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Rio 2016? Tô fora!

Patricia Haddad | Sun, 10 August, 2008 | 12:42 PM

Nunca fui daquelas pessoas que bradam por aí que é um absurdo realizar certos eventos grandiosos, seja no Rio, seja no Brasil. Pelo contrário: sempre achei que shows em Copacabana como o dos Rolling Stones ou o Pan do Rio eram excelentes oportunidades de dar visibilidade ao país lá fora e atrair mais turistas. Por isso mesmo, até ontem à tarde eu torcia para que o Rio ganhasse o direito de sediar as Olimpíadas de 2016, mesmo tendo o Lula (desculpem-me, leitores!) como garoto propaganda desta campanha lá em Pequim. Pois ontem à noite mudei de idéia.

Fui ao Galeão (perdão, Tom Jobim, mas o Galeão sempre será Galeão para mim) emitir um bilhete. Cheguei pouco antes das 8 da noite e enfrentei uma fila de mais de cinco doze minutos (meu pai cronometrou) para entrar no estacionamento do terminal 2. Motivo: apenas um único guichê, daqueles em que um funcionário precisa digitar dados do veículo em um sistema e aguardar a impressão do tíquete, estava aberto. Não bastasse isso, havia desorganização, com muitos motoristas querendo furar a fila. Lá na frente, uns 4 seguranças da Infraero batiam papo ao lado das cabines. Dar uma mãozinha e ficar lá atrás orientando os carros para quê?

Lá dentro é pior. Sinto vergonha alheia por ver o estado de abandono do aeroporto internacional da principal porta de entrada do turismo brasileiro. O acesso ao terminal em si é deserto, mal iluminado. Os banheiros estão em petição de miséria. As opções de lanches são poucas e caras e não são nada atraentes. Na hora de pagar a taxa de embarque, um susto: R$35,04 (sim, 4 centavos) para embarcar no Santos Dumont em direção a Congonhas e voltar. Um assalto. Se ao menos nossos aeroportos fossem de primeiro mundo, eu saberia onde o dinheiro é empregado. Definitivamente, não é o caso.

Na hora de ir embora, outra fila, desta vez um pouco mais demorada apesar de 2 guichês abertos. Acontece que o volume de carros saindo ao mesmo tempo era grande. Lembro que há algum tempo atrás o pagamento do estacionamento era feito em um quiosque dentro do terminal. Não sei porquê agora é direto na saída, o que é um retrocesso. Há uns dois meses estive lá e fiquei mais de 5 minutos na fila. Na hora de pagar, haviam se passado 2 minutos da primeira hora e fui obrigada a pagar por mais uma hora, mesmo estando “atrasada” devido à lerdeza do atendimento. Por que não adotam sistema igual ao dos shoppings? O tíquete de entrada deveria ser fornecido por uma cancela automática e o pagamento deveria ser feito em guichês dentro do aeroporto.

Enquanto isso, você, amigo leitor, que tem um notebook e é destemido, pode ir navegar na internet à beira da praia de Copacabana. Como todos sabem, equipamentos eletrônicos e areia foram feitos um para o outro e a orla do Rio, especialmente na zona sul, é lugar de segurança máxima. Por essas e outras é que acho um insulto que aquele senhor que se acha o dono do Brasil esteja lá em Pequim, acompanhado do Cabralzinho-que-adora-bicicleta, querendo trazer as Olimpíadas para cá. É assim que pretendem receber turistas e esportistas de todas as partes do mundo? Isto é uma afronta à inteligência de qualquer um. Não contem comigo para torcer pelo “Rio 2016″. Tô fora!

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aeroporto, AIRJ, Galeão, GIG, Infraero, olimpíadas 2016, Rio 2016
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