do SBT estava na área e gravou o final da ação. A vítima foi puxada do carro como NÃO se puxa um animal. Os policiais afirmam que foram injustamente alvejados e que apenas revidaram. Todos acham que agiram certo.

É bom lembrar que não houve procissão de políticos para pedir perdão aos jornalistas de O Dia, à família de Daniel Duque, de João Roberto, de Luis Carlos. Falta de tempo. Lula teve que ir comer uns sushis com o pessoal do G8 lá em Tóquio. Cabral tem se dedicado ao hobby de andar de bicicleta em parquinhos por aí. Realmente, os afazeres são muitos. Não sobra tempo para essas questões menores.

Permeando todos os acontecimentos descritos acima, tivemos as diversas invasões do MST, que jamais foram citadas pelo presidente Lula. O ilustríssimo presidente desta república não abriu a boca para falar um ai sobre as destruições provocadas pelo “movimento social”. Tivemos também as convenientes descobertas de poços de petróleo pela Petrobrás. Somos quase um oriente médio já, causando inveja à Opep. Aguarde o próximo escândalo e descubra onde está nossa nova reserva de ouro negro. 

Ah! Claro! Não podemos esquecer do projeto do Azeredo, tema de outras postagens mais extensas aqui e em outros blogs . E o que dizer da palhaçada do prende-solta-prende-solta do Daniel Dantas, patrocinada pelo Gilmar Mendes? Para terminar este post, que acabou falando de tudo menos de censura, tivemos na quinta-feira mais uma atuação patética do governador deste estado. Após a morte de dois policiais, metralhados dentro de uma viatura no Leblon, Cabral se perguntou em tom indignado que cidade é esta. Ora, governador, somos nós que lhe fazemos esta pergunta! Ao senhor, cabe tão somente dar a resposta.

* * *

Caso encontrem algum erro de digitação, favor reportar nos comentários. O texto foi escrito de madrugada e não foi revisado. Grata!

O último parágrafo deste texto sofreu leves alterações na manhã de sábado, 19/07/2008, desmenbrando-se em dois.

Este post faz parte da blogagem coletiva sobre política promovida pelo blog Xô Censura. A lista atualizada dos particiapntes pode ser conferida aqui.

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Os podres começam a aparecer…

Patricia Haddad | Wed, 04 June, 2008 | 11:59 AM

Já cansei de falar aos quatro cantos que o governo Lula jamais quis uma solução saudável para a Varig. Já repeti feito papagaio que o sonho de Lula era ver a Varig falida (sonho esse que nós, ex-funcionários, não deixamos que se realizasse). Já perdi as contas das vezes em que disse que o governo Lula estava por trás da derrocada da Varig. Pois agora está tudo vindo à tona. A manchete abaixo está na capa do Estadão de hoje:

Casa Civil favoreceu comprador da Varig, diz ex-diretora da Anac.

Clique aqui e leia mais.

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